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Entrevistas

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Quarta-feira, 08 de setembro de 2004 - 10h59m

Paulo Gomes Móglia

Médico veterinário

Crioulista bageense assumirá o comando da ABCCC

O médico veterinário bageense, Paulo Gomes Móglia, assumirá no dia 7 de outubro, em Pelotas, a presidência da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos. Pela segunda vez, ele irá comandar a ABCCC, uma entidade que reúne hoje mais de 2 mil associados espalhados por Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e outros estados. Proprietário da Estância Lagia e Cabanha Calabasa , este autêntico gaúcho substituirá a criadora Elisabeth Lemos, a primeira mulher a presidir a associação. Nesta entrevista que ele concedeu à Pagina Rural, durante a Expointer 2004, Móglia fala sobre as qualidades da Raça Crioula e de alguns projetos que pretende implantar em sua gestão.





Página Rural - Quais os planos da nova diretoria da ABCCC?
Paulo Gomes Móglia - O nosso projeto é dar continuidade ao crescimento da Raça Crioula. Já programamos a realização de vários eventos fora do Rio Grande do Sul. Nesta nova diretoria temos dois vice-presidentes: um de São Paulo (Rubens Zogbi) e outro do Paraná (Jorge Rosas Demiate) para que possamos acompanhar de perto todos os eventos realizados no país. Ao longo dos anos a Raça Crioula vem crescendo em vários estados brasileiros. É um trabalho desenvolvido de maneira permanente e que vem tendo sustentação administrativa, técnica e funcional para que possamos apresentar um produto de primeira qualidade.

PR - Qual sua avaliação sobre o aperfeiçoamento morfológico e funcional desenvolvido na Raça Crioula?
Móglia - Através dos anos estamos realizando provas seletivas que selecionam a morfologia e a função. Durante os 23 anos de Freio de Ouro estamos aperfeiçoando cada vez mais o biotipo morfológico e funcional dos animais. O Freio de Ouro, que é uma prova é seletiva, além da Marcha de Resistência e de outras provas que a Raça Crioula realiza, está gerando um cavalo com excepcional condição para a disputa de competições esportivas como as provas de rédeas e enduro.

PR - Que atenção vai ser dada às provas de rédeas?
Móglia - Nós já estamos criando um calendário de provas de rédeas junto com a Associação Gaúcha de Cavalos de Rédeas (AGCR) e vamos realizar o circuito de rédeas do cavalo crioulo. Vamos ter o potro do futuro da Raça Crioula aqui no RS, que depois vai concorrer nas provas da Associação Nacional de Cavalos de Rédeas (ANCR) e fora do país. É um foco importante que estamos dando para este cavalo competitivo também no esporte. Temos convicção que temos que seguir com as provas seletivas, da mesma forma que estamos fazendo no decorrer dos anos. Mas estamos dando importância as provas esportivas, porque se no futuro a competição de rédeas se tornar realidade em nível de Olimpíadas, a Raça Crioula terá condições de competir de igual para igual.

PR - Qual a participação dos jovens no avanço e no projeto da Raça Crioula?
Móglia - A ABCCC já criou a Comissão de Jovens. Para nossa satisfação uma palestra realizada na Expointer reuniu mais de duzentos jovens crioulistas. Outra satisfação foi a competição juvenil, infantil e feminina que reuniu 101 participantes, realizada no último fim de semana da Expointer. Isso garante o futuro da Raça Crioula. São crianças e adolescentes que estão se envolvendo com o cavalo crioulo e que é fundamental para o crescimento da Raça e também para a formação dessas crianças, porque ao invés de estarem envolvidas com outros problemas comuns da sociedade urbana estão lidando com cavalo, junto com seus pais, que é uma atividade muito saudável. Sem dúvida, é uma maneira de fortalecer o convívio familiar.

PR - De que forma a Comissão de Jovens pode contribuir para a expansão da Raça Crioula?
Móglia - Iremos promover vários eventos como o congresso que será realizado em Bagé neste ano, durante as comemorações do centenário da Associação Rural daquele município. Como este congresso faremos outros itinerantes, que irão tratar das questões técnicas, administrativas e funcionais. Desta forma os jovens poderão conhecer o funcionamento da ABCCC e quais os objetivos da Associação que é o crescimento da raça, através da orientação técnica que vem sendo feita através dos anos, não abrindo mão dos princípios fundamentais da raça que são: resistência, rusticidade, docilidade, principalmente direcionadas para a parte funcional.

PR - Qual o futuro da raça no Mercosul e qual a proposta da ABCCC junto a Federação Internacional de Criadores de Cavalos Crioulos (FICCC)?
Móglia - Quando eu era guri nós íamos aos outros países do Cone Sul trazer animais para cá. Em função do aprimoramento técnico e da seleção que a ABCCC vem realizando ao longo dos anos, hoje já somos exportadores de cavalos para o Mercosul. Hoje, dentro de um biótipo funcional e morfológico, nós estamos acima. Prova disso que o Uruguai já vem fazendo a prova Freio de Ouro há quase 15 anos, a Argentina começou a fazer as nossas provas credenciadoras. Para satisfação nossa os chilenos que aqui vieram em número expressivo na Expointer demonstraram interesse em promover a prova do Freio de Ouro lá no Chile. Isso é um passo importante para a integração do Cone Sul que é fundamental para o crescimento da raça como um todo no Mercosul e nos países componentes da FICCC. O Paraguai também solicitou a participação do Brasil, com seus animais, para fomentar cada vez mais um referencial no criatório e nas suas provas com a FICCC. Além disso, alguns criadores de fora do Brasil fizeram uma proposta para realizar uma prova oficial da FICCC provavelmente de rédeas onde os diferentes países competiriam juntos. É isso aí, com certeza não faltará empenho da nova diretoria e de todos crioulistas para promover ainda mais as qualidades da Raça e também da ABCCC.


Por Luís Eduardo Bona









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