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Entrevistas

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Terça-feira, 31 de agosto de 2004 - 10h33m

Carlos Antonio da Costa Tillman

Coordenador do Curso de Engenharia Agrícola da UNISC

Engenheiro Agrícola – Quem é este profissional?

Carlos Antonio da Costa Tillman, Coordenador do Curso de Engenharia Agrícola da UNISC – Universidade de Santa Cruz do Sul, é quem vai nos responder esta e muitas outras questões. Formado em Engenharia Agrícola pela Universidade Federal de Pelotas – UFPEL, Tillman vem trabalhando em prol desta área a mais de 15 anos. O Professor também é mestre em Máquinas Agrícolas pela Universidade de São Paulo - USP e doutorando em Tecnologia de Sementes na UFPEL. Como resultado de seu esforço de eterno acadêmico Tillman já publicou dois livros. O primeiro sobre Máquinas e Lubrificantes pela Edufpel – Editora da UFPEL e o segundo sobre Máquinas para Pequenos Produtores pela EMBRAPA.



Carlos Antonio da Costa Tillman, Coordenador do Curso de Engenharia Agrícola da UNISC


Tillman é coordenador do Curso de Engenharia Agrícola da UNISC há duas gestões e vem desenvolvendo, junto com o corpo docente e funcionários da instituição, um trabalho voltado à inserção do homem do campo na universidade, pretendendo apresentar melhores recursos à atividade agrícola desenvolvida na sua propriedade. O curso conta com cerca de 150 alunos, a maioria de localidades interioranas, que a partir deste semestre estão podendo desfrutar das aulas realizadas no turno da noite.

PR.-Quando o curso de Engenharia Agrícola entrou na UNISC e qual o seu papel na Universidade?
Tillman - O Vale do Rio Pardo tem uma característica potencial agrícola muito forte, a começar pela cultura do fumo, uma das mais representativas da região, logo seguida por grãos. Então o curso veio para preencher uma lacuna. A prova disso são nossos alunos, filhos de agricultores de toda região, não só do Vale do Rio Pardo, como Vale do Taquari, Região Centro Serra.
O Curso de Engenharia Agrícola da UNISC, que entrou em 1995 veio oportunizar o meio agrícola da região a melhorar suas atividades em casa ou beneficiar algumas indústrias ligadas ao setor agrícola, possibilitando o emprego, dando ao aluno condições de poder efetivamente, trabalhar nessas empresas.

PR. -A UNISC dispõe verba para projetos extra-institucionais?
Tillman – Sim. Nós temos vários projetos em que especialmente o curso de Engenharia Agrícola já participou. No ano passado foi desenvolvido um projeto sobre a Broca da Erva Mate, juntamente com a Prefeitura de Venâncio Aires, onde teve uma atuação muito forte dos alunos e professores do curso. Há também o projeto de Biodiesel, uma proposta de extração de óleo vegetal a partir do girassol para ser usado em tratores agrícolas. Estes são projetos da universidade com auxilio da iniciativa privada.

PR. – Quais os benefícios que a mecanização da agricultura trás?
Tillman - Na verdade, a grande mecanização está mais voltada para o centro do país, mas há muito a ser feito pelo agricultor familiar. Ele ainda está longe de mecanizar a sua propriedade. Existem muitas tarefas que o agricultor ainda faz manualmente. Então, a grande mecanização está se introduzindo na intenção de diminuir os esforços físicos do produtor. O departamento do curso é muito procurado por pequenos produtores para aprimorar suas atividades, para o desenvolvimento de máquinas que possam auxiliar nessas tarefas de introdução de culturas, entre outros.

PR - Estes pequenos produtores teriam condições de se manter no mercado sem a mecanização?
Tillman - É muito difícil, pois a atividade agrícola exige muito do esforço físico da pessoa. Qualquer sistema de plantação em qualquer cultura requer cuidados, tratos culturais. Por exemplo uma capina mecanizada hoje, é muito cara. Então muita gente ainda faz a capina manual. Então cabe a Engenheiro Agrícola, desenvolver equipamentos que venham melhorar as tarefas do pequeno produtor. Trabalhar para que ele possa ter acesso a equipamentos que reduzam esses esforços.

PR – Qual o papel do engenheiro agrícola no agronegócio?
Tillman – O Brasil tem enorme um potencial agrícola. Para tanto, o Engenheiro Agrícola está sendo qualificado para assumir o papel de instrumento de viabilização do processo de modernização da agricultura. O que antes era produzido sem preocupação com uma maior integração ao setor industrial, agora assumiu um caráter mais profissional. Desde sua produção mais primária até a mesa do consumidor. O Agronegócio veio trazer ao Engenheiro Agrícola uma visão administrativa em sua propriedade.

PR – Quais os projetos do curso para 2005?
Tillman – Estamos tentando viabilizar, juntamente com a reitoria, um curso de Pós Graduação especifico na área de grãos e sementes, já que é um ponto forte da região. E também o curso de Especialização em Agronegócio que vem sendo montado junto com o curso de economia.

PR. – Qual a posição dos Engenheiros Agrícolas quanto aos produtos transgênicos?
Tillman – A posição do Engenheiro Agrícola quanto aos transgênicos, assim como com quaisquer produtos cientificamente desenvolvidos, é favorável. Nós não somos contra nada, nós somos a favor da ciência e do bem estar. Somos a favor de que, desde seu desenvolvimento, as pesquisas sejam esclarecidas. Isto para que a população esteja bem informada e neste ponto estão havendo falhas. Do meu ponto de vista ainda existe muito história e pouca ação. Mas nós somos a favor desta prática desde que o consumidor seja bem informado.

PR. – Qual a situação da Engenharia Agrícola no Brasil, num contexto global?
A expectativa do Engenheiro Agrícola no Brasil é muito grande. Nosso país é considerado um dos maiores celeiros mundiais, como produtor de soja e está se caracterizando como um dos maiores produtores de grãos do mundo. A frente agrícola está muito próspera e isso tem oportunizado aos profissionais da área agrícola boas oportunidades de emprego. Se estima que até os próximos 10 anos vai haver uma avalanche no crescimento agrícola. As empresas de produção de insumos e máquinas não estavam preparadas para este crescimento exponencial, que por um lado nos beneficia, abrindo campo de trabalho aos nossos alunos, mas por outro lado nos assusta pois está crescendo muito rápido, isto pensando grande, em termos de Brasil central. Nos outros lugares do mundo não há mais áreas. Na China por exemplo há uma grande produtividade mas em áreas muito concentradas, eles não tem onde se expandir. Então os Engenheiros Agrícolas de outros países vêem no Brasil uma grande oportunidade de crescimento e expansão do ramo.


Por Liana Rigon









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