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Entrevistas

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Segunda-feira, 05 de julho de 2004 - 10h16m

Jango Salgado

Domador de cavalos

Um paulista de Pindamonhangaba é hoje a maior sensação do circuito brasileiro de rédea. Ao contrário do que se poderia supor, ele não mora em São Paulo, nem monta um cavalo Quarto de Milha. Ele se chama Jango Salgado, monta o cavalo crioulo Farrapo do Infinito, e é o único brasileiro classificado para o Campeonato Mundial durante eliminatórias concluídas a 13 de junho. No início de 2004, João Antonio Salgado Filho, Jango de apelido, escolheu Porto Alegre para morar e ensinar o ofício da rédea. Filho de agrônomo, iniciou-se na sela no hipismo rural e é aficcionado por cavalos desde 1984. Aprendeu a domar animais chucros e a montar ainda muito cedo, abandonando o skate.




Levado por um empresário norte-americano, Doug Millholand, que identificou seu talento precoce, afinou seu conhecimento da rédea nos Estados Unidos, durante seis meses. Oito vezes campeão brasileiro de rédeas, há 14 anos envolveu-se profundamente com o Rio Grande do Sul e, em especial, com o cavalo crioulo. Sua dupla no torneio, o cavalo Farrapo do Infinito é filho de La Invernada Hornero, consagrado garanhão chileno, e de Turbina Tupambaé, uma filha de Nobre Tupambaé, ganhador do Freio de Ouro. Hoje, Jango Salgado, patrocinado pelas rações Supra, tem seu cachê pago pelo Querência Centro de Equitação e Rédeas, encravado em um condomínio de luxo na zona sul da capital gaúcha - Terra Ville Bélem
Novo Golf Club, onde também se prepara para o Campeonato Mundial de Rédea que será realizado em novembro nos Estados Unidos.

Página Rural - Como foi a classificação para o Campeonato Mundial de Rédeas?
Jango Salgado - Durante muitos anos, obtive campeonatos montando Quarto-de-milha. Mesmo enfrentando resistências, escolhi Farrapo do Infinito (Cabanha Infinito - São Sepé, de propriedade de Roberto Davis) para compor a minha dupla, porque senti o potencial do cavalo. Na rédea, o que importa é a qualidade da manobra e com este cavalo obtive duas vezes a pontuação 77 com jurado norte-americano - muito alta para esta competição. E não adianta treinar com o cavalo. É preciso formar uma dupla perfeita, criando uma cumplicidade com o cavalo, de forma a fazer manobras as mais perfeitas possíveis. Agora, vamos ao Campeonato Mundial com um excelente exemplar desta raça originária da América Latina - a raça Crioula. O mundial será disputado em Oklahoma, Estados Unidos, no mês de novembro, uma espécie de vitrine para convencer o Comitê Olímpico Internacional a aprovar a Rédea como modalidade nas Olimpíadas de 2008.

Página Rural - Qual é o melhor cavalo para a modalidade de Rédea?
Jango - Me defino como um cidadão do cavalo. Para mim, existem apenas duas raças eqüinas: o cavalo bom e o cavalo ruim. Todas as raças podem participar das provas de rédea. E os gaúchos têm uma verdadeira idolatria pelo cavalo. Não existe Estado que vive o cavalo como o Rio Grande, à semelhança do que ocorre no Texas. E por certo existem cavalos excelentes em várias cabanhas gaúchas de crioulo, assim como existem ótimos cavalos quarto-de-milha e de outras raças para o segmento. Entretanto, os criadores tradicionais de cavalos crioulos precisam compreender que a tradição não pode nunca ser um obstáculo da evolução, do crescimento. Por isso, é fundamental a necessidade de implantar métodos de doma racional, para extrair ao máximo o potencial de um cavalo de rédea.

Página Rural - E por que o Sr. não atua no Freio de Ouro?
Jango - O Freio de Ouro e a modalidade de Rédea são áreas completamente diferentes. No Freio de Ouro, é preciso um trabalho especial, ginetes e cavalos com grande capacidade física. Já no segmento da rédea, a rigor, qualquer pessoa pode competir - desde crianças e amadores, até cavaleiros avançados. Na rédea, o cavaleiro precisa se moldar ao cavalo, conhecer os limites do animal, criando uma cumplicidade, sempre com muita delicadeza. E, o mais importante, a modalidade de rédea está trazendo pessoas comuns para o cavalo - empresário urbano, o patrão, o proprietário de apenas um cavalo - que podem competir em igual condição com o ginete profissional, sempre na sua categoria.

Página Rural - Qual é a estrutura do Centro Querência?
Jango - O Querência Centro de Equitação e Rédeas está situado ao lado do Condomínio Terra Ville Bélem e é voltado ao adestramento de cavalos no segmento rédea e para negócios rurais. O local possui uma pista oficial de rédeas com 3,3 mil metros quadrados (metade dela coberta), com capacidade para um público de 2.500 pessoas, redondel, baias para a hospedagem dos cavalos dos condôminos e dos alunos fixos, além de local de remates e lojas especializadas. Sobre um terreno previamente compactado, colocamos uma camada de areia. Os cavalos preparados para este exercício utilizam ferraduras especiais, que permitem o deslizamento em extensões de até vinte metros.

Página Rural - Quais são suas apostas para este complexo rural?
Jango - Quando comecei a montar, fiz aulas para aprender a forma correta de montar, a postura que se deve ter em cima do animal, onde colocar as mãos e os pés. Por isso, estou empolgado com esta oportunidade de transformar o Querência num centro de referência para a rédea. Muitos criadores que têm cavalos no Freio de Ouro também preparam outros animais para a rédea. E para estes a existência de um Centro pode servir para vários propósitos: corrigir pequenos defeitos dos cavalos do Freio, ou também para treinar cavaleiros a atuarem no segmento de rédea, uma verdadeira iniciação para usufruir ao máximo das potencialidades de um bom cavalo.

Por Horst Knak
knak@agenciaciranda.com.br









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