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Entrevistas

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Terça-feira, 20 de abril de 2004 - 10h24m

Neivor Canton

Presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina

O processo de globalização representa mais uma oportunidade que uma ameaça, avalia o dirigente cooperativista Neivor Canton, recém-eleito presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC) que quer, em quatro anos de mandato, ampliar as redes de intercooperação e colocar as cooperativas catarinenses no mercado mundial.



Foto: MB Comunicação


Aos 50 anos, casado, graduado em letras e direito, Canton atua no cooperativismo há cerca de 20 anos. Foi vice-prefeito e prefeito de Ipumirim, presidente da Federação Catarinense de Municípios (Fecam) e da AMAUC, superintendente da FEAUC e pró-reitor administrativo da Universidade do Contestado, entre dezenas de outros cargos exercidos na vida comunitária. Neivor Canton comandará um sistema formado por 308 cooperativas que reúnem 530.000 cooperados, empregam 17.800 colaboradores e respondem por 25% da economia do setor primário ou 10% do PIB estadual. Juntas, elas faturam mais de R$ 5 bilhões de reais por ano. Substituiu Luiz Hilton Temp na presidência da Ocesc.

Quais suas metas e prioridades na presidência da Ocesc?
Neivor Canton - Liderar o processo de formação e aprimoramento das redes de intercooperação, definir os princípios do cooperativismo através da educação permanente, resgatar a responsabilidade social do sistema, estruturação dos conselhos especializados dos ramos e exercer uma ação forte na consolidação permanente da autogestão em todo o sistema.

Quais suas metas e prioridades na presidência do Sescoop/SC?
Canton – A busca incessante da profissionalização da gestão das cooperativas e de todos os ramos, a promoção da profissionalização das atividades econômicas do quadro social para atendimento das exigências do mercado, além de contribuir para o aprimoramento do processo de planejamento estratégico e participativo nas cooperativas e organizações.

Por que o cooperativismo de SC vem sendo apontado como aquele de melhor qualidade do país?
Canton - Destaca-se em virtude da existência de um processo adiantado da intercooperação em diversos ramos e pela melhoria do nível de gestão aplicado nas cooperativas.

Na sua avaliação, quais são as potencialidades mais latentes do cooperativismo catarinense?
Canton - O estágio atual do cooperativismo catarinense associado às suas características, permite que caminhemos celeremente a nos equipararmos com o que de melhor existe de cooperativismo no primeiro mundo. O espaço disponível no mercado interno e externo são nosso estímulo para investirmos em pessoas e processos que são as peças fundamentais nas consolidações desses objetivos. Lembrando sempre de que o nosso alvo maior, são os cooperados empreendedores.

Podemos afirmar que as cooperativas de SC são profissionais, maduras e eficientes tanto quanto as empresas privadas mais competitivas?
Canton - Temos bons exemplos que nos permitem concordar com esta afirmação. Esses exemplos podem ser constatados em diversos ramos. Há inclusive iniciativas de ponta que, portanto, servem de referência. No entanto o cenário econômico e social é por demais dinâmico e não permite acomodações nem tréguas.

As cooperativas estão preparadas para enfrentar os novos desafios do cenário nacional/mundial em face da agressiva globalização em curso?
Canton - Vejo a globalização muito mais como oportunidade que ameaça. Mesmo considerado o tumultuado cenário institucional em que o Brasil vive, nosso sistema dispõe de lideranças e bases muito fortes e qualificadas. Ainda assim, as cooperativas encontram desafios aos quais necessitarão dedicar toda energia para manterem-se competitivas.

As cooperativas tem planos para conquistar os mercados externos? Quando? Como?
Canton - Considero ainda tímida a participação das cooperativas catarinenses, no seu conjunto, no mercado externo. A maioria dos ramos no nosso sistema, por suas características focam mercados locais e regionais. Quando a intercooperação se faz presente é que o mercado externo se torna mais acessível. Embora não possamos objetivamente definir cronogramas e volumes, é certo que assistiremos avanços firmes em direção deste mercado.

O Sr. tem intenção de criar programas especiais de inclusão dos jovens e das mulheres em todos os ramos do sistema cooperativista?
Canton - A inclusão de mulheres e jovens tem sido uma experiência altamente reconhecida e elogiada em todas as situações até aqui registradas. Os ramos que ainda não tiverem despertado para estas vantagens serão estimulados a fazê-lo. Há ganhos consideráveis a realizar neste campo que até aqui muitas organizações não os vislumbravam.

O governo federal prometeu apoio total ao cooperativismo. Isso esta acontecendo?
Canton - Observo que houve alguns ganhos. O simples fato de o governo federal antes e depois de empossado reconhecer que a melhor forma de distribuir renda e fazer justiça social é praticar o cooperativismo, contribuiu para que a sociedade em geral, passasse a ver este sistema com bons olhos. Os atos concretos de apoio, ainda tímidos, hão de passar, e com urgência, por uma legislação adequada aos tempos e que venha a demonstrar de fato, que este governo fez do cooperativismo uma opção para desenvolver este país com justiça e paz.

A sociedade reconhece, distingue e valoriza o papel econômico, social e educacional das cooperativas?
Canton - Antes de responder à pergunta preciso lembrar que vivemos sob o regime de livre mercado. Uma vez inserida nesse modelo, a iniciativa cooperativista não pode esperar que a sociedade lhe facilite ações nem tão pouco reconhecimentos. Existe uma disputa permanente e acirrada no campo econômico, que se reflete na sociedade. Se as cooperativas forem competentes economicamente, terão condições de terem atendidos seus objetivos sociais. Só assim obterão o devido reconhecimento da sociedade, cumprindo desta forma um de nossos princípios.

Como e quando o Sr. ingressou no cooperativismo?
Canton – Em 15 de agosto de 1980, sob a matrícula número 8989-3, ingressei no quadro social da Cooperativa de Produção e Consumo Concórdia . Em 13 de fevereiro de 1987 passei a integrar o Conselho Fiscal; em 01 de julho de 1987 fui convidado a responder pela diretoria administrativa e operacional; em 01 de março de 1991 fui eleito vice-presidente da Copérdia e em 10 de março de 1995 fui reeleito presidente até a presente data.

Fonte: MB Comunicação









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