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Terça-feira, 08 de junho de 2010 - 07h28m

Política Agrícola > Bovinos

PR: aftosa, o tamanho do desafio



Curitiba/PR

O Paraná está reforçando suas barreiras sanitárias para impedir a entrada de gado de outros estados e países vizinhos e, assim, reduzir o risco de infecção do rebanho local pelo vírus da febre aftosa. Há trechos desprotegidos de mais de cem quilômetros nas divisas. O isolamento é fundamental para a suspensão da vacinação, prevista para o segundo semestre.

Duas novas barreiras estão sendo implantadas na região de limite com São Paulo. Outros dois postos fiscais que ficam na fronteira com a Argentina passarão a contar com equipes de defesa sanitária, conforme plano do governo do estado. Há preocupação também na fronteira com o Paraguai, onde o controle depende dos funcionários das balsas que fazem a travessia do Rio Paraná.

Considerando os 31 postos que fiscalizam o trânsito animal em funcionamento, o estado conta com uma barreira a cada 76 quilômetros. As mudanças que vêm sendo im­­plantadas tentam reduzir essa média. No caso dos 219 quilômetros de fronteira com o Paraguai, onde não há postos fiscais da Se­­cretaria Esta­­dual da Agricultu­­ra e do Abastecimen­­to (Seab) nem previsão de instalação, a es­­tra­­tégia é fiscalizar o lado brasileiro.

O Rio Paraguai é que protege o estado na região da divisa com o Paraguai, apontada co­­mo zona de fragilidade pelo Ministério da Agricultura, Pe­­cuária e Abastecimento (Mapa) e pela própria Seab. A defesa sanitária estadual depende do apoio das prefeituras e dos controladores de balsas. Não é permitida a entrada de animais ou carne com osso, mesmo para consumo dos passageiros.

A vigilância estadual informa que vem monitorando mais de perto a vacinação em propriedades próximas ao Rio Paraná. A fiscalização também é mais rigorosa, afirma o coordenador da campanha de vacinação contra aftosa na Seab, o veterinário Walter Ri­­wbeirete.

“Não há fronteira seca com o Paraguai. Fazemos um monitoramento a mais nas propriedades da divisa ao longo do rio (Paraná). Não temos tido problema com o trânsito de animais e produtos de risco nessa região”, relata. Ele considera que a zona de maior risco de entrada de gado paraguaio é na divisa com Mato Grosso do Sul.

O estado vizinho divulga que há controle reforçado numa faixa de 15 quilômetros a partir da fronteira com o Paraguai. Muitas propriedades ficam justamente na divisa – parte no Paraguai e parte no Brasil. Todos os animais dessa região precisam ser identificados com brincos, para facilitar o rastreamento dentro e fora de Mato Grosso do Sul.

Na fronteira com a Argentina, também não há postos de vigilância da Seab atualmente. Ribeirete informa que dois postos da Seab, desativados há cerca de dois anos, voltarão a receber fiscais. O governo do estado teria se retirado porque o controle da fronteira é atribuição federal, mas agora pretende reposicionar seus agentes.

Na divisa com Santa Catarina, há dez postos fiscais. Se o Paraná se tornar área livre da aftosa sem vacinação, a região será de menor risco, uma vez que o rebanho catarinense é considerado livre da doença sem vacina desde 2007. O fluxo de animais entre Paraná e Santa Catarina tende inclusive a aumentar.

Os dois novos postos que estão sendo abertos na divisa com São Paulo ainda dependem da contratação de pessoal. A Seab ainda não concluiu a contração de 37 novos técnicos e 43 veterinários, que devem reforçar a equipe ligada ao controle da aftosa em 20%. A estratégia é usar estruturas criadas para controle da Receita Estadual no monitoramento sanitário.

A campanha de vacinação do gado contra a aftosa, iniciada em 1º de maio, segue até o próximo dia 12. O prazo foi prorrogado na semana passada depois de os agentes estaduais constatarem falta de vacina para 200 mil cabeças. A meta é vacinar perto de 100% das 4,4 milhões de animais de menos de 2 anos.

Meta é desbloquear exportação
O Paraná ainda não conseguiu recuperar o mercado perdido com a crise da aftosa em 2005. Levou três anos para retomar as exportações de carne bovina para a União Europeia (UE), região consumidora que baliza o preço do produ­­to no mercado internacional. Até hoje, só 40 fa­­zen­­das paranaenses conseguiram entrar para a lista de fornecedores oficiais da UE. O estado tem 220 mil propriedades agropecuárias.

A suspensão da vacinação promete facilitar as vendas à UE e aos mercados que seguem as regras europeias. A vacina é considerada um indício de fragilidade sanitária, interferindo também na avaliação da carne de suínos e aves. Nova demonstração de que as exigências continuam ri­­go­­rosas foi dada semana passada. A Irlanda voltou a pedir a suspensão das importações de carne bovina brasileira pela UE, após a identificação da presença excessiva de um vermífugo em alimento termoprocessado vendido pelo Brasil aos Estados Unidos.

Enquanto as exportações não deslancham, a carne bovina paranaense vem sendo distribuída no mercado interno. As cotações seguem na faixa de R$ 75 a arroba (boi gordo) há três anos, conforme histórico de preços ao produtor acumulado pela Secrataria Esta­­dual da Agricultura (Seab).

O status de área livre sem vacinação deve ser alcançado após auditoria do Ministério da Agri­­cul­­tura, Pecuária e Abaste­­cimen­­to (Mapa), a ser marcada para o se­­gundo semestre. Independente dessa auditoria, o rebanho estadual, estimado em 9,6 milhões de cabeças, deve passar por testes de aftosa. Após aprovação do Mapa é que o estado poderá reivindicar o novo reconhecimento sanitário internacional.

Pecuarista quer garantia
O controle da aftosa após a suspensão da vacinação vai depender não só da ampliação do número de postos fiscais de 31 para 35, mas essencialmente de um monitoramento ostensivo. A avaliação é do presidente da Associação Nacional dos Produtores de Bovinos de Corte (ANPBC). “Precisamos de garantia de que as divisas e fronteiras serão fiscalizadas 24 horas por dia”, diz José Antonio Fontes.

A ANPBC fica em Londrina e foi criada depois de o Paraná ser apontado como foco de aftosa, em 2005. Com cerca de 300 associados e rebanho estimado em 1 milhão de cabeças e defende que na época o Paraná não teve casos da doença – e que o sacrifício de 6,7 mil animais, bem como a suspensão das exportações para mais de 50 países, ocorreu desnecessariamente. Agora, pressiona as autoridades temendo que o drama se repita.

“Não podemos acusar que está entrando gado ilegalmente. Mas não podemos ficar numa situação de insegurança. Se o governo do estado e o federal não assumirem suas responsabilidades nas divisas e nas fronteiras, estaremos vulneráveis. As barreiras têm que ser ostensivas”, argumenta Fontes.

A reivindicação do status de área livre da aftosa sem vacinação é apoiada pelo setor produtivo. A Federação da Agricultura do Paraná (Faep) vem coordenando a instalação de mais 20 conselhos de sanidade agropecuária, para que 390 dos 399 municípios do estado contem com essas entidades. A ANPBC também alerta para a confiança depositada nessa rede de voluntários. “Conselho instalado não significa conselho funcionando”, afirma Fontes. Em sua avaliação, se houver insegurança, é preferível continuar vacinando o gado contra a aftosa no próximo semestre.

José Rocher


Fonte: Gazeta do Povo














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