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Entrevistas

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Segunda-feira, 09 de março de 2009 - 22h36m

Antonio Chavaglia

Presidente da Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano - Comigo

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Antonio Chavaglia, presidente da Comigo

Foto: Divulgação



Produtor de soja e milho, natural de Aramina, interior do Estado de São Paulo, Antonio Chavaglia iniciou suas atividades cooperativistas em 1974, no Estado de Goiás. Em 1975, juntamente com um grupo de produtores rurais, fundou a Cooperativa Mista dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano Ltda (hoje com nova razão social), no município de Rio Verde. Reconhecido cooperativista (já foi o líder cooperativista mais votado do Brasil em 2003), preside além da Cooperativa Comigo, o sistema OCB/Sescoop-GO e o Sicoob Credi-Rural. Hoje a Comigo reúne 4.210 associados e conta com 12 unidades no Estado de Goiás.  

Nesta entrevista concedida ao site Página Rural, que contou com a colaboração do jornalista e assessor de comunicação, Bruno Kamogawa, o presidente Chavaglia fala sobre da história de 34 anos da cooperativa, faz um balanço de 2008 e destaca a realização da Tecnoshow Comigo 2009, em Rio Verde, que ocorre de 31 de março a 4 de abril.  



Página Rural - Senhor Chavaglia fale dos objetivos da cooperativa ao longo dos anos?
Antonio Chavaglia -
A Cooperativa, nestes 34 anos de existência, tem procurado melhorar a prestação de serviços para os associados, que é o nosso objetivo principal. Isto tem sido feito ao longo do tempo, inicialmente através da armazenagem, na comercialização e, em 1983, com o ingresso da Comigo no processo industrial da soja, com o esmagamento do grão e refino do óleo. Este fato possibilitou um maior desenvolvimento. 

Depois disso, foi possível fazer um investimento em uma nova indústria, aumentando a capacidade produtiva, assim como investimos também em uma fábrica de ração, misturador de adubo, laticínio, entre outros. Tudo isso é resultado dos esforços que a cooperativa emprega buscando equilibrar o que repassa para o cooperado em relação ao valor dos insumos agrícolas, assim como na aquisição de seus produtos e na transformação da matéria-prima em produtos industrializados, fato que agrega valor à produção, sendo benéfico a seus cooperados. 

Assim, este objetivo, que vem sendo respeitado ao longo dos anos, possibilita a cooperativa realizar investimentos em todos os sentidos, tanto na área industrial como na capacidade de armazenagem, secagem, recepção da safra de modo mais eficaz e na ampliação de seus negócios e zona de influência. 

Deste modo, com resultados positivos, temos condições para investir anualmente na melhoria de nossos produtos e serviços, como foi feito em 2008, com novas área de reflorestamento, co-geração de energia, novas lojas agropecuárias (em Montes Claros de Goiás, Iporá e Caiapônia) e novos armazéns e silos graneleiros em vários municípios.



PR - Como foi o ano de 2008 para a Cooperativa Comigo?
Chavaglia - O ano de 2008 foi um período considerado bom. Tivemos um crescimento expressivo na safra, no fornecimento de insumos, e isso fez com que a cooperativa aumentasse seu faturamento. Porém, registrou-se também um momento conturbado, reflexo da crise mundial, redução do consumo e desaceleração da economia de uma maneira geral. Este fenômeno afetou os negócios no fim do ano e isso repercutiu em vários setores, mesmo assim conseguimos um saldo positivo.



PR - E para 2009, quais as expectativas? Há projetos em vista?
Chavaglia -
Em 2009 nós temos priorizado a concretização de alguns projetos, como por exemplo, a finalização dos armazéns de Caiapônia, onde fizemos um investimento expressivo para a recepção de grãos. Ainda existem projetos para a construção de armazéns em outros locais, porém precisamos encontrar meios de contornar a questão fundamental que é a energia elétrica. 

Quando ao laticínio, existem projetos em estudo em relação à fábrica de leite em pó. Estamos analisando a possibilidade de fazer parcerias com centrais de cooperativas e toda a viabilidade em torno desta questão. É um assunto que requer muita análise, porque industrializar muitas vezes é fácil, o difícil é ter pontos de venda onde possamos ter resultados positivos para serem repassados ao cooperado. Este projeto deve ser desenvolvido com muita cautela, pois diversas empresas do setor, tradicionais e de renome encerraram suas atividades em 2008, fechando suas portas. 

Assim, temos que desenvolver um empreendimento que não desestruture outros setores da cooperativa e sim que venha a somar. Investir em leite implica em valores financeiros bem expressivos, por isso é necessário estudar detalhadamente o projeto, consultar bancos e observar parcerias, que são indispensáveis na busca do melhor caminho para a questão do leite. 



PR - Presidente, o cooperado é quem ganha com estes projetos da Comigo?
Chavaglia -
Sim, estes projetos a cooperativa os desenvolve com objetivo de atingir o produtor rural, especialmente em relação à prestação de serviços. Isso é o que nós temos feito sempre. Quando construímos armazéns, dinamizamos a secagem e a recepção de grãos em locais que sentimos a necessidade de ampliar tais atividades, estamos atendendo as reivindicações dos associados. Neste sentido, temos feito estas melhorias e demonstrado os resultados. Porém, ainda enfrentamos alguns obstáculos, especialmente em relação a deficiência no fornecimento de energia elétrica. 

Por esta razão, em determinados locais, possuímos somente transbordos de grãos pela falta de condições de instalarmos armazéns, o que gera transtornos e traz dificuldades para novos investimentos. Assim, a COMIGO já entrou em contato com o governo do Estado para discutir a melhor alternativa de sanar este problema e contribuir para o desenvolvimento das regiões. 



PR
- Quais são as perspectivas para a safra 2008/2009, especialmente em relação ao milho e a soja?
Chavaglia - Em 2009, para a nossa região (Sudoeste goiano), a perspectiva de produção até agora é boa. Tivemos a oportunidade de uma comercialização inicial considerável. Porém, o mercado mundial passa uma incerteza elevada, um decréscimo no consumo, países em deflação e decréscimo na produção de aves, suínos e bovinos. Por isso, ninguém tem condições de afirmar que 2009 irá fechar com saldo positivo. 

Até agora este primeiro semestre está sendo razoável, com os preços satisfatórios neste momento, mas daqui para frente teremos muitas dúvidas e suspeitas do que pode acontecer em relação ao consumo mundial de alimentos, a produção no Brasil e Argentina e demais fatores. Não sabemos ainda se a queda no consumo vai ser maior que a da produção ou vice-versa, o que vai influenciar diretamente os preços no mercado. Tudo isso é uma analise que depende de múltiplos acontecimentos no decorrer deste ano. 

Neste momento, toda cautela e prudência são muito importantes tanto dentro da cooperativa como para os associados. Estamos acompanhando todo este contexto na busca por alternativas de atravessar este momento da melhor maneira possível.



PR
A Cooperativa lançou o projeto “Prêmio Gestão Ambiental Rural Comigo”, em 2008, qual o objetivo dessa iniciativa?
Chavaglia - Nas últimas décadas, o produtor rural brasileiro foi mal informado e até indevidamente orientado para desmatar, fomentado por políticas governamentais errôneas com o objetivo de abrir regiões para a agricultura e pecuária. Com isso, não foram obedecidos critérios, nem repassado o conhecimento necessário ao agropecuarista em relação ao meio ambiente, como ele deveria fazer quanto as áreas de preservação permanente e reserva legal. 

Assim, lançamos o Prêmio Gestão Ambiental Rural COMIGO com o objetivo de promover a conscientização ambiental, o uso sustentável dos recursos naturais e a preservação do meio ambiente. Este evento pioneiro no cooperativismo busca, através de palestras e debates, demonstrar como a atual situação do meio ambiente nos impulsiona a fomentar diferentes alternativas de desenvolvimento sustentável no país. 

Desta forma, buscamos principalmente repassar conhecimento ao setor produtivo de que podemos desenvolver uma atividade sustentável e em equilíbrio com a natureza. Além disso, com as novas leis de proteção ambiental, o Prêmio vem como uma atividade preventiva contra multas e futuras penalidades extremamente onerosas.



PR
 A Tecnoshow Comigo 2009 vem aí, como estão os preparativos e expectativas?
Chavaglia -
As expectativas são ótimas, com muitas novidades tanto na área de novas cultivares, máquinas e implementos agrícolas, pecuária, fruticultura, circuito ambiental, palestras informativas, debates, dinâmicas de máquinas, dentre outros. Muitas empresas estão trazendo novidades, com expositores de segmentos variados. Assim, existe toda uma gama de inovações a ser demonstrada e vale a pena o produtor rural comparecer na Feira e conhecer tudo isso. 

Com isso ele se prepara para obter uma melhor produtividade utilizando-se destas informações. Estamos aguardando um grande público, a entrada é franca, e o produtor precisa de muita informação neste momento. É com trabalho que se combate os problemas e é com este pensamento que estamos organizando a Tecnoshow Comigo 2009.

Fonte: Página Rural








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