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Terça-feira, 23 de dezembro de 2008 - 11h48m

João Paulo Koslovski

Presidente da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná - Ocepar

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João Paulo Koslovski, presidente da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná - Ocepar

Foto: Divulgação



Natural de Curitiba, capital do Estado do Paraná, João Paulo Koslovski é engenheiro agrônomo, formado pela Universidade Federal do Paraná, em 1972. Iniciou suas atividades profissionais no ano de 1973, como extensionista da Emater-PR. Mais tarde, em 1976, foi contrato para atuar como diretor-executivo do Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), quando em 1996, foi eleito presidente da entidade, cargo que ocupa até a presente data.

Também preside no Estado o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop-PR) e a Federação e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná. É autor de várias publicações e artigos sobre Cooperativismo, Economia rural, Política Agrícola e Agronegócio.  

Nesta entrevista concedida ao jornalista e zootecnista Luís Eduardo Bona, editor do site Página Rural, que contou com a colaboração do Coordenador de Comunicação e Imprensa da Ocepar, Samuel Zanello Milléo Filho, o presidente Koslovski analisa o impacto da crise financeira mundial no agronegócio, destaca o desempenho das cooperativas paranaenses nas exportações agrícolas de 2008 e fala sobre a importância do Consórcio Nacional Cooperativo Agropecuário, criado em setembro deste ano. Os projetos desenvolvidos pela Ocepar voltados aos jovens agricultores também são abordados nesta entrevista.



Página Rural - A crise financeira mundial está influenciando diferentes setores da economia. De que forma o agronegócio brasileiro está sendo afetado e quais as perspectivas para 2009?
João Paulo Koslovski -
Cada vez mais nossa economia está globalizada, basta analisar os reflexos da crise financeira que atingiu os Estados Unidos e como rastilho de pólvora, se espalhou para todos os continentes. Aqui no Paraná, mais uma vez nossos produtores fizeram sua parte, investiram em tecnologia e plantaram a safra. 

Em algumas regiões do estado passamos por um longo período de estiagem e que provavelmente afetará a produção. Além desta questão da falta de chuvas em algumas localidades, também nos preocupa o escoamento da safra, comercialização e disponibilidade de recursos.

Por isso, neste momento é preciso ter a garantia destes recursos a disposição de produtores e cooperativas, evitando interrupção na produção de alimentos, o que geraria perda de renda e de emprego. 

A sinalização que o próprio governo vem dando, através de anúncios sistemáticos de aporte de recursos para o setor produtivo, significa a disposição de reverter os reflexos externos negativos. Apesar das medidas anunciadas, é preciso que as autoridades monitorem a efetiva aplicação dos recursos financeiros destinados à exportação, comercialização, capital de giro, custeio, entre outros. 

O que tem ocorrido é que os recursos não estão chegando na ponta para manter as empresas em plena atividade. Sabemos que qualquer desestímulo neste momento pode significar redução da atividade econômica com as conseqüências que todos já conhecem. A sustentação do dinamismo da economia do agronegócio trará benefícios a todos, com a manutenção dos empregos no campo e nas cidades. E é preciso lembrar que o setor agropecuário tem capacidade de responder rapidamente aos incentivos que recebe.



PR - No segmento do cooperativismo agropecuário, o Paraná é maior exportador do Brasil. Como está o desempenho em 2008 e qual sua expectativa para 2009?
Koslovski
 - As exportações das cooperativas paranaenses em 2008 deverão fechar o ano com 1 bilhão e 500 milhões de dólares, mesmo com toda a crise já instalada em muitos países importadores, como Estados Unidos, na Europa e na Ásia. Após três anos ocupando a 2º colocação no ranking nacional, as cooperativas do Paraná retomaram a dianteira das exportações das cooperativas brasileiras. Juntamente com o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, o Paraná foi o Estado que registrou o maior crescimento nas exportações de cooperativas. 

O crescimento das exportações das cooperativas paranaenses foi impulsionado pelo complexo soja, carnes e milho, produtos que, até meados de setembro, estavam com os preços aquecidos no mercado internacional. Isto propiciou uma demanda maior pelos produtos das cooperativas que, por sua vez, estão preparadas para atender a demanda de países importadores. Neste ano de 2008 o setor cooperativista realizou investimentos importantes em agroindústrias e também no processo de garantia de qualidade que as cooperativas do Estado possuem, inclusive, com a rastreabilidade e certificação de produtos para mercados específicos. 

As incertezas são muitas, mas acreditamos que o setor de alimentos será menos atingido pela crise econômica. Para 2009, o setor cooperativista projeta um crescimento menor, mas sem razões para pânico, pois o país e as cooperativas estão preparados para superar os desafios da turbulência econômica. A ordem é planejamento criterioso, cautela e redução de custos. Esse é momento em que é preciso ter tranqüilidade, fazer análises responsáveis e sérias, para que possamos evitar problemas maiores para os nossos cooperados. 

Os efeitos da recessão já começam a ser sentidos, principalmente em relação aos contratos de exportação, nos quais pode haver cancelamento. Sem dúvida a crise terá reflexos na economia brasileira, mas as cooperativas devem manter a serenidade e continuar produzindo com tranqüilidade, porque o nosso trabalho é permanente e as oscilações econômicas sempre irão ocorrer. Nos momento de apreensão e dificuldade, o cooperativismo age como amparo e suporte junto a seus milhares de cooperados. 



PR - Em setembro deste ano, na sede da Ocepar, dirigentes cooperativistas formalizaram a criação do Consórcio Nacional Cooperativo Agropecuário, o Coonagro. Por que foi criado o Coonagro, como irá funcionar e que benefícios a curto e médio prazo irá proporcionar para o sistema e para o produtor rural coooperado?
Koslovski -
Atendendo um desafio feito pelo Governo Federal, através do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes e com total apoio do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, no dia 26 de setembro de 2009, um grupo de 21 cooperativas agropecuárias do Estado do Paraná se reuniram na sede do Sistema Ocepar, em Curitiba, com a presença do ministro Stephanes e do secretário da Agricultura, Valter Bianchini e lideranças do cooperativismo, e constituíram o Coonagro (Consórcio Nacional Cooperativo Agropecuário) que atuará no setor de fertilizantes com o objetivo de reduzir os impactos do custo de produção do insumo. 

O consórcio vai coordenar e desenvolver métodos para aquisição, formulação, fabricação, industrialização, distribuição, comercialização e importação de insumos agrícolas, fertilizantes, defensivos, corretivos, entre outros produtos agropecuários. Sabemos que o custo dos fertilizantes é uma preocupação constante da agricultura e o Coonagro nasce com a missão de dar um equilíbrio a este setor. 

As 21 cooperativas que formam o Coonagro têm 60.500 cooperados e geram 27 mil empregos diretos. Juntas devem faturar em 2008 cerca de R$ 10 bilhões, ou 54% do total a ser movimentado pelas 80 cooperativas paranaenses do ramo agropecuário (R$ 19 bilhões). Uma das primeiras medidas práticas será fazer a mistura dos fertilizantes contratando a infra-estrutura de empresas que já têm fábrica e assim também reduzir custos. O consórcio vai coordenar e desenvolver métodos para aquisição, formulação, industrialização, distribuição, comercialização e importação de insumos agrícolas, fertilizantes, defensivos, corretivos, entre outros produtos agropecuários. 

É um momento importante para a história do cooperativismo do Paraná, que une forças numa ação que trará muitos benefícios para milhares de cooperados.



PR - A competitividade torna-se cada vem mais fundamental para a manutenção e conquista de novos mercados. O que o Sistema Ocepar vem fazendo para a capacitação dos recursos humanos que atuam nas empresas cooperativas.
Koslovski -
Devido a participação cada vez crescente das cooperativas no desenvolvimento econômico e social de nosso Estado, também é preocupação do sistema a boa gestão dos negócios cooperativos. Além de proporcionarem uma melhor geração de renda aos seus cooperados, também investem em treinamentos, qualificação e promoção social, através de eventos de lazer e cultura e isso impulsiona a melhoria da qualidade de vida. 

Através do Sescoop Paraná (Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo), foram investidos na educação e formação das pessoas em 2008, cerca de R$ 8 milhões, realização de 3 mil cursos e com a participação de 100 mil pessoas treinadas. Hoje o Sescoop Paraná é um importante instrumento de modernização empresarial das sociedades cooperativas, aumentando a agilidade e competitividade das cooperativas no mercado e contribuindo para a capacitação e integração social dos dirigentes, cooperados, jovens, colaboradores e familiares. 

Somente com boa gestão é que poderemos fazer com que a ameaça da crise, possa representar uma oportunidade para nossas cooperativas crescerem. Afinal, profissionalização e gestão segura são pontos fundamentais neste momento e com certeza isto as nossas cooperativas estão fazendo com muita competência.



PR - A Ocepar lançou em 2007 e repetiu neste ano, a campanha institucional de marketing, Cooperativas – Orgulho do Paraná. Este projeto contempla os jovens agricultores das cooperativas?
Koslovski -
Pelo segundo ano consecutivo, em parceria com as cooperativas paranaenses realizamos uma campanha institucional de marketing de valorização das cooperativas do Estado, denominada Cooperativas: Orgulho do Paraná. Uma campanha que mostrasse os inúmeros exemplos de produtos e serviços gerados pelas cooperativas e que estão presentes na vida dos paranaenses, além de fortalecer a marca “Cooperativas do Paraná”. 

Durante cinco meses do ano passado veiculamos filmes na TV, anúncios em jornais, e banners na internet. Neste ano voltamos à carga com uma nova campanha, com o mesmo slogan, só que além de TV e jornais, também veiculamos spot em emissoras de rádio e outdoor. A finalidade desta campanha é atingir a opinião pública para que conheça um pouco mais sobre o trabalho realizado pelas cooperativas nos mais diversos ramos ou segmentos.

Claro que como diz o próprio slogan, ela teve o objetivo de enaltecer o trabalho de centenas de pessoas que constroem o cooperativismo e que esta filosofia precisa ser cada vez mais disseminada. Nada melhor para isto do que os próprios jovens. 



PR - A cada dia muitos jovens saem do meio rural para viver nas cidades. Isso é uma realidade mundial. Que projetos a Ocepar está realizando e pretende realizar para manter o jovem no campo.
Koslovski -
O Sistema Ocepar, através do Sescoop Paraná e das próprias cooperativas tem apoiado iniciativa para a manutenção do jovem não só no campo, mas também que dê continuidade do trabalho de seus pais no cooperativismo. São várias as iniciativas para sucessão familiar, entre elas podemos destacar o Jovemcoop, que é o Encontro da Juventude Cooperativistas, que acontece anualmente no Paraná e reúne perto de mil jovens e adolescentes. Jovens Lideranças também é outra iniciativa realizada por diversas cooperativas com nosso apoio, Programa de Formação de Jovens Lideranças Cooperativistas em parceria com a OCB, entre outros. 

Não podemos deixar de mencionar o programa Cooperjovem, que é o ensino de cooperativismo para crianças do ensino fundamental. Desde que foi criado, o Cooperjovem já atendeu mais de 1,2 mil escolas, 9 mil professores e 279 mil alunos no Brasil.No Paraná participaram no Programa Cooperjovem 22.130 alunos, 887 educadores e 301 escolas, nos 7 anos de atividade. 

É importante preparar as futuras gerações para o cooperativismo, ensinando desde cedo os princípios e os valores essenciais do cooperativismo: cooperação, voluntariado, solidariedade, autonomia, responsabilidade, democracia, igualdade e eqüidade, honestidade e ajuda mútua. E o Cooperjovem, com o apoio das cooperativas parceiras, vem desempenhando muito bem este papel aqui no Paraná, ou seja, levar aos jovens a filosofia da cooperação para um mundo mais igualitário. 



PR - Estamos ingressando em um novo ano. Com certeza, dificuldades e novos desafios surgirão para os brasileiros. Qual é a sua mensagem para os produtores cooperados melhorarem sua qualidade de vida e prosperarem em sua propriedades rurais?
Koslovski -
Julgamos que o momento não é de desespero nem de antecipação de uma crise que pode não se concretizar do tamanho como alguns especialistas a descrevem. Em vez de ampliá-la de forma pessimista, devemos tomar atitudes visando reduzir seu efeito. Não é hora de frear. Talvez reduzir o ritmo para perceber melhor o que o mercado nos sinaliza. Protelar novos investimentos com vistas na expectativa do mercado consumidor. Não tomar créditos a custos elevados, evitando um indesejável passivo financeiro num momento de oscilação desfavorável do câmbio. 

Há investimentos estratégicos programados que precisam ser mantidos, como na modernização das rodovias, ferrovias, armazenagem e portos. Se aproveitarmos esse momento para recuperar a infra-estrutura, estaremos mais bem preparados para a retomada do crescimento da economia, reduzindo os efeitos da desaceleração econômica. Assim, transformaremos essas incertezas em uma oportunidade para reduzir custos e crescer.


Fonte: Página Rural








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