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Terça-feira, 01 de junho de 2010 - 17h07m

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DF: especialistas elogiam projeto de zoneamento agroecológico da cana-de-açúcar



Brasília/DF

Quatro pesquisadores brasileiros ligados ao agronegócio elogiaram nesta terça-feira (1), na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA), proposta do Executivo que visa expandir a produção sustentável de biocombustíveis a partir da cana-de-açúcar, sob orientação do zoneamento agroecológico para a cultura.

Para o diretor de Zoneamento Territorial do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Roberto Ricardo Visetin, o projeto de lei que trata do tema (PL 6.077/09), que tramita na Câmara, reflete a visão de que os biocombustíveis representam para o Brasil "uma oportunidade extraordinária de desenvolvimento econômico".

- Evitar desmatamento, proteger a nossa biodiversidade e evitar que a produção de etanol venha a representar impacto na produção de alimentos foram os norteadores para a elaboração desse projeto, que assegura ao Brasil todas as salvaguardas que fazem com que o nosso etanol seja carimbado com esse zoneamento, uma espécie de passaporte verde - explicou o representante do MMA.

Segundo Visetin, mesmo com a exclusão de algumas áreas para cultivo da cana-de-açúcar (Amazônia, Pantanal e bacia do Alto Paraguai), o país ainda disporá de cerca de 60 milhões de hectares para plantio da cultura, visando à produção de biocombustíveis.

O chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente, Celso Vainer Manzatto, lembrou que, entre as restrições ambientais previstas no projeto, está a queima da lavoura, como método pré-colheita, nas áreas mecanizáveis. Explicou ainda que a definição de áreas proibidas para cultivo a cana-de-açúcar não vale para terras já plantadas. Para Celso Vainer, o projeto vai proporcionar novos desafios e novas tecnologias a serem desenvolvidas no país.

- É todo um desafio para que nosso etanol continue sendo o mais produtivo do mundo - disse o Chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente.

Acompanhamento
Já o especialista em recuperação de áreas degradadas e monitoramento de reflorestamento do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), João Baptista Ferraz, observou que a recomposição de uma terra desmatada pode ser feita em até quatro anos, se adequadamente realizada. No entanto, frisou, "se feita de forma errada, pode continuar degradada até 25 anos depois". Por isso, o representante do Inpa defendeu que o projeto preveja monitoramento constante das propriedades.

Ferraz considerou o projeto inconsistente no que se refere aos benefícios da substituição da queima e colheita manual por colheita mecanizada, processo que gera prejuízos ao solo e custos extras ao produtor.

- É preciso avaliar os custos da mecanização e da compactação do solo - assinalou João Ferraz.

O pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária, João dos Santos Vila da Silva, sugeriu que se faça uma análise do impacto sobre a mão-de-obra que deixará de ser utilizada em detrimento da mecanização da colheita.

- A mecanização vai afetar bastante o emprego no setor - observou.

Reclamação
Os senadores Jorge Yanai (DEM-MT) e Augusto Botelho (PT-RR) reclamaram das restrições ao cultivo da cana-de-açucar em seus estados, previstas no zoneamento. Mesmo considerando relevante a preservação do meio ambiente, Yanai criticou a proibição do cultivo na Bacia do Alto Paraguai.

- Gostaria que a Bacia do Alto Paraguai fosse repensada numa avaliação justa, para que as pessoas que lá moram não sejam prejudicadas por uma medida intempestiva - afirmou o senador pelo Mato Grosso.

Augusto Botelho destacou que restringir a produção ao bioma Amazônia de forma geral, e não em áreas pontuais da Amazônia legal, "é prejudicar uma região que não é uniforme e precisa se desenvolver".

- Nossa região poderia estar produzindo álcool. É um direito nosso. Não podemos fazer de toda a Amazônia um santuário. Estão nos excluindo de uma atividade que pode gerar dinheiro e melhorar a vida dos moradores da região - criticou o senador por Roraima.

O presidente da CRA, Valter Pereira (PMDB-MS), destacou vários pontos positivos do projeto, com base na justificação do governo, como a redução da emissão de gás carbônico, especialmente pelo fim das queimadas e ampliação da mecanização da colheita.

- Na teoria, o projeto é de grande relevância, mas nós precisamos conferir com a prática, com base nos impactos que poderá provocar na economia e na produção de cana-de-açúcar, de açúcar e de etanol.


Fonte: Agência Senado














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