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Entrevistas

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Sexta-feira, 29 de abril de 2005 - 09h39m

Wolmir de Souza

Presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos

O atual momento vivido pela suinocultura, tem gerado dúvidas e insegurança para os produtores catarinenses. O desencontro de informações sobre mercado, oferta e demanda, tem feio os valores pagos pelo suíno vivo, oscilarem nas últimas duas semanas.

O presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos, ACCS, Wolmir de Souza acredita firmemente que não há motivos reais para queda no valor, porque as reposições de plantel que vinha sendo feitas após a crise, ainda não estão entrando no mercado, para promover estas mudanças.


Wolmir de Souza, presidente da ACCS


Página Rural - Presidente, como o Sr avalia o atual momento da suinocultura?
Wolmir de Souza - É um momento que não se esperava, não estava nos nossos planos, apesar de que a suinocultura é um negócio como qualquer outro que tem altos e baixos. Nós sabemos que desde que chegamos a R$ 2,50, da sensibilidade por que poderia passar, por estarmos num patamar extremo de preços, que se sentia dificuldades em se manter, principalmente pela concorrência com as demais carnes, principalmente bovinos e aves e que o consumidor com baixo poder aquisitivo, vai optar por outras carnes. É uma situação que inspira cuidado e com qualquer deslize que ocorrer pode ter oscilação nos preços que é o que acontece no momento, mas é algo momentâneo, porque se percebe as exportações em alta, uma produção normal, nada além disso, muito embora tivemos um pequeno acréscimo no abate no mês de março, em função do problemas da estiagem pela falta de água, onde muitos produtores tiveram que abater mais cedo para evitar perdas maiores. Mas é um momento normal, com os preços dos insumos nos patamares normais, as exportações com números históricos inclusive e o suíno também, especialmente num momento em que o dólar se encontra em baixa, mesmo sendo um fator que tem influenciado diretamente na questão de preço e mercado.

PR – Por conta da estiagem, poderá haver falta de milho?
Souza - Não tem nenhuma perspectiva de falta de milho, apesar de estarmos na dependência da safrinha, que ainda está para ser colhida no Paraná e no Mato Grosso, e poderá oscilar o preço, mas desde que a safra seja normal, não deveremos ter dificuldades. O nosso consumo em nível de Brasil é em torno de 40 milhões de toneladas e se projeta uma colheita, contando com a safrinha, de 37 milhões, somados com mais três milhões de toneladas que é o excedente do ano passado, nós devemos ter um ano tranqüilo. Mesmo dependendo do mercado de suínos do volume nos plantéis, de aves que são realmente que consomem a maior quantidade deste produto. Mas com o pouco milho que vem de outros países, nós devemos ter uma normalidade com algum acréscimo ainda, mas sem nenhuma importância no custo de produção de suínos.

PR - Esta situação pode resultar numa nova crise?
Souza – Não tenho dúvidas de que o que ocorre é um fator passageiro, momentâneo, ocasionado principalmente ao mercado interno em relação a outras carnes, por causa da questão financeira do consumidor, a renda mensal que é o que baliza o mercado interno. Nós não temos um problema de excesso de produção, muito pelo contrário, tudo isso será resolvido em poucos dias. As exportações estão em alta e nós deveremos ver em breve o retorno dos preços, nos patamares normais de mercado. Eu acredito que isso não venha trazer prejuízos e com isso novas quedas.

PR – Qual a sua sugestão ou conselho aos suinocultores catarinenses para se evitar uma crise nos moldes da última?
Souza – A situação da suinocultura ficou bem clara após a última crise, uma lição muito importante onde obrigou os produtores a pensar: ou nós somos profissionais do ramo ou nós não entramos. É possível perceber que a suinocultura também tem riscos como qualquer outra atividade, por isso é importante que o produtor não se empolgue, não veja como uma atividade totalmente rentável, porque também tem problemas de mercado e que podem trazer dificuldades. É importante que o produtor mantenha calma, mas cima de tudo procure ser mais dono possível do seu plantel, do seu negócio. É importante agora, principalmente num momento em que os insumos estão num patamar estável, que o produtor passe a ser dono do seu plantel, que se tiver uma produição de leitões, conseguir diminuir o seu plantel e passar a trabalhar com ciclo completo, é importante porque estará diminuindo a oferta e aumentando os seus lucros, isso é o mais importante. Porque ele precisa buscar um domínio total da sua atividade, porque até que ele ficar na dependência e não conseguir definir um futuro sobre a sua produção, ele fica vulnerável e suscetível ao jogo do mercado.

PR – Qual o papel do produtor Independente na suinocultura.
Souza – Embora muitas pessoas dizem que o independente é um desregulador de mercado, eu acredito e temos feito um trabalho para que ele também tenha um mercado fixo, mas o independente na sua maioria, também é um balizador de preços no mercado. É ele quem acaba mostrando uma realidade diferente, que se pode pagar mais, que se pode vender por um preço ainda melhor e juntos, produtores independentes, pequenos até médios abatedouros, com inspeção municipal, estadual e federal, é que abam colocando a nossa produção, muitas vezes me mercados desassistidos pela grande agroindústria e pelo modelo atual de produção e comercialização. Eles são sim reguladores de mercado, fazendo com que o mercado se ajuste, o preço pago ao produtor seja de acordo com aquilo que o mercado possa pagar. Eu acredito que o produtor independente tenha uma tendência até crescente para que o produtor volte a ser o personagem principal do modelo da suinocultura com uma alternativa muito forte, porque para quem se imaginava morrendo tem crescido, se reestruturado e buscado novos adeptos, tanto em termos de produção e em nível de mercado, novos frigoríficos e outras empresas que atuam neste mercado.

PR – Como o Sr vê a atividade suinícola para 2005 e 2006?
Souza - Eu acredito e sempre tive uma posição bastante firme, num futuro muito promissor para a suinocultura. Com certeza teremos um 2005 excelente, com a suinocultura voltada também para o produtor, embora não se possa dizer o mesmo para aqueles que têm uma dependência maior das agroindústrias como é o sistema verticalizado, este produtores que até então não usufruem do bom momento vivido pelos demais produtores hoje. Não se pode falar dos produtores de maneira geral, mas aqueles que são donos do seu negócio com certeza terão um bom ano. Em 2006 a perspectiva não muda, apesar do aumento que deverá ter a produção, se trabalha pelos menos em qualidade sanitária, ambiental e qualidade de carnes para que se possa buscar novos mercados. Estamos fazendo um trabalho muito forte tanto em termos de Governo do Estado, Governo Federal, iniciativa privada, o setor agroindustrial para buscar novos mercados de exportação, crescimento no consumo interno, fazendo com que esta oferta que chega a ser um pouco crescente ela seja suprida pela demanda e a necessidade de mais carne. Acredito que se possa trabalha um futuro promissor, que a oferta seja perfeitamente absorvida pela demanda e se consiga manter uma estabilidade de bons lucros para o nosso produtor.









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