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Segunda-feira, 11 de maio de 2009 - 07h01m

Agronegócio > Peixes

RS: piscicultura é opção rentável aos gaúchos



Porto Alegre/RS

Quando se pensa no Rio Grande do Sul e sua tradição no setor primário, quase sempre vêm a cabeça atividades vinculadas à agricultura e à pecuária. No entanto, não é de hoje que os produtores gaúchos têm se dedicado a práticas diferenciadas no campo, como é o caso da piscicultura, ramo da aquicultura que mais tem se desenvolvido no Estado. Na região Noroeste, onde se localiza um dos principais polos de criação de peixes em cativeiro, são 47 municípios envolvidos nesse tipo de atividade, com 6,5 mil produtores, 8,2 mil açudes dos quais são retiradas 3,7 mil toneladas de pescado por ano, informa o assistente técnico da Emater de Ijuí, Antônio Altíssimo.

A piscicultura ainda é tida como complementar a outras atividades, apesar dos bons resultados em termos de comercialização aliados à vantagem dos baixos custos de produção. Durante a Semana Santa, por exemplo, o preço do quilo da carpa viva chegou a R$ 7,00, valor considerado excepcional pelos criadores. Em épocas normais, a venda direta ao consumidor remunera em R$ 3,50 pelo quilo do peixe vivo.
As espécies mais difundidas no Estado são as carpas, com 90% da preferência dos criadores, seguidas pelas tilápias, tidas como ideais para o clima subtropical.

"Trata-se de um mercado excepcional, que ainda pode se expandir muito. O Rio Grande do Sul já é o principal produtor de carpas do Brasil, mas o comportamento de outras atividades do setor rural é que determina a adesão de mais ou menos produtores à piscicultura", afirma o zootecnista da Emater de Montenegro, João Sampaio. Ele cita o caso do setor leiteiro, que no momento em que estava no auge fez com que alguns produtores concentrassem seus esforços na produção de vacas, em detrimento da piscicultura. Agora com a queda nos preços do leite e a alta dos insumos, muitos voltaram a atenção à criação de peixes. Outros optaram pela atividade como forma de complemento de renda. "É um movimento muito sazonal", diz Sampaio.

A secretária-executiva do Polo de Aquicultura e Pesca da região Macronorte do Estado, Evanir Redin, diz que a atividade, difundida há mais de 20 anos em municípios como Passo Fundo, Ijuí e Santa Rosa, tem atraído muitos produtores como alternativa de incremento de renda e diversificação nas propriedades. "O peixe é o alimento do futuro e a tendência é de aumento do seu consumo, pela procura cada vez maior por carnes mais saudáveis", disse a especialista.

Dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentos (FAO) indicam que a produção mundial de produtos derivados da aquicultura tem crescido por volta de 9% ao ano - mais rápido que a pesca tradicional, e também em comparação a outros sistemas de produção de animais para alimentos. Quase metade do consumo de peixes hoje em dia é cultivada.

Enquanto em 1980 apenas 9% do consumo de peixe pelo homem provinha da aquicultura, hoje esse número chega a 43%. São 45,5 milhões de toneladas que correspondem a US$ 63 bilhões por ano. O Brasil é hoje o segundo produtor aquícola da América Latina, com cerca de 270 mil toneladas produzidas por ano.

Para aproveitar os números favoráveis da atividade, o Polo de Aquicultura decidiu criar um plano estratégico que será desenvolvido por dez anos, até 2017. "Nosso objetivo é promover o aumento do consumo per capita de peixes e incrementar a aquicultura por meio da criação de peixes em açudes e em tanques-rede, adequando sistemas de cultivos sustentáveis", disse Evanir.

Produtores contam com seguro específico
A maior difusão da piscicultura fez inclusive com que fosse criada uma modalidade de seguro específico para a aquicultura. Pioneira nessa área específica, a RSA Seguros opera com um tipo de serviço voltado para fazendas de peixes, camarão e ostras no Brasil. "A produção pesqueira mundial duplicou ao longo dos últimos trinta anos, o que reflete em grande parte o crescimento da aquicultura", afirma o presidente da empresa no Brasil Thomas Batt. Segundo o executivo, os criadores já podem contratar o seguro, que conta inclusive com subsídio do governo, que se comprometeu a pagar 30% do prêmio líquido limitado a R$ 32 mil.

"A procura por peixe continua a aumentar, principalmente em nações desenvolvidas. E como os níveis de captura da pesca selvagem têm permanecido relativamente estáveis desde meados da década de 1980, o indicativo é de que a única opção para atingir a futura demanda por peixe é através da aquicultura", prevê. O limite financeiro para seguros oferecido pela RSA é de até US$ 20 milhões por fazenda - com proteção contra os diferentes desastres naturais que afetem o produtor, sua segurança pessoal, seus recursos e sua colheita. "As coberturas básicas incluem inundação, tempestade, vendaval, estiagem, tornados, tempestade de granizo e raios", diz Batt.


Atividade é fomentada através de cursos em Montenegro
A região do Vale do Caí está entre as que mais se destacam na produção de peixes em cativeiro no Rio Grande do Sul. Em função disso, desde 2002 o Centro de Treinamento Agrícola, localizado em Montenegro e vinculado à Emater-RS, realiza dois cursos de treinamento na área de piscicultura, com vistas a fomentar a atividade na região. Todos os detalhes sobre a criação semi-intensiva de peixes realizada em viveiros são apresentados aos alunos através do curso de criação, que dá informações desde a escolha do local, construção dos viveiros, dicas sobre alimentação dos animais, controle de qualidade da água e profilaxia.

"É a forma de cultivo que dá melhor retorno em termos de produtividade, que em alguns casos pode chegar a 4 mil quilos por hectare de água por ano", explica o zootecnista da Emater e instrutor do curso João Sampaio. Segundo o técnico, a atividade costuma ser altamente lucrativa, especialmente porque a demanda por peixe no Estado tem crescido além da oferta. O brasileiro consome entre 6,5 e 8 quilos de pescado per capita, média que também se aplica ao Estado.

O curso de processamento artesanal de pescado é outra alternativa para os criadores interessados em beneficiar o produto. Ele ensina como abater os peixes, dá dicas de limpeza e explica ainda como fazer filés e postas, além de retirar corretamente as escamas. "Muitos sabem cultivar, mas não sabem preparar nem comer o produto", explica Sampaio.
Antes de optar pela profissionalização, porém, é importante saber que o tamanho do empreendimento dependerá do volume de produção e do tipo de sistema adotado. Também é recomendável conhecer os planos de desenvolvimento para a região onde será desenvolvida a atividade, para evitar futuros impactos ambientais.

Ana Esteves


Fonte: Jornal do Comércio














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