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Entrevistas

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Segunda-feira, 13 de março de 2006 - 15h45m

Alice Maria Barreto Prado Sampaio Ferreira

Presidente da Asssociação de Criadores de Nelore do Brasil

Nelorista e presidente da Asssociação de Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), Alice Maria Barreto Prado Sampaio Ferreira é bisneta de Bento de Abreu Sampaio Vidal, um dos fundadores da Sociedade Rural do Triângulo Mineiro, hoje Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ). Está na diretoria da ACNB há nove anos, tendo sido vice-presidente na última gestão. Em março de 2005, foi empossada como presidente da ACNB para o triênio 2005/2008, sendo a primeira mulher nos 50 anos de história da instituição a assumir a presidência da ACNB.


Alice é neta de famílias de fazendeiros: produtores de café, cana de açúcar e usineiros. Seu avô materno, Francisco Malta Cardoso, foi presidente da Sociedade Rural Brasileira e Secretário de Estado de Agricultura do Estado de São Paulo. Formada em administração Hospitalar, há mais de 30 anos atua em seus próprios negócios, nos setores de empreendimentos imobiliários e pecuária. Casada com o empresário Ronaldo Sampaio Ferreira é mãe de três filhos: Ronaldo, Renata e Roberto. Leia a seguir entrevista que ela concedeu à Página Rural.


Página Rural - Neste ano, uma escola de samba da cidade de São Paulo escolheu a raça Nelore como tema enredo para o seu desfile de Carnaval. E por sinal, ela foi a grande campeã. O que isso representa?
Alice Maria Barreto Prado Sampaio Ferreira
- O Carnaval é uma festa reconhecidamente popular e o Nelore é uma raça de grande distribuição pelo Brasil. São duas instituições nacionais que se uniram para registrar a evolução da presença do boi na economia e na história do país. Para nós foi motivo de muito orgulho e satisfação fundamentar o enredo da escola Império de Casa Verde, bicampeã do carnaval paulista. Junior Marques e toda a comunidade da Império estão de parabéns.


PR - A ACNB foi reponsável pela coordenação científica do I Congresso Internacional do Boi do Capim, que aconteceu na primeira de março de 2006, na Costa do Sauípe, na Bahia. Os objetivos foram alcançados?
Alice Ferreira
- Os problemas da pecuária são os nossos problemas. É impossível evoluir como atividade produtiva se quisermos empurrá-los no colo dos outros. Por isso, esse encontro serviu como ponto de partida para um novo “Pacto do Boi de Capim” e um divisor de águas para a pecuária brasileira e da América do Sul. A variada programação técnica e a presença marcante de autoridades, profissionais do setor e lideranças presentes ao Congresso é uma demonstração clara de que atingimos os objetivos.


PR - Em termos de ACNB, quais os projetos para este ano?
Alice Ferreira
- O criador Carlos Viacava fez duas gestões excepcionais que contribuíram sobremaneira para que tanto a raça Nelore, quanto a cadeia produtiva da carne bovina nacional tivessem muitas conquistas relevantes. Tive a felicidade de acompanhar e participar de muitas dessas iniciativas, principalmente durante a última gestão, quando ocupei o cargo de vice-presidente da entidade. Eu e a equipe da qual faço parte – entre diretores e técnicos da ACNB – temos como principal responsabilidade sedimentar o trabalho feito na última gestão.

A ACNB tem muito com o que contribuir, não só com a pecuária, mas com a sociedade e a economia nacional. A pecuária de corte é um segmento importante para o bom desempenho do nosso País e representar a raça bovina que é a base da cadeia produtiva da carne brasileira é uma responsabilidade significativa. Portanto, nosso trabalho tem como premissa desenvolver todas as atividades já estabelecidas em nosso Planejamento Estratégico e buscar novas oportunidades para que possamos alcanças as metas estabelecidas. Com isso, tenho certeza de que a toda a cadeia produtiva da carne bovina vai ganhar em muito, já que nossas iniciativas visam, principalmente, a união e a integração da cadeia.


PR - Do ponto de vista político, que ações o novo governo brasileiro, que será eleito este ano, precisa adotar para a maior valorização do setor?
Alice Ferreira
- A vontade política e pessoal começa aqui e agora. Esta é a hora. Não será preciso criar nenhum orgão novo, nenhum fundo financeiro emergencial, nenhum projeto especial. Basta que todos nós tenhamos a consciência de cumprir o dever que já é nosso. Precisamos enfrentar cara-a-cara cada problema. Nesse sentido, é preciso harmonia e agilidade para a tomada de decisão. Se o pecuarista tem responsabilidade, que reconheça e execute o dever de casa, praticando o exercício da visão global. Se as indústrias frigoríficas e a cadeia varejista têm responsabilidade, que se cobre essa responsabilidade até a última linha. E o governo? Que faça a sua parte sem tergiversar, sem escapismo.


PR - A ACNB desenvolve o Programa de Qualidade Nelore Natural (PQNN) desde agosto de 2001. Passados esses anos, como está o PQNN hoje?
Alice Ferreira
- A ACNB acaba de registrar uma nova conquista que deve ser comemorada por toda a cadeia produtiva da carne bovina. O Programa de Qualidade Nelore Natural, que visa levar a marca do pecuarista até o consumidor final e disponibilizar ao mercado uma carne de origem conhecida e qualidade controlada, alcançou no mês passado a impressionante marca de 1.501.182 de cabeças abatidas desde o seu início, em agosto de 2001. Com isso, 28.603,06 toneladas de carne Nelore Natural já foram disponibilizadas ao varejo, o que representa mais de 18 milhões de selos e dezenas de milhões de consumidores impactados com exposição da marca.


PR - Alcançar a marca de 1,5 milhão de cabeças abatidas pelo programa é um grande avanço. Qual o significado dessa conquista?
Alice Ferreira
- Essa vitória não é apenas da entidade, mas de toda a dinâmica rede de organizações que investiram na iniciativa, que envolve pecuaristas, frigoríficos, técnicos, pontos-de-venda e empresas parceiras, entre outros. Para se ter uma idéia do que é o PQNN, somente em 2005 foram abatidas 596.655 cabeças, o que representa 72,13% do total de cabeças abatidas até então (entre 08/2001 e 12/2004). Em janeiro de 2006, o PQNN bateu dois outros recordes: o de animais classificados/mês, com 28.824 cabeças, eo de cabeças abatidas/mês, de 77.357 cabeças. Veja estes números: de agosto de 2001 a dezembro de 2005, foram comercializadas 28.603,06 toneladas de carne Nelore Natural, das quais 9.718,88 toneladas somente em 2005. Impressionante o crescimento. Em um ano (2005), o PQNN comercializou o equivalente a 33,98% de todo o período de vendas da carne Nelore Natural (de agosto/2001 a dezembro/2005, ou seja 53 meses).


PR - Qual o espaço de crescimento para os próximos anos?
Alice Ferreira
- Sim. Temos previsão de quadruplicar o número de plantas frigoríficas de abate até 2007 e chegar ao volume de 5 toneladas/mês de carne Nelore Natural comercializada. Com certeza, temos um futuro extremamente promissor.









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