Boa tarde!
15/10
 

Entrevistas

Voltar
Sexta-feira, 10 de abril de 2009 - 09h53m

Carlos Magno Campos da Rocha

Presidente da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal - Emater-DF

Imagens

Carlos Magno Campos da Rocha, presidente da Emater-DF

Foto: Divulgação



Presidente da Emater-DF desde 2007, Carlos Magno Campos da Rocha possui graduação em engenharia agronômica, com concentração em zootecnia, pela Universidade Federal de Viçosa (MG) e mestrado em zootecnia pela University of Kentucky (EUA). Tem experiência na área de Zootecnia, com ênfase em Manejo de Pastagens Tropicais.

Em sua carreira profissional, ocupou posições de destaque. Foi secretário de Estado da Agricultura de Roraima,  presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), presidente da Sociedade Brasileira de Zootecnia e chefe do Centro de Pesquisa Agropecuária dos Cerrados (CPAC). Recentemente foi eleito diretor regional do Centro oeste da Associação Brasileira das Entidades Estaduais de Assistência Técnica e Extensão Rural (Asbraer) para o biênio 2009-2010. 

Nesta entrevista concedida ao site Página Rural, o presidente da Emater-DF destaca o potencial agrícola do Distrito Federal, as ações de extensão rural e assistência técnica da Emater para agricultores familiares e cooperativas e sobre a importância da realização da Agrobrasília para o desenvolvimento sustentável do Cerrado brasileiro. De forma aprofundada, Carlos Magno apresenta a diversidade da agropecuária do Planalto Central, região que a abriga Brasília, a Capital Federal do Brasil.    



Página Rural - O Distrito Federal apresenta as melhores médias nacionais nas lavouras de trigo, feijão e milho. Quais as razões para a região atingir essa produtividade e de que forma a Emater-DF vem contribuindo para isso?
Carlos Magno -
O Distrito Federal apresenta altas produtividades em razão do alto nível tecnológico adotado pelos produtores rurais. O Distrito Federal tem o privilégio de possuir no seu território os principais Centros de Pesquisa da Embrapa (em especial o do Cerrado, de Hortaliças e de Transferência de Tecnologia) geradores das tecnologias que tornaram o Cerrado brasileiro numa das maiores regiões produtoras de grãos do planeta, o que facilita o acesso às inovações tecnológicas. 

E também pela presença da Emater-DF, com 16 unidades locais e duas regionais (estrategicamente localizadas nas Embrapas Cerrados e Hortaliças), selecionando as principais tecnologias de produção e levando-as até o produtor, utilizando métodos adequados para que a adoção pudesse ser feita em menor prazo possível, como as melhores variedades e híbridos, a evolução do preparo do solo, que iniciou com grades aradoras, o arado de aivecas e por último o plantio direto na palha e a integração lavoura-pecuária. 

O acompanhamento da fertilidade do solo por meio da análise de solos permitiu a utilização correta dos fertilizantes, tanto dos macros como dos micronutrientes, o uso de terraços em nível para contenção das águas de chuva, a rotação de culturas nas áreas de cultivo, a organização do produtor em associações e da fundação de Cooperativas, dentre elas a Coopa-DF contribui para esse aumento da produtividade.

A Emater-DF estrategicamente distribuiu 18 unidades que permitem a qualquer produtor acesso as informações tecnológicas num raio máximo de 20 km, o que facilita sobremaneira a assistência técnica. A presença de sete Centros de Pesquisa da Embrapa tem sido um marco não só na geração de tecnologias, mas principalmente na parceria com as Universidades sediadas no Distrito Federal, como um pólo de formação de profissionais em Ciências Agrárias, com as presenças da UnB, Universidade Católica, UPIS, Faculdades da Terra e o Instituto Federal de Tecnologia. 

Fechando esta equação, o Distrito Federal teve à época, a clarividência de promover um Projeto de Reforma Agrária, dos mais bem sucedidos do país, com foco na produção agropecuária, que foi a criação do Projeto de Assentamento Dirigido do Distrito Federal (PAD-DF), que teve o privilégio de receber migrantes, que juntos aos produtores locais, criaram nessa região uma mentalidade altamente empreendedora e inovadora.



PR - A Emater-DF é co-realizadora da Agrobrasília. De que forma ela participa desse evento que se propõe ser uma grande vitrine do agronegócio no Planalto Central?
Magno - A presença da Emater-DF junto aos cooperados da Coopa-DF é uma constante e os trabalhos das duas instituições na região se confundem e se entrelaçam na busca de melhorias para o produtor rural. Para se ter ideia dessa parceria, a unidade local da Emater-DF no PAD-DF, está localizada na área física da Coopa-DF. A Emater-DF é uma das idealizadoras desse evento e a principal organizadora, junto com a Coopa-DF e a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Distrito Federal (Seapa-DF). 

Do ponto de vista da execução e realização do evento, a Emater-DF instalou vários campos de demonstração de tecnologias, nas áreas de agricultura, horticultura, pecuária, agricultura orgânica, piscicultura e criou espaços de comercialização da agricultura familiar e dos pequenos produtores, tanto de produtos agrícolas quanto de produtos não agrícolas. 

A Emater-DF, a partir deste ano passa também a ser uma importante anfitriã, recebendo, em parceria com a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores, missões estrangeiras, principalmente de países em desenvolvimento, com grande interesse nas tecnologias agropecuárias desenvolvidas e demonstradas na Agrobrasília. 

Essas tecnologias, se bem adaptadas a esses países, poderão suprir as necessidades de alimento que tanto sofrimento tem acometido esses povos, como a maioria dos países localizados no continente africano. 



PR - Qual a importância da Agrobrasília para o desenvolvimento do agronegócio do Distrito Federal e do Centro Oeste brasileiro?
Magno -
O Distrito Federal tem o menor território em relação às demais Unidades da Federação, mas é uma área altamente representativa do ecossistema sob vegetação de Cerrado, o que confere a este espaço e aos seus ocupantes uma enorme responsabilidade. 

Por ser o centro das decisões do País e concentrar em Brasília os três poderes da Federação, um evento como a Agrobrasília  facilita o acesso das autoridades do Executivo, Legislativo e Judiciário ao mundo da produção agropecuária, nos âmbitos Federal e Regional, considerando aqui o Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins, e isso facilita a sensibilização não só das autoridades, como também dos formadores de opinião, para a realidade da nossa agropecuária e a possibilidade de se criarem políticas públicas direcionadas para a solução de problemas. 

Pela proximidade dos Centros de Pesquisa da Embrapa e de várias Universidades de Ciências Agrárias, fica fácil entender o envolvimento das maiores autoridades da pesquisa agropecuária, contribuindo com tecnologias apropriadas, realização de palestras, seminários e uma grande interação com o público frequentador de uma exposição como esta. Estes aspectos estabelecem uma oportunidade ímpar de demonstração das tecnologias de ponta, tanto na área de produção, quanto de máquinas, equipamentos, insumos, desde a última geração de sementes até técnicas de agricultura de precisão. 

Não haverá nenhuma surpresa se a Agrobrasília, em pouco tempo tornar-se uma vitrine agropecuária para os cerrados brasileiros e se firmar como um dos maiores Centros de Negócios, tanto para a agricultura empresarial, quanto para a agricultura familiar, pois 80% das propriedades agrícolas do Distrito Federal possuem menos de 20 hectares. 

Estes negócios têm sido apoiados desde o primeiro momento pelo Banco do Brasil e pelo Banco Regional de Brasília, com linhas de crédito atraentes para os produtores rurais. Além disso, a cidade de Brasília possui excelente infraestrutura em termos de transporte, comunicação, hotelaria, entre outros, o que faz a Agrobrasília se destacar em relação às feiras agrícolas tecnológicas do país. 



PR - Que tecnologias/novidades a Emater-DF leva para a Agrobrasília?
Magno - A Emater-DF num primeiro momento coloca à disposição do público da Agrobrasília um dos modelos mais eficientes de assistência técnica e extensão rural do país, instalando no recinto da Exposição, campos de demonstração de tecnologias, como o cultivo protegido de hortaliças, que exige grande especialização do produtor e permite altas produtividades, com excelente qualidade dos produtos. Associado ao cultivo protegido, a demonstração de sistemas de irrigação por gotejamento, com elevado nível de economia de água e energia, aumentando a produtividade e diminuindo simultaneamente o custo de produção. 

Também estarão contempladas tecnologias que permitem a diversificação de cultivos nas propriedades agrícolas, como a produção de maxixe consorciado com pimenta doce (ou verde) e a associação com algumas fruteiras, como cítricos e bananas. Nesta mesma linha serão demonstradas as tecnologias que permitem a integração lavoura-pecuária e a transição da agricultura convencional para a agroecologia, inclusive com a possibilidade da formação de agroflorestas para exploração econômica e aumento de renda na propriedade. Também serão contempladas atividades de comercialização de produtos não agrícolas, promovendo as pequenas agroindústrias e os produtos de artesanato. 

A Emater-DF tem dado muita ênfase aos processos de organização dos produtores e à sua relação com o mundo dos negócios. Fará demonstrações do aplicativo “Ruralpro”, disponível na página da Emater-DF (www.emater.df.gov.br) que ajuda o produtor a fazer a contabilidade da propriedade agrícola e o acompanhamento da produção, tanto animal quanto agrícola, facilitando o gerenciamento e estabelecendo procedimentos claros e inequívocos para as tomadas de decisão, como: o que plantar, quando plantar e quanto plantar em determinado cultivo. 

Também serão demonstradas tecnologias que visam ao aumento da produtividade e da qualidade do leite. Outra tecnologia a ser demonstrada está relacionada à produção de flores, incluindo as tropicais. 



PR - O cultivo de pimentão é destaque no DF. Que projetos vêm sendo realizados pela Emater-DF para agregar renda às famílias rurais que atuam nessa atividade e para os demais agricultores familiares?
Magno -
Como mencionado na resposta anterior, o pimentão é um excelente exemplo da atuação da Emater-DF, na transferência de tecnologias de ponta para facilitar o trabalho do produtor e favorecer a agregação de renda às famílias rurais. 
 
O cultivo protegido – por meio de estufas, telado e “mulching”, tecnologias essas que foram associadas ao uso da irrigação localizada, variedades e híbridos de alto potencial de produção, adubações equilibradas (macros e micronutrientes), controle integrado de pragas – teve uma grande adoção por parte dos produtores de pimentão. É fácil entender que o cultivo protegido propicia uma diminuição no ataque de pragas e doenças e permite ao produtor programar sua safra para que a colheita coincida com os períodos de maiores patamares de preços. 

Foi também com esse grupo de produtores que a Emater-DF realizou um trabalho exemplar de organização da base produtiva, iniciando com a formação de grupos informais para a compra conjunta de insumos e comercialização conjunta da produção, o que culminou na fundação da Cooperativa Agrícola de Taquara (Cootaquara), que ainda hoje tem sido uma grande parceira da Emater-DF, sendo contemplada com o projeto Gerenciamento Orientado à Resultados (Geor), em parceria também com o Sebrae-DF. O Projeto tem como objetivo principal estabelecer procedimentos de gestão, não só do ponto de vista administrativo da Cooperativa, como também dos custos de produção e o estabelecimento do preço de venda dos produtos comercializados pela Cooperativa. 

Com essas parcerias, o produtor de pimentão passou a comercializar e a distribuir seu produto, de várias formas, embalado em bandejas apropriadas, em diversos tamanhos e com coloração variada dos frutos, atingindo mercados diferenciados, com consequente agregação de valor. Também tem permitido ao produtor diversificar sua produção, aumentando o portfólio de produtos, diminuindo seus riscos e aumentando sua renda. 



PR - O cultivo de morango sem uso de defensivos é uma realidade em várias regiões do Brasil e também no DF. A Emater-DF está incentivando a produção orgânica? Que culturas estão sendo contempladas?
Magno -
No Distrito Federal a cultura do morango tem uma expressão socioeconômica bastante relevante, cujos indicadores demonstram uma área plantada de 137 hectares e uma produção total de 4.632 toneladas, gerando 1.644 postos diretos de trabalho. Com esse desempenho, o Distrito Federal vem se destacando na produção de morango na Região Centro-Oeste.
 
Numa parceria entre a Emater-DF, a Embrapa Hortaliças, a Associação de Produtores de Morango, o Sebrae-DF, o MDA e o MCT iniciou-se, no ano passado, o desenvolvimento de um Arranjo Produtivo Local (APL) para o morango, associado às boas práticas de produção e de processamento. Está sendo instalado um galpão pós-colheita (“packing house”), com câmara refrigerada para o manuseio e armazenamento adequados do morango, logo após a colheita. 

No APL do morango, antecipa-se parte da produção pelo sistema convencional, parte da produção num processo de transição do convencional para o orgânico e parte no processo de produção orgânica. 

O mais importante disso tudo é que todos os produtores envolvidos estão sendo capacitados nos conceitos de boas práticas, com respeito incondicional ao período de carência dos produtos aplicados, com a possibilidade de entrarem no Programa de Produção Integrada, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, ou nos programas de certificação independente, com vistas a conseguirem os certificados de produção, que garantam a qualidade do produto, dentro dos conceitos do alimento seguro. Este mesmo esforço já rendeu outros produtos orgânicos, como leite, café, milho verde, mandioca, várias hortaliças de folha (alface, couve, almeirão, acelga, salsinha, coentro), cenoura, beterraba e outros. 



PR - E os projetos voltados ao meio ambiente? O que o senhor destacaria?

Magno - A preocupação com a utilização de tecnologias de menor impacto no meio ambiente tem sido uma constante e um grande desafio. A própria utilização dos conceitos de boas práticas de produção e boas práticas de fabricação já contemplam grandes benefícios ao meio ambiente, por meio da utilização de água de boa qualidade, o que significa o controle das fontes de poluição, o rígido controle de aplicação de fertilizantes e defensivos, em quantidades menores e nos momentos adequados, mitigando a possibilidade de contaminação do lençol freático e dos leitos dos rios. No caso de defensivos, promoveu-se o uso dos conceitos de manejo integrado e ecológico de pragas e doenças. 

A Emater-DF incluiu nos seus programas prioritários o Programa de Gestão do Meio Ambiente e Agroecologia, sendo o de Agroecologia estruturado em duas vertentes: a primeira, o Projeto de Desenvolvimento da Agroecologia e, a segunda, o Projeto de Transição da Agricultura Convencional para a Agroecologia. O Programa de Gestão do Meio Ambiente e Agroecologia tem trabalhado no restabelecimento de matas ciliares, matas de galerias e principalmente as reservas legais, introduzindo o conceito de Agrofloresta, como fonte de renda para o produtor rural, tecnologia que também será demonstrada ao agricultor familiar durante o Agrobrasília. 

No enfoque de Gestão do Meio Ambiente, a Emater-DF, em parceria com a Fundação Banco do Brasil, a Embaixada do Japão e a Ecoideias, está implantando o Projeto de Saneamento Básico na área rural, instalando a tecnologia de fossas sépticas, desenvolvida pela Embrapa Instrumentação Agropecuária. 

Destaque também deve ser dado aos Projetos Produtor de Água, desenvolvido para a Sub-Bacia do Rio Pipiripau, como projeto piloto em parceria com a Agência Nacional de Águas, Agência Reguladora de Águas e Saneamento do Distrito Federal, Instituto Brasília Ambiental (IBRAM), Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (CAESB), “The Nature Conservancy”, “World Wild Foundation” e ao Projeto Cultivando Água Boa, na Sub-Bacia do Rio Descoberto (Lago do Descoberto), como projeto piloto em parceria com o MCT, IBRAM, CAESB e APA do Descoberto, que trabalham conceitos conservacionistas, tanto de solo quanto de vegetação e da água, e introduzindo o conceito mais atual de políticas públicas para remunerar o produtor rural por serviços ambientais prestados à comunidade. 

Em outra vertente, um pouco mais pontual e específica, a Emater-DF tem trabalhado o Projeto de Adequação de Propriedades Agrícolas para a exploração da suinocultura, para o manejo e o aproveitamento dos dejetos de suínos e consequentemente a mitigação do dano ao meio ambiente. 



PR - No caso da pecuária, qual a situação da pecuária de leite, suinocultura, avicultura e dos pequenos animais no DF? Quais atividades da Emater para esses segmentos?

Magno - Assim como o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o Governo do Distrito Federal e a Emater-DF têm a pecuária de leite como um dos programas prioritários e estratégicos para o Distrito Federal. Como parte do Programa de Desenvolvimento Sustentável da Pecuária Leiteira, o Governo do Distrito Federal lançou o Programa Mais Vida, como política pública para aquisição do leite produzido por pequenos produtores do DF, programa esse coordenado pela Seapa-DF. 

O Programa contempla linhas de crédito com juros subsidiados para a compra de matrizes leiteiras, reforma de pastagens e introdução de tecnologias no sistema produtivo, promovendo principalmente a melhor qualidade do leite a ser adquirido pelo Programa. A Emater-DF coordena ações na formação de grupos informais de produtores para a instalação de tanques comunitários de resfriamento do leite cru. Juntamente com a Cooperativa de São Sebastião (Copas) e a Associação dos Produtores e Processadores de Leite (Aproleite), a Emater-DF está definindo a localização estratégica dos tanques comunitários que serão instalados, em parceria com o MAPA e o MCT, o Sebrae-DF e a Federação da Agricultura do Distrito Federal (Fape-DF). 

O Programa de Desenvolvimento da Pecuária Leiteira é bastante amplo e contempla parceria com a Embrapa Cerrados – por meio do Centro de Transferência de Tecnologia de Raças Zebuínas Leiteiras (CTZL) – e a Embrapa Gado de Leite para a capacitação dos extensionistas e dos produtores de leite, nas tecnologias de manejo e produção de leite, com matrizes das raças zebuínas e com a introdução dos conceitos do Programa do Alimento Seguro (PAS Leite). Contempla também uma parceria com a UnB e o Sebrae-DF, com uso do Diagnóstico do Perfil da Pecuária de Leite do Distrito Federal, realizado pela UnB, que passará a ser o instrumento básico para propostas de interferência para a melhoria da cadeia produtiva da pecuária leiteira do DF. Este Programa já permitiu que a Emater-DF, em parceria com a Fape-DF, a Aproleite e a Copas, pudesse constituir e formalizar a Câmara Setorial do Leite do Distrito Federal. 

A Emater-DF busca manter a atualização e a capacitação do seu quadro de técnicos, para que possam atender às incessantes demandas dos seus clientes e parceiros, para que a assistência técnica seja feita de forma a considerar as tecnologias de ponta, com os conceitos de sustentabilidade econômica, social e ambiental. Assim tem sido na parceria com o MDA e a Fape-DF, no desenvolvimento da apicultura e da meliponicultura, com uma ênfase não só na produção do mel, mas principalmente atuando na fase pós-colheita, ou seja, do produtor ao consumidor. 

No caso da avicultura, o foco principal da Emater-DF tem sido na produção de aves caipiras, tanto para carne quanto para ovos, como fonte de renda e segurança alimentar para os pequenos produtores, principalmente os assentados da reforma agrária. Na avicultura empresarial, o modelo de exploração adotado já prevê que a própria indústria ofereça assistência técnica ao produtor. 

Em relação aos demais pequenos animais, a Emater-DF tem dado assistência a produtores de caprinos e ovinos – tanto de carne quanto de leite – suínos, com destaque para a suinocultura com a exploração de “raças nacionais”, de maior rusticidade e adaptação e que não exigem instalações sofisticadas. E, por último, mas não menos importante, a Emater-DF tem trabalhado com a piscicultura, com destaque para os projetos de pequenos tanques de produção como fonte de proteína para a família e a possibilidade de comercialização do excedente e o projeto de repovoamento dos rios com espécies autóctones. 



PR - As Centrais de Abastecimento do Distrito Federal (Ceasa) têm um movimento de produtos alimentícios significativos. A produção de hortigranjeiros do DF é representativa no volume comercializado? O que vem sendo feito para aumentar essa participação?
Magno -
Hoje o Distrito Federal é auto-suficiente na maioria das olerícolas consumidas pela população, na época de sua fundação era totalmente dependente. São produzidos aproximadamente 170.000.000 kg/ano em uma área de 6.900 ha. A maior dependência encontra-se na comercialização de frutas já que o consumo é superior à produção. Nas CEASA-DF, são comercializados por volta de 300.000.000 kg/ano de produção local e de outros estados. 

É importante salientar que a comercialização de hortaliças (que são produtos perecíveis) é muito dinâmica e existem momentos em que os produtos produzidos no DF são comercializados em outras regiões (a exemplo do pimentão, cenoura, tomate etc.) e os produtos de outras regiões são comercializados no DF, o que é uma questão puramente comercial de busca de oportunidades de melhor remuneração. Em março de 2009, foram comercializadas (produtos do DF e outros estados): 1.055.482 kg de hortaliças-folha, flor e haste; 4.803.261 kg de hortaliças-fruto; 6.463.851 kg de hortaliças-raiz, tubérculos, bulbo, rizoma; 11.522.197 kg de frutas nacionais; 664.650 kg de frutas importadas, num total de 25.479.926 kg.
 
Como forma de aumentar a participação da produção local, a Emater-DF realizou com as Ceasa-DF um trabalho de recadastramento dos usuários da “Pedra” (área para comercialização direta do produtor), a fim de buscar a melhoria na comercialização, resgatar o espaço para os pequenos produtores e atender com mais eficiência o consumidor, ampliando assim a participação da produção local no abastecimento da população. 



PR - Os associados da Coopa-DF têm expressiva presença na produção de grãos do DF. O que a Emater-DF vem fazendo para apoiar o crescimento dessa cooperativa?
Magno -
A Emater-DF realiza o acompanhamento técnico das lavouras dos associados e fornece aos agricultores informações sobre tendência de mercado, haja vista que o escritório local da Emater-DF da região tem sua base física dentro da área da Coopa-DF, a fim de facilitar o acesso à assistência pelo produtor. A Emater-DF participa na promoção e na organização de eventos de tecnologia agropecuária (como a Agrobrasília, o que fortalece muito a interação entre as duas instituições. 



PR - A Emater-DF participa de um convênio que visa à transferência de conhecimento em extensão rural e assistência técnica para os países africanos. Como será desenvolvido este trabalho?
Magno -
A Emater-DF tem participado de várias missões de cooperação técnica para o segmento agrícola, coordenadas pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores, em países com problemas de insegurança alimentar, entre eles: Haiti, Senegal, Angola, Serra Leoa e Libéria. 

Além dessas visitas in loco, a Emater-DF recebeu nos últimos 24 meses cerca de 20 missões estrangeiras, que visitaram produtores assistidos da região. De modo geral, os visitantes ficam impressionados com os resultados alcançados por pequenos produtores e, principalmente, pelo uso de alta tecnologia na produção de alimentos. 

No Distrito Federal, 66% das propriedades têm área de até 5 hectares, fato esse muito semelhante àquele encontrado nos países pobres da África e mesmo no continente americano. Com o aumento do preço dos alimentos, no mundo, nos últimos três anos (em torno de 150%), fato esse não ocorrido no Brasil, esses países se interessaram em conhecer o que o DF vem fazendo e, com isso, buscar informações sobre esse assunto para serem aplicadas em seus países. 

O estabelecimento de políticas públicas no apoio ao agricultor familiar nos últimos 15 anos fez do Brasil um modelo na produção de alimentos. Aliado ao fato de o Brasil ser líder na geração de tecnologias agrícolas para os trópicos a Emater-DF é, hoje, muito demandada nessa área. 

Já foram assinados dois convênios, com Haiti e Senegal, em que a Emater-DF terá participação principalmente, na transferência de métodos de como se utilizar as tecnologias disponíveis. Na realidade o nível tecnológico utilizado pela maioria dos pequenos produtores desses países é arcaico. Para se ter uma ideia a produção média de milho no Haiti é cerca de 800 kg/ha.


Fonte: Página Rural








Voltar






© Copyright 2018, Via Informação - Todos os direitos reservados
Proibida a cópia e reprodução total ou parcial sem a citação da fonte.
Site desenvolvido por Grandes Idéias

Skype: paginarural

E-mail: paginarural@paginarural.com.br

h t t p : / / w w w . p a g i n a r u r a l . c o m . b r