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Entrevistas

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Domingo, 08 de maio de 2005 - 00h21m

Vulmar Silveira Leite

Secretário Extraordinário da Reforma Agrária e Cooperativismo

Vulmar Silveira Leite nasceu no município de Bagé e é engenheiro agrônomo, formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). Casado, pai de três filhas, adotou Santiago, onde foi prefeito entre 1993 e 1996. Foi presidente do Conselho Regional de Desenvolvimento da Região Centro do Estado, de 1994 a 1996, do Conselho Consultivo de Departamento Estadual de Trânsito, entre 1997 e 1998, e da Emater/RS, de 1988 a 1991.



Em 1999, foi consultor do Programa Nacional de Agricultura Familiar, do Ministério do Desenvolvimento Agrário, e no biênio 2001/2002, foi gerente estadual do Banco da Terra no Rio Grande do Sul, que, em dois anos, assentou mais de 11 mil famílias. No governo Germano Rigotto, foi nomeado secretário do Gabinete de Reforma Agrária e Cooperativismo (Grac). Desde então, trabalha na viabilização socioeconômica dos assentamentos, desenvolvimento e apoio ao cooperativismo, reassentamento ou indenização de agricultores desalojados de áreas indígenas ou atingidos por barragens e também com as linhas de crédito fundiário estadual e federal, esta através de convênio com o Ministério do Desenvolvimento Agrário.

Em abril, fruto de diversas reuniões realizadas pelo Grac com o Euro Institut – Instituto Latino-Americano e Europeu de Economia, Política e Segurança, Vulmar Leite encabeçou uma missão gaúcha composta por prefeitos e dirigentes de cooperativas à Alemanha, em viagem organizada pelo escritório do Euro Institut de Lajeado. Foi a terceira vez que esteve no país alemão, tendo conhecido em 1990 e retornado em 1996, além da viagem deste ano.

Página Rural – Quais as principais diferenças entre as viagens realizadas antes e a atual?
Vulmar Silveira Leite – Na primeira vez, estavam discutindo a união das Alemanhas, e de lá para cá o avanço tecnológico foi surpreendente. Neste ponto, chama a atenção para a redução da população rural. A mecanização, teve um papel não apenas prático, nas lavouras, mas também como modo de absorção desta população. A infra-estrutura turística e a receptividade também se destacam. A forma como prédios históricos são preservados ou recuperados e como conseguem agregar elementos modernos aos prédios sem descaracterizar o patrimônio, é exemplar.

PR – Quais eram os objetivos iniciais da missão à Alemanha?
Vulmar - Os objetivos mais imediatos eram conhecer o círculo de máquinas alemão, que ajude a definir um modelo para os assentados e agricultores familiares do Rio Grande do Sul, visitar cooperativas, especialmente de leite, e ampliar possibilidades de intercâmbio técnico e cultural com a Alemanha.

PR – A mecanização é fator fundamental para viabilização dos assentamentos. Haverá um congresso para tratar do tema?
Vulmar – Sim, realizaremos um congresso internacional, em Porto Alegre, que contará com a vinda de 40 produtores da região de Odenwald, na Alemanha.

PR – E quando será o congresso?
Vulmar – Será em novembro.

PR – Existem novas parcerias com o Euro Institut?
Vulmar – Estamos ampliando as parcerias, esta viagem foi uma delas, e trabalharemos juntos também nesta questão da mecanização dos assentamentos e de intercâmbio técnico e cultural, especialmente devido à possibilidade de realização de cursos profissionalizantes, que visam a formação de técnicos na área do leite, para atuarem em indústrias de laticínios e queijarias. A única escola, nestes moldes, existente no país, fica em Minas Gerais.


PR – De que forma o governo alemão vai participar do curso técnico?
Vulmar – Segundo, Roland Schmidt, representante do ministério alemão na reunião que tivemos, a parceria deve iniciar com a profissionalização de professores na Alemanha e intercâmbio de informações, para que o nível do curso oferecido no Brasil tenha o mesmo perfil do instituto e seja referência para o país para a qualidade e excelência das indústrias do setor.

PR – Qual o público alvo do curso?
Vulmar – Aqueles que trabalham na área de laticínios, sejam interessados em queijos, sorvetes, iogurtes, manteiga, cremes, leite em pó, doce de leite, desde a área química e sanitária até a microbiologia. Na verdade trabalhamos com possibilidades desde o nível técnico até a realização de cursos MBA, através de tratativas com uma universidade de Triesdorf.

PR – E o cooperativismo?
Vulmar – Estivemos na Nordmilch, a maior cooperativa de laticínios da Alemanha. A União Européia produz anualmente 120 bilhões de litros de leite, e a Alemanha 28 bilhões. Das suas 120 indústrias de laticínios, aproximadamente, 2/3 são cooperativas e apenas 4 delas produzem mais de 1 milhão de litros por dia. A qualidade e higiene da produção, saltam aos olhos. Mas o custo ainda é elevado, o que nos anima em pensar em exportação.

PR – Faça um balanço da viagem.
Vulmar - Fomos pensando no círculo de máquinas, para implantar um sistema semelhante nos assentamentos, especialmente na Metade Sul. Há 25 mil pequenas propriedades com esta necessidade. Também tínhamos interesse nas cooperativas de leite, e em intercâmbios. Trocamos experiências e informações nos setores da economia primária, círculo de máquinas, meio ambiente e indústria de laticínios, vimos técnicas de manejo de gado, mecanização agrícola, pastagens, processos de ordenha e armazenagem de leite.

Tudo isto poderá ser visto por estudantes brasileiros, desde o nível técnico até a pós-graduação. Conseguimos atingir todos os nossos objetivos, e ainda trazer na bagagem uma possibilidade de parceria para o tratamento de resíduos. Quem já foi gestor de município, e haviam diversos prefeitos e ex-prefeitos na comitiva, sabe a importância do trabalho de reciclagem, que conhecemos em visita à empresa AWM, de Buchen. O presidente da empresa fará uma apresentação sobre o tema em Porto Alegre. Os setores de agricultura, pecuária e meio ambiente são tratados de forma integrada pelos alemães.

Por todos estes motivos, considero que a viagem foi de extrema importância e de total aproveitamento. Agora cabe a nós preparar o congresso, em novembro. A idéia é apresentar o modelo alemão e também experiências já realizadas no Estado em algumas cooperativas, inclusive em algumas regionais de assentamentos. Mas é preciso identificar as particularidades existentes para definirmos um modelo nosso, que se adapte às necessidades das propriedades gaúchas, pois isso é vital para o seu desenvolvimento. Além disso existem possibilidades de geração de emprego e aumento de renda através da implantação de círculos de máquinas. Todas estas questões serão discutidas no congresso, e queremos que todas as organizações envolvidas participem, sugiram, e criem, em conjunto, a alternativa mais adequada para o nosso Estado.









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