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Entrevistas

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Quinta-feira, 04 de maio de 2006 - 13h18m

Dante Emílio Ramenzoni

Proprietário do Projeto Guzerá Ramenzoni e presidente do Núcleo Sudeste Guzerá

Quase extinto entre as décadas de 20 e 40, o Guzerá deu a volta por cima e hoje é uma raça zebuína pura consagrada na produção de carne e leite. O principal agravante na época foi a estagnação do rebanho PO (Puro de Origem), devido ao freqüente fornecimento de genética para formação das raças sintéticas que surgiam e a insistência dos criadores em explorar somente a aptidão leiteira da raça. A consagração do Guzerá começou nos anos 90, a partir da seleção voltada às características de ganho de peso para a produção de carne.


Para saber mais sobre essa raça zebuína milenar, a Página Rural entrevistou o presidente do Núcleo Sudeste Guzerá, Dante Emílio Ramenzoni. Descendente de agricultores da região Norte da Itália, Dante é empresário do ramo de papel e proprietário do Projeto Guzerá Ramenzoni, com sede na Fazenda Alvorada, em Pirajuí/SP. O projeto reúne cerca de 1.600 bovinos Guzerá, com destaque para 120 vacas doadoras de embriões e reprodutores como o touro Apollo. Doses de sêmen do Apollo já foram exportadas para Venezuela Peru, África e Colômbia.

Página Rural - Senhor Dante, sabemos que o Guzerá quase desapareceu, mas hoje desponta como uma das grandes opções entre as raças produtoras de carne. O senhor tem algum número para evidenciar essa reação?
Dante Ramenzoni
- Tenho sim. De 1939 a 1994, foram feitos 188.559 registros gerais de nascimento (média de 3.428 por ano), segundo dados da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ). Já nos últimos 11 anos, de 1995 até 2005, esse montante praticamente triplicou, emplacando média/ano de 8.847 registros, totalizando 97.324 nascimentos. As vendas de sêmen também impulsionam o bom desempenho da raça Guzerá. De acordo com a Associação Brasileira de Inseminação Artificial (ASBIA), há uma década eram comercializadas pouco mais de 22 mil doses de sêmen/ano; em 2005, foram 100 mil doses. O mesmo aconteceu com os leilões, cujo faturamento multiplicou-se exponencialmente, saltando de apenas R$ 280 mil em 1996 para quase R$ 9 milhões em 2005.

PR - O que motivou essa retomada da raça Guzerá na pecuária?
Ramenzoni
- Esse fantástico crescimento do Guzerá é respaldado pelo intenso processo de seleção genética, especialmente voltado à produção de carne, e à ousadia dos criadores no investimento em apurados programas de melhoramento genético, apoiados por instituições de pesquisas. O Programa de Avaliação Genética da Raça Guzerá (PAGRG), coordenado pela Universidade de São Paulo (Ribeirão Preto, SP) e amparado pela Associação Nacional dos Criadores e Pesquisadores (ANCP), com o apoio da Associação dos Criadores de Guzerá do Brasil e do Núcleo Guzerá Sudeste, é o maior exemplo desse trabalho. A base genética desse programa, criado em 1999, conta com 21 propriedades de todo o Brasil, rebanho superior a 12 mil machos e cerca de 20 mil fêmeas. As avaliações de ganho de peso que muito fizeram falta no passado, somente no PAGRG, já somam 92 mil avaliações. Os reflexos são claros: aumento do número de criadores de Guzerá em todo o País e maior participação da raça em leilões e exposições.

PR - Qual a situação do mercado de Guzerá atualmente?
Ramenzoni
- Na contramão das dificuldades econômicas da pecuária brasileira, caracterizada por desvalorizações no preço da arroba do boi gordo e do bezerro, o Guzerá resiste com boas médias nas vendas de animais rústicos e elite. Sem dúvidas, o motivo está no custo/benefício positivo. Nos últimos anos, os touros rústicos registram média de R$ 3,5 mil e as fêmeas, R$ 5,5 mil. A seleção de animais de elite caminha no mesmo rumo. Um bom exemplo: o I Leilão Elite Guzerá Ramenzoni, realizado por minha propriedade no interior de São Paulo em fevereiro deste ano, comercializou matrizes Guzerá PO por médias superiores a R$ 30 mil, com destaque a uma fêmea vendida por R$ 84 mil. Assim como o Leilão Elite Guzerá Ramenzoni, outros remates vêm apresentando boas médias de preço.


PR - Quais os diferenciais da raça Guzerá?
Ramenzoni
- A dupla aptidão é um dos grandes diferenciais. As provas de desempenho produtivo, o aprimoramento genético e os programas de avaliação comprovam que a raça Guzerá causa indiscutível impacto econômico positivo em projetos pecuários porque sua dupla aptidão imprime produtividade, funcionalidade e rusticidade, mostrando toda a versatilidade desenvolvida em cinco mil anos de evolução, muitas vezes em condições inóspitas. No entanto, é na produção de carne que os maiores benefícios se sobressaem. O Guzerá é um bovino rústico, produtivo, moderno, funcional e imprime todas essas características às suas progênies. A raça Guzerá desponta como uma excelente opção para a pecuária de corte a custo baixo e criação 100% a pasto, além de ser uma raça que possui 20% a mais de precocidade e tempo de abate em comparação com outras raças zebuínas. O Guzerá é extremamente eficiente nos cruzamentos industriais profissionais, melhorando, principalmente, a precocidade e a rusticidade nos produtos gerados.

PR - Existe algum estudo de avaliação do potencial do Guzerá para a produção de carne de qualidade. E o Guzonel ?
Ramenzoni
- Existe. O Núcleo Guzerá Sudeste está promovendo diversos abates técnicos com a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e os resultados são bastante positivos. Esse trabalho é coordenado pelo zootecnista e doutor José Carlos Dias de Souza. Participamos também de provas de ganho de peso realizadas pelo instituto de zootecnia de Sertãozinho no Estado de São Paulo. O núcleo também participa de um programa de avaliação genética com a Universidade de São Paulo(USP), como citado anteriormente. Esses estudos buscam promover e desenvolver projetos de melhoramento genético da raça Guzerá. Quanto ao Guzonel, nós vamos realizar abates técnicos ainda neste ano para medir os ganhos zootécnicos na produção de carne. Há seis meses estamos trabalhando neste projeto. Entre os principais objetivos do Guzonel está a melhora da habilidade materna, resultando em animais mais pesados e produtivos.

PR - Qual o resultado dos abates técnicos?
Ramenzoni
- Os abates envolveram a avaliação de animais puros e cruzados, apresentando excelentes resultados. Toda essa profissionalização na criação do Guzerá pode ser medida pela terceira etapa do projeto, encerrada no início do ano, no qual avaliamos o Guzerá puro. Os machos puros super-precoces, com 14 meses de idade e peso médio de 16,3@, apresentaram ganho de peso diário de 1,2 kg e as carcaças quentes, peso médio de 244,4 kg. A espessura de cobertura de gordura também foi excelente: 7 mm, qualificando as carcaças na Cota Hilton, indicada para consumo nos mercados mais exigentes, como a Europa.

PR - Como presidente do Núcleo Guzerá Sudeste, o que é necessário para a maior valorização do Guzerá? Quais planos mercadológicos para 2006?
Ramenzoni
- A nossa meta é expandir o Guzerá brasileiro aos diferentes estados e também ao exterior. O sêmen do touro Apollo TE do DER, primeiro colocado no ranking de touros jovens da Associação dos Criadores de Guzerá do Brasil, por exemplo, foi comercializado para quase todos os estados brasileiros e está sendo exportado para ser utilizado no melhoramento genético de outros plantéis na África do Sul, Austrália e em alguns países da América Latina. O plano do núcleo é aumentar o número de associados, que hoje conta com 70 criadores, e continuar investindo no marketing da raça Guzerá. Nesse ponto, em relação ao nosso projeto de comunicação, pretendemos dar continuidade à parceria com a Texto Assessoria de Comunicações, assessoria de imprensa, e com a Duprat, agência de propaganda, para levar a público nossas mais recentes pesquisas.


Adilson Rodrigues









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