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Entrevistas

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Quarta-feira, 13 de setembro de 2006 - 07h59m

Rubens Elias Zogbi

Proprietário da Estância Carapuça e vice-presidente da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos

O empresário paulista Rubens Elias Zogbi, 51 anos, proprietário da Estância Carapuça, em Itararé, no interior de São Paulo, é um homem apaixonado pelos eqüinos da raça Crioula. É vice-presidente da Associação Brasileira de Cavalos Crioulos (ABCCC) e diretor de Exposições da nova diretoria da entidade, que será empossada em outubro deste ano. “Rubão”, como é conhecido no meio crioulista, não mede esforços, energia e dedicação para ajudar na promoção e expansão do cavalo crioulo no Brasil e no exterior.



Entusiasmado com a beleza, a função e a rusticidade da raça Crioula, “Rubão”, investe há duas décadas nas principais linhagens brasileiras chilenas, argentinas e uruguaias. Sua meta: formar animais de ponta para disputar as primeiras posições em mostras de morfologia, provas funcionais do Freio de Ouro e competições esportivas como rédeas, apartação e vaquejadas. Nessa entrevista concedida ao jornalista e zootecnista Luís Eduardo Bona, editor da Página Rural, ele recorda o início da criação na Estância Carapuça e fala da situação da raça no Brasil e do mercado para o cavalo crioulo.

Página Rural - Quando você iniciou a criação de cavalos da raça Crioula?
Rubens Elias Zogbi
- Antes de dar início à criação de cavalos crioulos trabalhei com três raças diferentes: as raças Árabe, Mangalarga e Quarto de Milha. Mas, em 1986, na Exposição Agropecuária de Bauru, interior de São Paulo, juntamente com Márcia, minha esposa, conheci o cavalo crioulo. Foi paixão à primeira vista. Gostei muito do animal, da raça e comprei o meu primeiro exemplar.

Naquele mesmo ano, fomos à Exposição de Campos do Jordão e lá adquiri mais dois animais. Vi que o cavalo crioulo reunia todas as qualidades que existiam nas outras três raças que eu já havia criado e que as três se unindo resultavam na raça Crioula. Meus primeiros animais eram da criação do crioulista Luís Martins Bastos, de Uruguaiana, no Rio Grande do Sul. E foi assim que começou a criação de da raça Crioula na Estância Carapuça, em Itararé, no interior de São Paulo.

Meses depois telefonei para a Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos, sediada em Pelotas, no Rio Grande do Sul, para pedir informações sobre criadores importantes da raça. Indicaram Dirceu Pons, de Bagé, e Flávio Bastos Tellechea, de Uruguaiana. Então, junto com a Márcia, peguei o carro e fui procurar esses dois criadores com o objetivo de adquirir algumas fêmeas para a formação de um plantel de ponta no Estado de São Paulo.

Inicialmente visitamos a Cabanha São Martin, em Bagé, onde adquirimos quatro éguas, entre elas uma tobiana chamada Orgulhosa de São Martim, filha do garanhão Itaí Tupambaé. A tobiana mais linda da raça Crioula. Mais tarde ela ganhou várias premiações e fez com que o animal tobiano fosse conhecido e querido por criadores tradicionais apesar da restrição com essa pelagem.

Em Uruguaiana fomos à Cabanha Paineiras. Lá adquiri o reprodutor BT Barulho e mais duas éguas. Anos depois o casal Lila e Flávio Bastos Tellechea me presenteou uma cobertura do reprodutor La Invernada Hornero, que era avô da égua Orgulhosa de São Martim. A partir daí começou a evolução da Carapuça. Hoje a estância tem quase quinhentos animais, sendo 180 éguas de cria. Atualmente também temos a Estância Carapuça 2, localizada no município de Cristal, no Rio Grande do Sul, onde são criados cavalos crioulos e bovinos da raça Angus.

PR - Qual a situação do cavalo crioulo no Estado de São Paulo?
Zogbi -
Quase todas as associações de raças eqüinas estão sediadas na cidade de São Paulo, no Parque da Água Branca. A raça Crioula é uma das exceções. O Estado de São Paulo já foi o segundo pólo de criação da raça. Depois houve uma redução nos criatórios mas hoje está voltando a ser muito forte, ficando atrás do RS, PR e SC. O Estado reúne 300 criadores e cerca de 2.600 animais registrados. O mercado para cavalos em São Paulo é excepcional pois o mais importante para os criadores não são valores comerciais. O que interessa aos paulistas é a qualidade e o desempenho do cavalo numa prova específica. Por exemplo, um animal que se destaca na prova de rédeas ou na prova de apartação torna-se muito valorizado e neste caso o preço é o que menos interessa. Com certeza, os resultados positivos do cavalo crioulo nas diferentes provas eqüestres hoje disputadas no Brasil garantem um futuro promissor para os cavalos da raça Crioula no Estado de São Paulo.

PR - Quais os projetos para o crescimento da raça Crioula no Estado de São Paulo?
Zogbi -
A Associação Paulista de Criadores de Cavalos Crioulos (APCCC) está realizando um trabalho importante para a expansão da raça. A Associação está abrindo novas praças no Estado, sendo que neste ano uma prova Classificatória ao Freio de Ouro 2006 foi disputada no município de Avaré. A APCCC também apóia criadores de outros estados como MG, RJ, GO, TO, DF, entre outros. Isso acontece por que muitos criadores paulistas possuem fazendas em outros regiões do Brasil.

PR – A realização de provas de rédeas cresce a cada ano. Uma das metas da ABCCC é ampliar a participação do cavalo crioulo nas competições esportivas. Houveram avanços nesse sentido?
Zogbi -
Sem dúvida que sim. No Rio Grande do Sul, os investimentos neste esporte, primeiramente dos criadores Ronald Bertagnoli e depois Robert Davis, revelaram que o cavalo crioulo pode, em poucos anos, atingir desempenho superior ao obtido por outras raças, que há décadas se dedicam às competições esportivas, como rédeas e apartação de boi. Hoje no RS existem provas de rédeas que reúnem mais animais que competições semelhantes realizadas em outros estados brasileiros. E os resultados alcançados pela raça Crioula vem demonstrando o potencial desse cavalo. Na provas que o crioulo entra em geral ele é vencedor. Prova disso que os melhores ginetes do Brasil e até do exterior estão querendo ter cavalos crioulos. Por exemplo, o Jango Salgado, que é o melhor ginete do Brasil só monta cavalo crioulo. Como ele, outros craques neste esporte estão escolhendo a raça Crioula.

O trabalho desenvolvido por Robert Davis está sendo muito importante para o avanço da raça Crioula nas provas de rédeas. O investimento dele merece aplausos. Os animais deste criador gaúcho estão conquistando premiações importantes no Brasil e também na Europa e nos Estados Unidos.

PR – Como está a Raça Crioula no Brasil? Que estados você destacaria?
Zogbi -
O crioulo hoje é o cavalo da moda e essa fama foi conquistada somente pela sua força e capacidade funcional, que foi construída ao longo de seus 500 anos de formação. É uma raça consistente,. E vem dando certo porque é vitoriosa. Em São Paulo, por exemplo, a raça Crioula ganhou todas as competições de provas de rédeas que disputou. Venceu o Potro do Futuro, Aberta e Tríplice Coroa.

A raça Crioula é criada em todos os cantos do Brasil. No Distrito Federal e no estado de Goiás ela vem apresentando um crescimento significativo. Neste ano, a Exposição de Brasília contou com a participação de 126 animais da raça Crioula.

Os goianos buscam o cavalo crioulo para o trabalho com o gado nas fazendas. A lida com o Nelore necessita de um cavalo funcional, forte e sem medo. E o cavalo crioulo é assim. Podemos até dizer que o cavalo crioulo e o gado Nelore são os animais mais rústicos nas fazendas brasileiras.

A criação no Espírito Santo cresceu muito e no Estado do Rio de Janeiro também. No Rio são realizadas três exposições: em Itaipava, Cordeiro e na cidade do Rio de Janeiro. Em Minas Gerais estamos cada vez mais presentes e participamos das três últimas edições da ExpoZebu, em Uberaba. A raça é criada em todos os estados da federação e a cada ano surgem novos criatórios no Centro-Oeste, Norte e Nordeste do país. Estamos pelo Brasil todo mostrando o nosso cavalo, que está no campo, comendo pasto. O crioulo é o cavalo das Américas e, sem dúvida, é o melhor cavalo que existe hoje.

PR – O que você recomenda aos novos criadores e núcleos que estão surgindo em diferentes pontos do Brasil?
Zogbi -
Para quem está começando na raça o ideal é contar com a orientação técnica de profissionais competentes e uma equipe de bons funcionários para tocar a criação. É fundamental que os núcleos promovam a união dos criadores para mostrar as qualidades da raça Crioula nas suas regiões. E a realização de exposições morfológicas e provas funcionais e o primeiro passo neste sentido. Com certeza, desta forma os novos núcleos irão tornar o cavalo crioulo cada vez mais conhecido e valorizado.











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