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Segunda-feira, 31 de maio de 2010 - 18h05m

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BA: Associação Baiana dos Produtores de Algodão comemora 10 anos



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Evolução da Cultura nos últimos 10 anos, no Brasil e na Bahia

Foto: Abapa



Barreiras/BA

Há exatamente uma década, no dia 31 de maio de 2000, nascia a Associação Baiana dos Produtores de Algodão, a Abapa, e com ela uma nova mentalidade e forma de produzir a fibra na Bahia. A certeza de que o cerrado baiano seria capaz de ocupar o vácuo deixado pelo declínio da atividade nas áreas tradicionais do estado levou um grupo de cotonicultores pioneiros da então nova fronteira agrícola a se mobilizar e organizar para a criação de uma entidade de classe que pudesse representar, defender e promover o desenvolvimento da cotonicultura regional, sob os mesmos parâmetros, e abarcada pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa).

O resultado desta iniciativa foi mais que uma nova e respaldada associação de classe rural. Foi a transformação do cenário no Oeste do Estado, onde hoje a pluma participa como a segunda cultura na matriz produtiva e responde por, aproximadamente, 36% do Valor Bruto da Produção –VBP, cerca de 3,6 bilhões.

“Alguém que tivesse visto esta região há 10 anos e voltasse hoje para ver o algodão, diria que houve um milagre. Mas nós, cotonicultores, sabemos o quanto de trabalho e recursos tivemos de investir para chegar a este ponto. E só com uma entidade forte, que congrega os esforços individuais, isso foi possível. Como presidente e produtor, me orgulho de fazer parte desta história”, afirma o presidente da Abapa, João Carlos Jacobsen.

Por “milagre”, pode-se entender o salto de produção de 68 mil toneladas de pluma em 45,2 mil hectares plantados nos primórdios da produção da fibra, na safra 2000/01, para 393 mil toneladas de pluma, com produtividade de 270 arrobas de capulho por hectare, em 242,9 mil hectares em 2010. Realçam estes dados o fato de o algodão da Bahia ter hoje as maiores produtividades do mundo, cerca de 270 arrobas/ hectare, superando inclusive os Estados Unidos (160@/ha).

“Essa evolução fantástica da cotonicultura baiana não se deve apenas a uma vocação regional para o cultivo da fibra e sim a um trabalho sério, bem feito, de coesão, que tem como patamar o desenvolvimento sustentável, tanto do ponto de vista econômico, como ambiental e social”, diz o presidente da Abrapa, Haroldo da Cunha.

Plantando desenvolvimento
A evolução nas lavouras veio acompanhada de uma evolução regional, já que o algodão é um dos maiores distribuidores de renda no Oeste. Um levantamento da Abapa estima que, nas atividades estritamente ligadas à produção e beneficiamento primário do algodão, sem contar a indústria têxtil - a segunda maior empregadora do país – são gerados cerca de 1,2 milhões de empregos.

“O que se vê no Oeste é um grande avanço, comprovado pelo crescimento da área plantada, da produção, da produtividade e também da qualidade. Com esta atividade consolidada, e o grande know how adquirido, agora as ações tanto do Governo do Estado quanto dos produtores serão no sentido de alçar vôos ainda mais altos, com a atração das indústrias têxteis para a região”, diz o secretário da Agricultura do Estado da Bahia, Eduardo Salles.

Viabilizando a pesquisa
Fazer algodão brotar em larga escala e com alta qualidade dos solos do cerrado baiano exigiu vultosos investimentos em pesquisa e desenvolvimento de tecnologias adaptadas para a região. “Os altos custos que isso demanda seriam impraticáveis para o produtor arcar sozinho, por isso, o Proalba foi fundamental”, lembra o ex-presidente da Abapa e cotonicultor Walter Horita.

O Proalba é o Programa de Apoio à Cultura do Algodão, implementado pelo Governo do Estado da Bahia, que concede ao produtor incentivo de 50% do ICMS devido sobre a comercialização do produto, desde que ele atenda aos padrões ambientais de qualidade pré-estabelecidos. Parte desses recursos é destinada ao Fundo para o Desenvolvimento do Agronegócio do Algodão, o Fundeagro.

O Fundeagro financia a pesquisa, a defesa sanitária e o marketing da cotonicultura baiana e presta ainda grande suporte para as ações nacionais do agronegócio algodão. Foi graças a ele, por exemplo, que os produtores da Bahia, junto com o Governo do Estado, conseguiram implantar o Programa de Monitoramento e Controle do Bicudo do Algodoeiro (Programa Bicudo).

“Não dá para imaginar realizar um trabalho desta magnitude sem um lastro sólido como o Fundeagro. Mas este Fundo só é uma realidade porque uma instituição igualmente sólida como a Abapa, lutou pela sua criação e trabalha diariamente para garantir a sua manutenção”, diz o presidente do Fundeagro, Ezelino Carvalho.

Referência
Com o Fundeagro foi possível criar o Centro de Pesquisa e Tecnologia do Oeste Baiano, o CPTO, referência brasileira no gênero, onde se desenvolvem e validam novas variedades em fibra para a região. Para isto, o CPTO conta com laboratórios diversos e canteiros experimentais. Também é no CPTO onde, desde o ano passado, se passou a realizar o Dia de Campo do Algodão, que em parceria entre a Abapa, Fundação Bahia, Aiba, Embrapa e demais parceiros, acontece há 12 anos.

“A Abapa é ao mesmo tempo causa e conseqüência da mentalidade arrojada do produtor da Bahia, que entende a necessidade de investir em uma cultura tão especial como o algodão. À frente dela estiveram sempre gestores competentes, como João Carlos Jacobsen, em seu começo e na gestão atual, e Walter Horita, também por duas gestões”, diz o presidente da Fundação Bahia, Amauri Stracci.

O presidente da Fundação Bahia destaca ainda a parceria entre a entidade e a Abapa nos trabalhos em melhoramento genético, nutrição de solos, além de doenças e pregas. “Já lançamos na safra passada a primeira variedade genuinamente baiana, a BRS 286, e agora vamos apresentar três novas variedades, uma delas de fibra longa”, antecipa Stracci.

Para o chefe da Embrapa Algodão, Napoleão Macedo Beltrão, a Abapa é o marco da nova cotonicultura da Bahia, pois foi ela quem organizou a produção, permitindo ao estado alcançar o posto de segundo maior produtor do país e primeiro em qualidade. “A Bahia tem a melhor fibra do Hemisfério Sul devido ao clima e também ao bom trabalho dos produtores, e é hoje o principal fornecedor do parque têxtil do Nordeste. Para chegar a este ponto, foi fundamental o financiamento da pesquisa através do Fundeagro. Queremos ampliar nossa participação na Bahia e aumentar nossa contribuição para o crescimento da cotonicultura do estado. Só podemos agradecer à Abapa por nos dar oportunidade de desempenhar nosso trabalho na Bahia, concluiu Beltrão.


Fonte: Associação Baiana dos Produtores de Algodão














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