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Terça-feira, 01 de junho de 2010 - 07h29m

Insumos > Biodiesel

PR: 1 milhão de hectares de soja para energia



A área necessária para atender a demanda do B5 no Brasil já equivale a 1/4 das lavouras do Paraná e mais de duas vezes o município de Sorriso (MT), o maior produtor mundial do grão.


Curitiba/PR

A mistura obrigatória de 5% de biodiesel ao diesel mineral, conhecida como B5, em vigor desde o início do ano, vai transformar 7% da safra brasileira de soja em energia em 2010. Para suprir a demanda do B5, o país vai precisar de 2,5 bilhões de litros do combustível, conforme estimativa do Ministério de Minas e Energia (MME), que coordena o Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB).

Considerando que a oleaginosa serve de base para cerca de 80% do B100 (biodiesel puro) produzido no Brasil, serão precisos 3,6 milhões de toneladas do grão, ou 1,2 milhão de hectares. Volume que corresponde a 90 mil carretas de 40 toneladas carregadas de soja. A área necessária para alimentar o setor equivale a um quarto de toda a extensão das lavouras de soja do Paraná, ou mais de dois municípios de Sorriso, o maior produtor individual da oleaginosa do mundo, que planta próximo de 600 mil hectares.

“Considerando que o Brasil cultiva 23 milhões de hectares de soja, ainda temos muito espaço para crescer na produção de biodiesel apenas utilizando a matéria-prima já existente”, avalia o coordenador do PNPB, Arnoldo de Campos. Além da oleaginosa, a única outra matéria-prima que tem representatividade na matriz energética brasileira é o sebo bovino, usado para produzir entre 10% e 12% do B100 do país. Fontes como mamona, pinhão-manso, palma, algodão, canola e girassol também são usadas, mas têm participação pequena.

Campos afirma que a diversificação da matriz energética está no horizonte do PNPB, mas esbarra na disponibilidade e na viabilidade econômica de matérias-primas menos tradicionais. Segundo ele, o setor tem acesso limitado a produtos alternativos, como a mamona e o dendê porque tem que disputar a pouca oferta disponível com a indústria química e a de cosméticos, que pagam preços melhores.

Cotações
Apesar da participação da soja ser grande, os preços do grão não chegam a ser influenciados pela demanda para a fabricação do combustível. “A formação do preço interno da oleaginosa ainda é muito dependente do mercado internacional. Mesmo com o crescimento da produção de biodiesel, será bastante difícil desvencilhar as cotações domésticas da Bolsa de Chicago”, diz Campos. Ele afirma que o impacto da crescente demanda por soja para a fabricação de energia é mais forte nos preços internos do óleo de soja, mas que, mesmo nesse caso, o mercado internacional ainda é a principal referência.

O diretor defende a diversificação da matriz energética brasileira, mas não vê a alta dependência da soja como negativa. “É a sinergia total entre a produção de alimentos e de energia”, considera. Ele lembra que antes do biodiesel as pesquisas de melhoramento de soja buscavam desenvolver variedades com um menor teor de óleo. “O subproduto mais nobre era o farelo, que é usado na ração animal. O biodiesel viabilizou a produção de óleo de soja no Brasil”, diz.

Para ele, a produção de diesel renovável à base de soja é também uma maneira de agregar valor às agroexportações brasileiras, desestimulando a venda do grão in natura e incentivando os embarques de carnes. Atualmente, cerca de 40% da soja exportada pelo Brasil sai do país como grão.

Paraná - oferta cresce acima da média nacional
Desde o início do ano, é obrigatório que todo o diesel vendido no Brasil tenha 5% de biodiesel. A adição de diesel vegetal ao combustível mineral tem como objetivo diversificar a matriz energética brasileira e reduzir a dependência do produto importado. O país consome anualmente cerca de 43 bilhões de litros de diesel fóssil e, para suprir a demanda, importa 5% a 10% desse volume. O Paraná responde por aproximadamente 10% do consumo nacional de diesel mineral, e importa cerca de 5% do que consome.

Mesmo sendo o maior produtor de grãos e o terceiro maior consumidor de diesel do Brasil, o estado não tem participação significativa na produção nacional de biodiesel. Anualmente, o estado consome 3,9 bilhões de litros do combustível mineral. Mas pretende mudar essa condição. Para isso, aposta na BSBios Marialva, a primeira planta de produção de biodiesel de grande porte do estado, inaugurada no mês passado no município do Noroeste paranaense.

A produção estadual de biodiesel ainda é incipiente, começou a ganhar ritmo há menos de dois anos, no segundo semestre de 2008. Até então, o Paraná sequer figurava nas estatísticas nacionais de produção do combustível renovável. Hoje, é responsável por 1,5% do volume produzido anualmente no país, porcentual que tende a crescer com a chegada da Petrobrás ao estado. A oferta estadual de biodiesel (B100) amplia sua capacidade para 155 milhões de litros, o que representa mais de 5% da produção nacional.

Apesar de ainda ter pequena representatividade nos números nacionais, a produção paranaense de biodiesel cresce acima da média brasileira. No ano passado, o país incrementou em 38% a sua produção anual do combustível. No Paraná, o crescimento foi de 225%. Foram fabricados no Paraná 27,7 milhões de litros de biodiesel em 2009. A produção nacional somou 1,6 bilhão de litros no ano passado.

Luana Gomes


Desafio é a diversificação de matéria-prima
Marialva - A Petrobrás Biocombustíveis entrou no mercado de biodiesel do Sul do país com um desafio a vencer: incentivar a diversificação da matéria-prima para fabricação do combustível, hoje centrada na soja. A primeira usina da estatal na região fica no município de Marialva, no Noroeste do Paraná, e começou a operar oficialmente em maio, em sociedade com a BSBios Energia Renovável.

A nova planta tem capacidade para produzir 127 milhões de litros de biodiesel por ano, o equivalente a cerca de 60% da demanda anual do estado atualmente, de 200 milhões de litros. Inicialmente, processará apenas soja em grão e óleo de soja e deve demandar 600 mil toneladas da oleaginosa. Considerando uma produtividade média de 3 mil quilos por hectare, serão necessários 200 mil hectares para suprir essa demanda.

“Podemos comprar soja em grão ou contratar alguém para fazer o esmagamento. O mercado vai nos dar a direção. Não há risco de desabastecimento. Já escolhemos o Paraná pela boa oferta de soja”, explica Fabio Junior Benin, coordenador do departamento de fomento da BSBios.

Mas a diversificação da mudança da matriz produtiva está nos planos da empresa, que começou a incentivar o plantio de culturas alternativas à soja, como a canola, nos municípios de Toledo, Nova Aurora e Candói. Os agricultores que apostam na ideia ganham a garantia de compra, renda no período não-produtivo, além dos benefícios .

A usina ainda tem autonomia para produzir o combustível a partir de girassol e de gordura animal, matérias-primas que também devem ser incentivadas pelo departamento de fomento da empresa. (Jornal de Maringá)

Hélio Strassacapa


Fonte: Gazeta do Povo














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