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Entrevistas

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Quinta-feira, 12 de julho de 2007 - 13h24m

João de Almeida Sampaio Filho

Secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo

João de Almeida Sampaio Filho, 41 anos, nasceu na capital paulista. Economista e produtor rural nos estados de São Paulo, Mato Grosso e Paraná, esteve à frente de diversas entidades ligadas ao agronegócio. Foi presidente da Associação dos Produtores de Borracha do Estado do Mato Grosso e vice-presidente da Associação Paulista do Setor. Ocupou também a presidência da Câmara Setorial Nacional de Borracha e da Comissão Nacional da Borracha da Confederação Nacional da Agricultura (CNA). Foi vice-presidente na Associação Comercial do Estado de São Paulo, conselheiro da Associação Brasileira do Agronegócio de Ribeirão Preto (Abag/RP).




Em 2002 ocupou a presidência da Sociedade Rural Brasileira (SRB), função que deixou para assumir a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo no início deste ano. Nesta entrevista ao portal Página Rural, o secretário João Sampaio analisa a situação do setor rural no Estado de São Paulo, o avanço da cultura da cana-de-açúcar e os principais projetos da sua pasta.

Página Rural - Prezado secretário, o senhor tem profundo conhecimento da economia do seu Estado. Qual é o potencial do agronegócio paulista?
João de Almeida Sampaio Filho
- Veja: o valor da produção agropecuária, ou seja, dentro da porteira, totalizou R$ 33 bilhões no ano passado. Isso representa um incremento de 7% na comparação com o ano anterior. O agronegócio paulista é responsável por um terço do agronegócio brasileiro e por 25% das vendas externas do setor. Em 2006, as exportações atingiram US$ 14,74 bilhões, deixando um saldo positivo de US$ 10,15 bilhões. O desempenho da balança comercial geral do Estado acabou sendo beneficiado, com um saldo de US$ 8,86 bilhões.

Então, com os trabalhos que têm sido realizados na área de defesa sanitária, os investimentos em pesquisas e capacitação, por exemplo, só podemos acreditar que São Paulo está no caminho certo para manter essa liderança.


PR - E o que se pode esperar do agronegócio paulista para os próximos anos?
João Sampaio
- Nosso agronegócio continuará a crescer, especialmente porque a agroindústria do Estado tem toda a capacidade de processar tanto o que é produzido internamente quanto o que vem de outras localidades. Os setores sucroalcooleiro, a citricultura e a cafeicultura têm grande potencial para impulsionar ainda mais as exportações.

A diversificação de culturas dentro de São Paulo é outro ponto forte, dando a todas as cadeias produtivas a chance de crescerem de forma equilibrada. A recuperação do setor de grãos no país é outro fator que pesa positivamente para o Estado de São Paulo, porque fortalece a indústria de máquinas e insumos. Tudo isso significa geração de emprego e renda, uma de nossas principais preocupações.

PR - A logística atrapalha o desempenho de São Paulo?
João Sampaio
- Pode-se dizer que nosso Estado é privilegiado em relação a outros, devido à qualidade das rodovias e do porto de Santos, por exemplo, mas ainda há muito a ampliar e melhorar, afinal, temos problemas que coincidem com os de outras partes do País. A boa notícia é que os passos já estão sendo dados. O governador José Serra estabeleceu parceria com o Banco Mundial para recuperar rodovias vicinais e já deu à Secretaria de Agricultura e Abastecimento o aval para começar os trabalhos, por meio da Companhia de Desenvolvimento Agrícola de São Paulo (Codasp), que vai recuperar estradas rurais, garantindo o escoamento da produção durante todo o ano.

PR – Com relação ao avanço da cultura da cana-de-açúcar, ela vai ocupar de vez o lugar da pecuária no seu Estado?
João Sampaio
- As duas atividades vão conviver pacífica e perfeitamente. O número de confinamentos tende a aumentar, o que já tem sido observado em muitas áreas do Estado, diminuindo a área hoje demandada pela criação de gado. Também temos como aliados a pecuária com alta tecnologia e o uso intenso da genética para aumento da produtividade e precocidade do abate. Nossos centros de pesquisa trabalham intensamente em pesquisas nesse sentido. A pecuária intensiva ficará com as áreas de “rebarba” da cana. O bagaço será aproveitado e variedades de cana forrageira serão desenvolvidas para a alimentação dos animais, tornando ainda mais rentável a conciliação entre as duas atividades.

Vale ressaltar que a cana ocupa apenas 20% da área agricultável do Estado e deve alcançar cerca de 6,5 milhões de hectares nos próximos cinco anos. Portanto, não há risco de termos uma monocultura. A diversificação continuará a ser marca do Estado de São Paulo. A própria estrutura fundiária, com pequenas e médias propriedades, freia a expansão da cana. Ela deve ser uma alternativa, que no momento é de alta rentabilidade, mas não deve ser a única aposta do produtor.

PR – Que análise o senhor faz sobre o desempenho da agricultura familiar em São Paulo?
João Sampaio
- Primeiramente gostaria de esclarecer que, em São Paulo, não fazemos diferenciação entre agricultura familiar – normalmente associada a uma atividade de pequena dimensão e abrangência, e agronegócio. Entendemos que o agronegócio familiar pode ser grande, com alta produtividade (e há vários exemplos disso), figurando como essencial na geração de renda de boa parcela da população. Aliás, temos como característica fundiária no Estado propriedades de médio porte, com até 70 hectares, portanto, formado por pequenos e médios proprietários. No Estado, a busca constante é pela agregação de valor aos produtos originários dessas propriedades, o que impulsiona toda a agropecuária paulista.

PR – Finalizando, quais os principais projetos da Secretaria de Agricultura neste momento?
João Sampaio
- Um Estado com as dimensões e as peculiaridades de São Paulo requer um trabalho que se desdobre em várias frentes. Uma delas, que está dentre nossas prioridades, está focada em defesa sanitária animal e vegetal. Buscamos o risco sanitário zero. Temos em fase de instalação um projeto de emissão de guias de trânsito animal por computador e outro que abrange a criação de corredores sanitários que interliguem São Paulo com os Estados de Mato Grosso do Sul, Paraná, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Em qualificação e gestão do conhecimento, atuamos em parceria com a iniciativa privada, colégios técnicos e universidades estaduais para dar aos nossos produtores mais competitividade. O Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap), que concede crédito rural para o pequeno produtor, terá suas linhas de financiamento ampliadas e melhoradas, alcançando também o médio produtor. O seguro rural e a sua subvenção também deverão passar por alterações, aumentando-se, com isso, o leque de atendimento.









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