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Entrevistas

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Segunda-feira, 21 de março de 2005 - 09h55m

Nei César Mânica

Presidente da Cotrijal e da Expodireto Cotrijal

De jogador de futebol a produtor rural e presidente de uma cooperativa que é modelo de gestão empresarial para todo o país. Esse é o resumo da trajetória de vida de Nei César Mânica, 52 anos, presidente da Cooperativa Tritícola Mista Alto Jacuí Ltda., de Não-Me-Toque (RS), há dez anos.

Nei César Mânica nasceu em Tapera, em 9 de novembro de 1952. É casado com Ana Elisa Mânica, com quem tem três filhos: Marcelo, Micheli e Mariana. É extremamente dedicado à família, a quem considera a base de toda e qualquer sociedade.



Nei César Mânica
Foto: Departamento de Comunicação da Cotrijal


Sempre foi muito ligado ao esporte, tendo sido atleta de futebol de salão nas equipes da Sercesa e do Pinheiro, de Carazinho, e do Russo Preto, de Não-Me-Toque. No futebol, integrou a equipe juvenil do Grêmio Footbal Porto-alegrense.

Sua vida profissional confunde-se com a própria história da Cotrijal, onde atua há mais de 30 anos, dos quais, seis anos exercendo o cargo de diretor financeiro, e nos últimos dez anos, na função de diretor presidente.

Dinâmico, com visão de futuro e um foco muito bem definido em defesa de um agricultor forte e de uma cooperativa forte, Nei César Mânica vem liderando trabalhos na área de qualidade total, onde a cooperativa já conquistou vários prêmios, na área de capacitação profissional, envolvendo colaboradores, dirigentes, lideranças e produtores, além de uma série de outras atividades que objetivam a geração de resultados positivos para toda a cadeia produtiva.

Como produtor rural e administrador de empresas não abre mão da eficiência e da qualidade. Os frutos do seu trabalho sério e competente podem ser comprovados pelas realizações que tem liderado na Cotrijal. Entre elas, a Expodireto Cotrijal, uma feira de tecnologia e negócios que de 7 a 11 de março de 2005 teve sua sexta edição e que projeta a região em nível de Brasil e de Mercosul.

Para Nei César Mânica, as mudanças rápidas que acontecem na economia exigem agilidade e profissionalismo, conceitos que defende como pessoa e como administrador.

Página Rural - Qual sua avaliação sobre o cooperativismo agropecuário gaúcho e brasileiro em 2004?
Nei César Mânica - O cooperativismo agropecuário gaúcho e brasileiro viveu momentos muito positivos em 2004. Além do trabalho muito forte de intercooperação entre as cooperativas, mesmo com as dificuldades enfrentadas na cultura da soja devido ao clima, equacionamos os problemas relacionados à exportação da soja transgênica para a China, hoje um mercado bastante promissor e que pode ainda gerar bons resultados para o produtor brasileiro. E outro fato que marcou o ano foi a exportação de trigo. Há vários anos não exportávamos e em 2004 conseguimos romper fronteiras e agregar valor ao grão produzido no Rio Grande.

PR - Dentro desse contexto, faça uma avaliação do desempenho da Cotrijal em 2004. E para 2005, quais as metas a serem atingidas?
Mânica - Dentro desse cenário de pontos positivos e negativos que o agronegócio enfrentou em 2004, a Cotrijal teve um excelente desempenho. Ampliamos nossa capacidade de armazenagem, dando ao produtor a garantia de ter onde estocar o seu produto, e hoje estamos presentes em treze municípios, com 27 entrepostos. Através dessa estrutura, que vem atender o que está definido em nosso planejamento estratégico, hoje temos uma capacidade estática de mais de 400 mil toneladas e a distância média entre as propriedades e as unidades de recebimento da produção não passa de 10 km. Assim, garantimos menores custos, maior segurança e melhores possibilidades de uma boa comercialização ao produtor depois da colheita.

O ano também foi muito positivo para a suinocultura, que teve uma recuperação importantíssima e que possibilitou ao produtor voltar a ter ganhos. No leite, equacionamos as dificuldades que o produtor vinha enfrentando devido ao baixo preço pago pelo produto e o deixamos livre para fazer a comercialização direto com a indústria.

PR - A Cotrijal vem a cada ano apresentando resultados positivos em diferentes áreas de atuação. Até que ponto o investimento na formação cooperativista do quadro de funcionários e dos produtores contribui para este crescente sucesso da cooperativa?
Mânica - O maior patrimônio de uma empresa, de uma cooperativa, não é sua estrutura física. São as pessoas. E se queremos que nossa empresa ou cooperativa cresça precisamos investir nas pessoas, através de viagens de estudos, de seminários, de debates, de palestras, de gerenciamento de qualidade, enfim, oferecendo-lhe as ferramentas necessárias para que se torne um profissional cada vez mais capacitado. E nós temos buscado isso constantemente, fazendo o colaborador e também o quadro social entenderem que em tempos de grande competitividade como os que vivemos hoje é preciso investir na profissionalização e na busca contínua de atualização.

Hoje estamos fazendo um trabalho muito forte junto aos nossos conselheiros e aos nossos líderes, proporcionando a participação em seminários, levando conhecimentos, experiências e incentivo, fazendo com que eles entendam cada vez mais a sua importância no contexto e que levem a mensagem da cooperativa até a comunidade. Eles são os porta-vozes da cooperativa perante o associado e do associado perante a cooperativa. Mostram ao associado o que é a cooperativa e a importância que ela representa, agregando serviços que repercutem cada vez mais nos momentos das dificuldades. É nesses momentos que o produtor entende que a cooperativa é sua, porque fizemos um trabalho de conscientização e de valorização.

Mostramos que o produtor é o dono da cooperativa, que ele precisa se profissionalizar, participando dos 10 grandes eventos que a Cotrijal promove todos os anos. Isso tem sido um diferencial muito grande dentro do cenário do agronegócio.

PR - Os analistas afirmam que em 2005 os preços dos produtos agrícolas serão menos compensadores. Na sua opinião, que procedimentos os produtores deverão adotar para garantir renda à atividade?
Mânica - Precisamos equacionar esses problemas com uma maior produtividade, com a redução de custos e cuidando muito as imobolizações desnecessárias. Como neste ano estamos enfrentando também problemas em relação ao clima, estamos pleiteando auxílio às autoridades federais, estaduais e municipais. Os produtores precisam de maior atenção das autoridades, que podem contribuir permitindo a renegociação das dívidas, a liberação de recursos para o plantio da próxima safra e a implantação imediata de um seguro agrícola eficiente. Precisamos buscar juntos, produtores, cooperativas e demais entidades ligadas ao agronegócio, o atendimento dessas reivindicações. E procurar fazer o melhor em nossa propriedade para superar as dificuldades.

Estamos vivendo uma situação muito difícil mas temos que entender que na agricultura é uma atividade de risco. Já enfrentamos outros anos de seca e conseguimos nos reerguer. Embora eu não deseje isso, mas há possibilidade de que esta não seja a última seca que vamos enfrentar em nossa vida. Teremos anos com muita chuva também. Ou com quebra de preços e oscilações no dólar. Já enfrentamos tudo isso e estamos aqui, firmes, prontos a enfrentar novas dificuldades. Então nesse momento eu diria que o produtor participe da Expodireto, participe do palco de tecnologia, buscando conhecimentos para enfrentar essa situação difícil. Aquele produtor que se sente dono da cooperativa, que trabalha lado a lado com a cooperativa, sabe que nunca esteve desamparado e pode ter a certeza que não estará desamparado neste momento porque nós estamos juntos, buscando as alternativas para vencer esses momentos de dificuldade.

PR - A Expodireto é considerada um dos maiores eventos do agronegócio brasileiro. Em 2005, quais foram os focos tecnológicos, comerciais e políticos da exposição? E as novidades? O senhor poderia citar algumas?
Mânica - Como já esperávamos, esta sexta edição da Expodireto Cotrijal, que aconteceu de 7 a 11 de março, alcançou plenamente seus objetivos. Nós sabíamos que não teríamos um volume de negócios igual ao do ano passado em função da estiagem e de uma série de outros fatores que levaram a agricultura brasileira, especialmente a gaúcha, a um de seus piores momentos. Mas tínhamos a certeza, e isso acabou se confirmando, de que o produtor viria para a feira porque essa era a hora de aproveitar a oportunidade de buscar tecnologias e as novidades que os setores de pesquisa e as empresas participantes da feira estariam trazendo.

Registramos um público de 117.200 pessoas no cinco dias da feira e R$ 105 milhões em negócios, resultado extraordinário para esse ano. Além desse palco de tecnologias que a Expodireto Cotrijal 2005 representou, ela também foi o centro das discussões do agronegócio brasileiro nos seus cinco dias. A feira contribuiu para que pudéssemos exigir das autoridades que a prestigiaram, como o governador do Estado Germano Rigotto e o ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, alternativas para amenizar a difícil situação enfrentada pelos produtores gaúchos. Felizmente nossas reivindicações já começaram a ser atendidas e temos a certeza de que o presidente Lula se sensibilizará com a difícil situação da agricultura gaúcha. E um ponto muito importante, é que a feira serviu para levantar o ânimo dos produtores e dos visitantes de um modo geral, porque essa não é a primeira vez e não deverá ser a última que a agricultura passa por dificuldades.

O que precisamos é estar preparados para enfrentar as adversidades e cada vez mais nos orgulhar de sermos agricultores, e agricultores competentes, como reconhecem todas as autoridades do setor. Entre as novidades que a Expodireto Cotrijal 2005 apresentou estão importantes eventos, como o Seminário Nacional da Sociedade Brasileira de Economia, o 1º Seminário Band/Cotrijal, o 2º Acampamento da Juventude Cooperativista, o 1º Fórum Nacional do Leite e o 1º Seminário de Suinocultura. Outra grande novidade, e que atraiu muitos elogios, é o Recanto Temático, espaço que neste ano retratou a história da extensão rural no Rio Grande do Sul, numa parceria entre Emater e Cotrijal.

No Espaço da Natureza Cotrijal, também tivemos a apresentação de novidades, como o Projeto Bosques Gaúchos, através do qual já se implantou ao redor do lago do parque representantes da flora das diversas regiões fitogeográficas do Estado. Quando estiverem grandes, as árvores darão um novo visual ao parque, oferecendo maior sombra para os visitantes, e mostrando a importância da preservação da fauna e da flora para o equilíbrio ambiental. Na área central, construímos o Pavilhão Internacional, onde recebemos as delegações das Câmaras Setoriais do Mercosul e da Comunidade Européia, oportunizando rodadas de negociações.

A Expodireto Cotrijal 2005 serviu para nos mostrar que o produtor está consciente da necessidade de busca por novas tecnologias, e quando falamos em novas tecnologias não é apenas em termos de equipamentos, mas de pesquisa, de produtos, enfim, do que está a nossa disposição para melhorar o desempenho da nossa atividade. E nós, Cotrijal, vamos estar sempre ao lado do produtor, nos momentos bons e também nos ruins, para auxiliá-lo e mostrar-lhe os vários caminhos positivos que podem ser seguidos.









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