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Entrevistas

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Segunda-feira, 13 de agosto de 2007 - 08h55m

Paulo de Castro Marques

Diretor da Casa Branca Agropastoril e vice-presidente da Associação Brasileira de Angus

Mineiro de Belo Horizonte, Paulo de Castro Marques é um empresário de dois mundos: o urbano e o rural. Participa da administração das indústrias farmacêuticas do Grupo Castro Marques, em São Paulo, e acompanha as atividades das fazendas da Casa Branca Agropastoril, no Sul de Minas Gerais e no Mato Grosso. Com certeza é um homem da cidade e do campo. De um lado medicamentos para a saúde humana e animal. De outro genética bovina constituída por gado, sêmen e embriões das raças Angus, Brahman e Simental. Mas no campo ele conta com o apoio de dois jovens diretores: Paulo e Fabiana, seus filhos.






Além de vice-presidente da Associação Brasileira de Angus, Paulo de Castro Marques é também um destacado criador de cavalos da raça Árabe. Nesta entrevista concedida ao jornalista e zooctenista Luís Eduardo Bona, editor da Página Rural, ele recorda as primeiras vivências rurais juntamente com o pai João Marques e fala da implantação, dos principais objetivos e sobre o desenvolvimento do Projeto Pecuário Casa Branca no ramo da pecuária de corte.




Página Rural - Como surgiu sua relação com a vida e os negócios do meio rural?
Paulo de Castro Marques
- Bem, meu pai, João Marques, nasceu e foi criado em uma pequena localidade do interior de Minas Gerais e foi para a cidade grande trabalhar e ganhar a vida. Mas sempre dizia que tinha vontade de voltar para o campo. Anos depois as condições permitiram e meu pai comprou uma fazenda em Uberlândia, na região do Triângulo Mineiro. Na época eu tinha 10 anos de idade e lá fiquei até os 14 anos. Tínhamos uma propriedade leiteira e todos os dias, ainda de madrugada, íamos para o curral acompanhar a ordenha das vacas e o manejo do gado de maneira geral. Esses momentos ficaram marcados na minha vida. Meu pai, que perdi em 2005, sempre gostou de colocar a gente na linha de frente, acompanhando de perto todas as atividades da fazenda.

Mudamos nossa residência para a cidade de São Paulo mas não perdemos o gosto pela vida no campo. Vinte anos depois, meu pai, meus dois irmãos e eu compramos uma fazenda no Sul de Minas, para novamente investir na pecuária de leite. Criávamos as raças Girolando e Holandês puro. Fiquei no comando dessa fazenda por quase 10 anos. Depois um dos meus irmãos assumiu a administração dos negócios da fazenda e eu passei a me dedicar à indústria química e farmacêutica da família, em São Paulo.


PR - E o Projeto Pecuário Casa Branca?
Paulo Marques
- Quando fui trabalhar em São Paulo, apenas acompanhava as exposições e feiras, principalmente as de cavalos, pois sempre gostei de lidar com cavalos. Foram aproximadamente quatro anos longe do campo. Tinha vontade de ter um lugar para descansar, passar o fim de semana com a família e amigos, então comprei uma área em Alfenas, no Sul de Minas Gerais.

Embora fosse uma propriedade pequena resolvi iniciar uma atividade de pecuária. Por coincidência nessa época reencontrei um amigo de longa data , o Dr. Carlos Antônio de Carvalho Fernandes, professor universitário da área de bovinocultura e pesquisador na área de reprodução animal. Juntos formamos uma central para fazer transferências de embriões e pesquisas.

Depois de leituras, estudos e conversas com Dr Carlos, percebi que apesar do Brasil ter um dos maiores rebanhos comerciais do mundo, composto principalmente de zebuínos, tinha grande produção, mas qualidade discutível e produtividade muito baixa.

A partir desta constatação, analisando detalhadamente o assunto com o meu filho, decidimos iniciar um trabalho diferenciado de seleção, com o objetivo de oferecer aos pecuaristas que trabalham com o cruzamento industrial, reprodutores de genética superior adaptados às nossas condições. E começamos a pesquisar quais as raças mais interessantes. Acabamos chegando nas três raças que trabalhamos hoje: Simental, Angus e Brahman. Assim surgiu o Projeto Casa Branca.

PR - Quais são os fundamentos do Projeto Pecuário Casa Branca?
Paulo Marques
- É um projeto de pesquisa e desenvolvimento voltado à pecuária de corte do Brasil. Tanto no que diz respeito à melhoria da qualidade da carne bovina como também às questões relacionadas com tecnologias avançadas de reprodução animal. Nosso objetivo é fornecer genética para aqueles que querem produzir carne de qualidade. Para isso fizemos parcerias com criadores do Brasil e do exterior, universidades e com centros de pesquisas que atuam no desenvolvimento de novas técnicas de FIV (fecundação in vitro), TE (transferência de embrião), bipartição de embriões e testes de ultra-sonografia para avaliação de carcaças.

Trabalhamos com três raças de corte, com características diferentes, mas que se inter-relacionam e nossa meta é aproveitar o que cada uma delas tem de melhor. Incorporamos as melhores linhagens para desenvolvermos esse projeto.
No caso da raça Angus, nosso plantel é produtos selecionados no Canadá, Estados Unidos, Argentina e nos melhores plantéis brasileiros. A seleção da Casa Branca procura animais com frame moderado e pouco pêlo para suportar as condições do Centro-Oeste.

Já no Simental temos o maior banco genético da linhagem sul-africana fora da África do Sul,. Temos como base 1.000 embriões importados. A linhagem sul-africana é uma genética de selecionada com extrema seriedade técnica e profissional, provada nas rígidas condições da África do Sul. E no caso dos zebuínos Brahman nossos produtos provêm de criatórios da Austrália e dos Estados Unidos.

Dentro desse contexto a Casa Branca trabalha com três touros que apresentam uma base genética diferenciada. O touro Pioneer, da raça Simental linhagem sul –africana; o touro Grand Prix, da raça Angus e o touro Mr. Beer POI 73, da raça Brahman.

Pioneer, que adquirimos no Canadá, foi o melhor reprodutor Simental em 2005 e produz filhos de altíssima qualidade. Tem dezenas de filhos campeões em pistas de julgamento e preços do top em leilões do Brasil. No ano passado, o volume de negócios gerados com a venda de genética (filhos, embriões e sêmen) desse animal já superava R$ 1 milhão.

O touro Red Angus Grand Prix, que trouxemos dos Estados Unidos, também. é animal excepcional. Ele foi tríplice coroado da raça Angus em 2003, tendo vencido o grande campeonato norte-americano da raça, na disputadíssima Exposição de Denver, Além disso, no Brasil, conquistou o grande campeonato na Exposição Nacional da Raça Angus.

Na raça Brahman, estamos trazendo para o Brasil a melhor e exclusiva genética Hudgins, dos Estados Unidos. Fizemos um acordo com os irmãos Bob e Bubba Hudgins e, em dois anos, traremos 500 embriões Brahman, coletados de suas melhores fêmeas, sem qualquer restrição. É o melhor Brahman do mundo à disposição da pecuária brasileira.

Concluindo, hoje a Casa Branca tem 11 reprodutores das três raças em seis diferentes centrais de inseminação artiifical do país.

PR - Onde estão localizadas as propriedades que compõe o Projeto Casa Branca?
Paulo Marques
- O Projeto Casa Branca conta com quatro fazendas para seleção, produção e avaliação genética das raças Angus, Simental linhagem sul-africana e Brahman. As propriedades estão localizadas nos municípios de Fama, Turvolândia e Careaçu, na região Sul de Minas Gerais, e uma em Cocalinho, no Mato Grosso. Elas funcionam em cadeia de forma que os animais da Casa Branca selecionados no Sul de Minas, sejam depois provados a campo, no Mato Grosso, onde a bovinocultura é mais intensa, extensiva e que reúne o maior rebanho do país. Neste ano levamos receptoras com embriões à fazenda de Cocalinho para que futuros reprodutores, nasçam e sejam criados nas condições daquele Estado.



PR - A formação de sólidas parcerias faz parte da sua filosofia de trabalho e das suas relações de negócios. A proposta comercial da Casa Branca oferece um serviço pós-venda?
Paulo Marques
- Sim. Além do critério rigoroso de seleção dos animais, desde o momento que eles nascem até a saída da fazenda onde são constantemente avaliados e descartados se apresentarem algum tipo de problema, temos um trabalho de pós-venda permanente. Sob a coordenação do responsável técnico da Casa Branca, o médico veterinário Leonardo Pinheiro Machado, dispomos de um serviço diferenciado de assistência. Nosso veterinário de campo visita as propriedades dos clientes e revisa os reprodutores comercializados pela Casa Branca, Se for detectada alguma anormalidade que não seja relacionada a condição incorreta de criação e manejo, o animal é substituído. Nos últimos meses nossa equipe esteve no Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Norte de Minas e São Paulo visitando fazendas, fotografando animais e procurando medir o desempenho dos touros e o nível de satisfação dos compradores.

O serviço pós-venda começa com um contato telefônico para saber como está a adaptação do animal às condições de criação e da propriedade. Quando o veterinário da Casa Branca chega à fazenda é feito um check-list completo. Ele conversa com o criador para obter informações sobre o comportamento do animal na última estação de monta. Enfim, todos os cuidados são tomados para que os reprodutores cumpram suas funções nas novas casas. O sucesso da Casa Branca depende do desempenho dos touros nas fazendas dos clientes, que consideramos nossos parceiros.


PR - A raça Brahman é o investimento mais recente da Casa Branca. Neste ano o senhor concretizou parceria com a família Hudgins, que cria Brahman, no Texas, nos Estados Unidos. O que representa esta parceria para a criação da raça no Brasil?
Paulo Marques
- Como disse acima, essa parceria é um fato inédito. Os Hudgins foram os formadores da raça Brahman. Tudo começou em 1920 quando eles começaram a cruzar animais Nelore, Gir, Guzerá e Krisma Valley. Em 1933, adquiriram o touro Manso, o reprodutor Brahman mais conhecido e um dos principais pilares na formação da raça. Manso era filho de um touro Guzerá brasileiro e ao longo de sua vida produziu dezenas de campeões de exposições norte-americanas.

Hoje a família Hudgins tem cinco fazendas, cada uma de um irmão, sendo que cada um deles tem seus critérios de seleção do Brahman. Fizemos parceria com os irmãos Bubba e Bob, os dois principais no melhoramento genético da raça. Eles abriram as fazendas para que pudéssemos escolher as melhores fêmeas, fazer os acasalamentos e trazer os embriões para o Brasil. Sem nenhuma restrição. Os embriões chegaram ao nosso país e já estão sendo implantados em vacas receptoras. Conseguimos fechar essa parceria porque eles vieram ao Brasil conhecer o trabalho que estamos iniciando com a raça Brahman e também o que desenvolvemos com as raças Simental e Angus. Sem dúvida, a partir dessa parceria os criadores têm a oportunidade de adquirir no Brasil genética de irmãs e irmãos inteiros de campeões americanos, situação que nenhum país do mundo tem. Vale destacar, que os Hudgins seguram muito a genética de seus plantéis. Agora chegamos numa etapa, nas três raças, que o trabalho da Casa Branca será voltado ao mercado interno e também o mercado externo. Neste ano, na Feicorte, realizada em São Paulo, fizemos contato com criadores de diversos paises e estabelecemos intenção de negocios com África do sul, Colômbia, Canadá para exportar sêmen e embriões das três raças.

PR - A cada ano o Brasil amplia sua presença no mercado mundial de carne bovina. De que forma a genética Angus pode contribuir para a melhoria da pecuária brasileira e incrementar o faturamento das exportações?
Paulo Marques
- Hoje o mercado da carne é uma commodity internacional e por isso é fundamental que a pecuária seja produtiva para garantir rentabilidade. E neste cenário, o Angus se destaca. Não existe raça que tenha a precocidade e a qualidade do Angus. O gado Angus puro ou cruzado produz em curto espaço de tempo uma carne de qualidade superior que nenhuma outra raça consegue. Hoje o Brasil é o maior exportador de carne do mundo, mas os preços da nossa carne bovina ainda são 30 a 40 % inferiores aos praticados nas exportações americanas, canadenses, australianas.

Com certeza a maior utilização de genética Angus nos rebanhos de cria do Brasil Central deverá contribuir para a valorização da carne brasileira no mercado internacional. Além disso a raça também apresenta um benefício muito importante do ponto de vista econômico. O pecuarista que trabalha com reprodutor Angus no cruzamento industrial produz um novilho de melhor qualidade e mais precoce. É 100% certo que ele antecipa, no mínimo, 6 a 10 meses, o tempo para enviar seus animais para o abate nos frigoríficos.


PR - A programação de leilões para o segundo semestre de 2007 já está definida. O que senhor destaca neste sentido?
Paulo Marques
- Participaremos como convidados em alguns leilões e também faremos nossos eventos comerciais.

Começamos o segundo semestre participando, no dia 14 de agosto, do Leilão Integração Simental, no Vila Noah Embratel, em São Paulo e no dia 19 de agosto, em Jaguariúna, no Estado de São Paulo, do 7º Leilão VPJ Angus.

No dia 19 de setembro realizaremos o 3º Leilão Virtual de Touros Simental Casa Branca Genética Sul-Africana, que será transmitido pelo Canal Rural. Serão ofertados 60 touros para essa temporada de monta. Irão à venda reprodutores prontos para o trabalho em condições de campo que apresentam alta genética. Também haverá uma oferta especial de fêmeas Simental sul-africanas.

No mês de outubro promoveremos, juntamente com os parceiros Brahman Beer e Brahman Querência, o 4º Leilão Brahman Baby. O evento acontece em Uberaba durante a Exposição Nacional de Brahman. Nesse leilão entrarão em pista fêmeas com até 24 meses de idade. A realização de outros leilões com parceiros também está prevista.









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