Bom dia!
18/10
 

Entrevistas

Voltar
Segunda-feira, 19 de novembro de 2007 - 20h42m

Reinhold Stephanes

Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - Mapa

O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil, 68 anos, nasceu em Porto União, município catarinense que faz divisa por meio de uma linha férrea com União da Vitória, cidade localizada no Estado do Paraná. Descendente de uma família de agricultores imigrantes alemães da região do Planalto Norte de Santa Catarina, formou-se em Economia pela Universidade Federal do Paraná.




Reinhold Stephanes foi, em duas oportunidades, ministro do Trabalho e Previdência Social e da Previdência e Assistência Social e assumiu seis mandatos como deputado federal. No Paraná, durante os anos 70, foi secretário Estadual de Agricultura. Também presidiu a Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural (Sober). A sua história no Mapa começou há mais de 35 anos. No fim dos anos 60 iniciou sua carreira profissional, justamente, na área agrícola, tendo ocupado diversos cargos diretivos no próprio Mapa. Nesta entrevista concedida ao jornalista e zootecnista Luís Eduardo Bona, editor da Página Rural, o ministro Reinhold Stephanes fala da safra 2008, da cana-de-açúcar, da soja e de outros temas do agronegócio brasileiro.

Página Rural - Ministro, se as previsões se confirmarem, em 2008, o Brasil deve colher mais uma safra recorde. Que ações serão necessárias para amenizar o impacto dessa produção nos preços agrícolas e, por conseguinte, no processo de reestruturação da renda dos produtores? Vale destacar que a situação de endividamento do produtor, os juros e a atual política cambial são fatores que prejudicam a recuperação do setor.
Reinhold Stephanes
– A Safra 2006/2007, de grãos, foi de 131,2 milhões de toneladas e a estimativa, de acordo com o primeiro levantamento de intenção de plantio da Companhia Nacional de Abastecimento - Conab, é registrarmos novo recorde em 2007/2008, com uma colheita entre 134,9 e 138,3 milhões de toneladas, ou seja, entre 2,6% e 5,2% maior que a da safra anterior. Os agricultores estão plantando mais, o mercado está bom e em conseqüência disso os preços também. Estamos preocupados com o clima já que as previsões indicam que este não será um ano chuvoso e observamos algumas manchas no mapa, que indicam a falta de chuva, de forma mais acentuada.

A política cambial evidentemente é fator que restringe a possibilidade de melhoria de renda. Quanto às dívidas, elas estão sendo objeto de grupo de estudo integrado por membros dos Ministérios da Fazenda, da Agricultura, de representação das cooperativas e de parlamentares representantes das comissões de Agricultura, da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Deveremos ter pronto um projeto de reestruturação até o final do ano. De qualquer forma, mesmo que haja safra recorde, o que é desejável, não acredito que venhamos a ter problema de mercado e preço.

PR - As plantações de soja e de cana-de-açúcar estão avançando de forma acelerada no Brasil. Que políticas vêm sendo implementadas pelo governo e pelo Ministério da Agricultura para compatibilizar crescimento econômico e preservação ambiental, ou seja, o desenvolvimento sustentável?
Stephanes
– Com a “moratória”, os agricultores de soja firmaram compromisso de não abrirem novas áreas para expansão dessa cultura. Todo processo deve se dar ou por aumento de produtividade ou por melhor aproveitamento das áreas já existentes e aí, principalmente, a ocupação de áreas de pastagens.

A cana-de-açúcar até aqui ocupa uma área relativamente pequena, menos de 2% da área agriculturável do Brasil e concentrada, principalmente em São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Paraná. A expansão está se dando fundamentalmente em cima de área de pastagem. A previsão, nos próximos sete anos, é de um acréscimo de três milhões de hectares. O governo está elaborando um zoneamento, que estará concluído em meados do próximo ano, para controlar e direcionar o crescimento.

PR - Em 1982 o senhor exerceu atividades no Mapa e agora o senhor retoma novamente a pasta agrícola. O que o motivou a aceitar ser ministro da Agricultura e quais as mudanças mais significativas do agronegócio brasileiro ao longo desses 25 anos?
Stephanes
- Trabalhei no Ministério da Agricultura no final da década de 60 e em meados da década de 70. Em 82, eu era secretário de Agricultura do estado do Paraná. O que me motivou: sou filho de agricultores, nasci na “enxada”, num estado essencialmente agrícola e tenho paixão por essa área. A oportunidade de retornar ao setor é muito gratificante. Agora, de lá para cá muita coisa mudou: a agricultura se modernizou; estrutura do Mapa melhorou muito, como também, aumentou a burocracia do setor público; nesse período, milhares de regras e normas foram estabelecidas, tornando o processo de decisão mais difícil.

PR - Os produtores do Centro-Oeste e Centro-Norte do Brasil enfrentam dificuldade na armazenagem e escoamento da safra. De que forma as dificuldades de infra-estrutura e logística podem ser resolvidas a curto e médio prazos?
Stephanes
- Na agenda do dia-a-dia do ministro, e de todos aqueles que têm responsabilidades com o setor agrícola, devem constar pelo menos os seguintes itens: defesa sanitária animal e vegetal; reestruturação das dívidas dos produtores; criação de um fundo de anti-catástrofe, através de um sistema de seguro contra os riscos do produtor e estruturar melhor os sistemas de fornecimento de defensivos e adubos, que minimizem os impactos dos cartéis que atuam nesse setor. Insere-se também como questão estratégica, a infra-estrutura e a logística, principalmente para o transporte de cabotagem, a melhoria dos portos e a infra-estrutura no Centro-Oeste. Essas são questões que vêm sendo estudadas, pelo governo e, no próximo ano, algumas dessas medidas deverão ser anunciadas.


PR - No mês de outubro o senhor participou de missão pela Europa divulgando e defendendo o agronegócio brasileiro. Que balanço o senhor fez dessa viagem?
Stephanes
– Os resultados são altamente favoráveis. Os aspectos mais detalhados, durante a viagem, foram os problemas de ecologia e a capacidade de produção, além da qualidade dos produtos brasileiros, bem como a bioenergia.

PR - Muitos técnicos e especialistas acreditam que a agroenergia é “a salvação da lavoura” do Brasil. Como o senhor vê o setor de agroenergia. O senhor acredita que vai ajudar no incremento de renda da nossa agricultura familiar e empresarial?
Stephanes
- Sem dúvida, hoje com o conhecimento mundial, a bioenergia gera nova demanda o que vai contribuir para melhorar os preços.


Crédito da foto: Marcello Casal Jr./Abr









Voltar






© Copyright 2018, Via Informação - Todos os direitos reservados
Proibida a cópia e reprodução total ou parcial sem a citação da fonte.
Site desenvolvido por Grandes Idéias

Skype: paginarural

E-mail: paginarural@paginarural.com.br

h t t p : / / w w w . p a g i n a r u r a l . c o m . b r