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Entrevistas

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Quarta-feira, 01 de junho de 2005 - 15h54m

Caio Rocha

Presidente da Emater/RS

Depois de ser presidente da Associação Riograndense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural - Emater/RS - na gestão do Governo do Estado de 1993-1998, o engenheiro agrônomo Caio Tibério Dornelles Rocha retornou ao cargo há dois anos e meio com novas ações para uma instituição que no dia 2 de junho completa meio século de atividades voltadas para promover os resultados econômicos e maior bem-estar aos agricultores familiares.




Há 50 anos nascia a Associação Sulina de Crédito e Assistência Rural (Ascar). Quase a metade desse tempo, o presidente Caio Rocha trabalha na Instituição, onde se orgulha em contar a trajetória de conquista da legitimidade junto à sociedade rio-grandense. O feito foi obtido em 2004, quando a Emater/RS-Ascar registrou a espetacular marca de realizar sete eventos por dia em algum dos 483 municípios onde mantém escritórios. “Esse meio século representa credibilidade, confiabilidade, reconhecimento da sociedade e parceira permanente com os agricultores familiares do Rio Grande do Sul”, resume Caio Rocha, nesta entrevista na qual revela os desafios da Instituição que se tornou referência nacional em extensão rural.



Página Rural - Como foi a história do Serviço de Extensão Rural ao longo desses 50 anos de vida?
Caio Rocha
– A criação da entidade teve a participação financeira do Ministério da Agricultura, do Escritório Técnico da Agricultura Brasil - Estados Unidos, com sede no Brasil, e da Secretaria da Agricultura, Indústria e Comércio do Estado. Os primeiros funcionários foram recrutados por meio de anúncios e contato com escolas e associações profissionais. Os recursos financeiros eram suficientes para a instalação de 11 unidades municipais, com sedes, material de administração e didático e automóvel. A seleção foi feita por uma equipe e, nos meses seguintes, foram inaugurados escritórios em São Sebastião do Caí, Canguçu, Estrela, Lajeado, Pelotas, São Lourenço do Sul, Bento Gonçalves, Taquara, Montenegro, Cachoeira do Sul e Santa Cruz do Sul. A assistência ao pequeno produtor, não mutuário de banco, com a finalidade de evitar a perda da estabilidade e deter o êxodo rural, foi a principal meta nos primeiros anos.

Na década de 70 até a metade dos anos 80, a transferência de tecnologias se tornou a marca da ação extensionista. O Governo Federal desenvolve uma política agrícola racional e competitiva e cria, em 1972, a Embrapa e, dois anos depois, a Embrater. A partir daí concretiza-se uma fase de transferência de tecnologias aos agricultores, seguida de expansão do crédito rural, do incentivo à produção de tratores e veículos de transporte, à eletrificação rural e à produção de fertilizantes e defensivos. Em 1977, foi constituída, então, a Emater/RS, que passa a atuar com a Ascar. Os problemas a serem enfrentados pela extensão rural já não eram de produção, mas de desemprego no campo, elevada inflação econômica no país e dívidas dos agricultores de todos os portes.


PR – Como é poder trabalhar em um instituição que está permanentemente ao lado dos agricultores familiares?
Caio Rocha
– É muito bom poder trabalhar em uma Instituição que conquistou o reconhecimento da população, por seu histórico de ajudar no desenvolvimento do Rio Grande do Sul. Estou na Emater/RS-Ascar há 24 anos. Nesse período, houve avanços consideráveis do mundo. O Brasil conseguiu se aproximar do título de maior celeiro do mundo, e a agricultura gaúcha exportou conhecimento e talentos para outros Estados, que igualmente avançaram a produção de grãos e carne. É uma época de conquistas, também obtidas graças ao trabalho que a agricultura familiar passou a desenvolver, agregando renda e se tornando mais respeitada ainda no cenário nacional, onde a sociedade passou a reconhecer a importância da agricultura para o desenvolvimento da nação.

Esse é o verdadeiro trabalho de filantropia exercido por uma Instituição séria, que conquistou a legitimidade de toda a sociedade rio-grandense, um reconhecimento que se busca há anos. Uma batalha na qual contamos com aliados dos mais valentes e abnegados: os agricultores familiares, quilombolas, indígenas, pescadores, gaúchos desamparados, que precisam contar com o trabalho que somente a extensão rural sabe contemplar. Um Serviço ancorado na Missão da Instituição: “Promover e desenvolver ações de Assistência Técnica e Extensão Rural, mediante processos educativos, em parceria com as famílias rurais e suas organizações, priorizando a agricultura familiar, visando ao desenvolvimento rural sustentável, através da melhoria da qualidade de vida, da segurança e soberania alimentar, da geração de emprego e renda e da preservação ambiental”.


PR – Quais as atividades desenvolvidas pelos extensionistas junto aos agricultores familiares?
Caio Rocha
– Inicialmente é importantíssimo considerar o fato de o Serviço de Extensão Rural ter se tornado o braço social do Governo do Estado. Uma condição alicerçada nos programas e nas ações que sempre têm em comum o objetivo maior da Emater/RS-Ascar, de propiciar renda e bem-estar aos agricultores familiares. Esse meio século representou credibilidade, confiabilidade, reconhecimento da sociedade e parceira permanente com os agricultores familiares do Rio Grande do Sul. Se fosse possível sintetizar o amplo processo de capilaridade de ações desempenhadas por uma só instituição, essa seria uma aproximação do grande trabalho desenvolvido há 50 anos pelo Serviço de Extensão Rural oficial do Rio Grande do Sul.

Estamos nos aproximando cada vez mais da comunidade, tanto a rural como a urbana, o que é reforçado por promovermos mais de 2 mil eventos por ano. Prestamos assistência técnica e extensão rural para 227 mil assistidos em 8.550 comunidades rurais do Estado. Exercemos uma das mais nobres tarefas que uma empresa pode ter: de incentivar os agricultores familiares a produzir seu próprio alimento e orientá-los a melhorar os resultados da lavoura e da pecuária. Queremos torná-los mais competitivos, e, para tanto, contamos com as políticas públicas do Governo Rigotto voltadas para a promoção do desenvolvimento do meio rural, o que nos atesta a conquistar o título de braço social do Governo do Estado no Campo.

O processo de trabalho desenvolvimento é numeroso, alicerçado numa estrutura invejável: além dos 482 escritórios municipais, a Instituição conta com 10 escritórios regionais, um escritório central, oito centros de capacitação, um laboratório, além de estar presente em 45 unidades de classificação e certificação, setor que levou a Instituição a conquistar o certificado ISO 9001-2000 de gestão, fazer supervisão internacional de produtos que para exportação. São ações ambientais, culturais e sociais, variadas com o propósito único de apoiar a qualidade de vida do público assistido.



PR – Quais os avanços que considera importante registrados durante sua gestão?
Caio Rocha
– Nesses 30 meses comandando a Emater/RS-Ascar, destaco a reconstituição da unidade de planejamento. Houve um processo de modernização. Foi dado o incentivo necessário para alavancar os centros de treinamento, que já formaram 6 mil alunos em 322 municípios. Na área da educação, a Instituição se orgulha em ter sido a pioneira em ministrar o ERI – Educação Rural a Distância, com aulas por meio de um processo informatizado.

Foi seguindo a determinação do governador Germano Rigotto, de promover uma aproximação com entidades e instituições para buscar o desenvolvimento do Estado, que a gestão de Caio Rocha selou parcerias das mais significativas, que deram nova roupagem à atuação. Estendemos as parcerias com as prefeituras, fortalecemos e qualificamos a nossa integração com os sindicatos de Fetag Trabalhadores Rurais, com a Federação dos Trabalhadores Rurais na Agricultura), com a Federacite (Federação dos Clubes para a Troca de Experiências), com os movimentos sociais, com instituições de pesquisa e com empresas, sempre buscando atender à demanda dos nossos assistidos.

PR – Quais os maiores desafios da instituição?
Caio Rocha
– Entre as prioridades elencadas pela atual diretoria está dar andamento ao trabalho desenvolvido com o carro-chefe da Instituição, que é a agricultura familiar. A promoção social é outra ação que recebe forte incentivo. O desenvolvimento social ganhou reforço incondicional do Governo do Estado ao incentivar o RS Rural, programa que somente em reformas de moradias contemplou mais de 4,5 mil assistidos, além de realizar mais de 270 quilômetros de rede de eletrificação rural. O incentivo à permanência da juventude rural no campo é outra das prioridades. A certificação e classificação de produtos é um dos grandes trunfos que temos, pois o mundo exige cada vez mais alimentos com qualidade, e estamos preparados para atender essa demanda.

Por fim, nosso trabalho está centrando esforços na profissionalização dos agricultores familiares. Queremos permitir que eles possam ser capacitados e se habilitar para acompanhar os avanços exigidos por esse consumidor. Para tanto, é preciso repassar conhecimentos e atualização, a fim de torná-los cada vez mais competitivos. Os desafios também dão seqüência às grandes contribuições que a Instituição forneceu à sociedade gaúcha, de promover o aumento da renda e o bem-estar de milhares e milhares de famílias de agricultores. A continuidade desse processo faz parte da trajetória a ser seguida, de permanecer fazendo extensão rural e assistência técnica, mas também fazer a promoção social e a classificação e certificação de produtos.









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