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Terça-feira, 08 de junho de 2010 - 08h18m

Agricultura > Armazenagem

PR: armazém se torna pulmão da safra no Paraná



Curitiba/PR

Localização estratégica, grande escala e alta taxa de ocupação permitem ao Complexo Armazenador de Grãos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) localizado em Ponta Grossa ostentar números positivos e ajudam a desmontar um dos grandes mitos do agronegócio, de que armazenagem é uma atividade que dá prejuízo. A unidade registrou no ano passado lucro de R$ 13 milhões. A cifra é modesta, se considerado o porte da planta, que comporta até 420 mil toneladas de granéis, mas revela o despertar de um gigante.

Construída na década de 70 para acomodar os estoques públicos, a unidade recebe hoje não só produtos do governo, mas também de cooperativas e outras empresas privadas. Funciona como uma espécie de “pulmão logístico” que dá fôlego para o crescimento da produção. No ano passado, com uma safra recorde represada no interior por causa dos preços baixos desfavoráveis à exportação, produtores de várias regiões do Paraná recorreram à unidade de Ponta Grossa para contornar a falta de espaço nos silos. “A procura foi tão grande que nem conseguimos atender a toda a demanda do setor privado”, lembra o superintendente regional da Conab no Paraná, Lafaete Jacomel.

Atualmente, cerca de um terço dos grãos depositados nos silos e armazéns do complexo de Ponta Grossa, pouco mais de 100 mil toneladas, pertence a moinhos, cooperativas ou empresas privadas. No total, a unidade abriga 311 mil toneladas de trigo, milho e soja, ocupando 74% da sua capacidade estática.

Esse índice chegou a 80% em março, pico da safra de verão, e vem caindo aos poucos, relata o gerente Sérgio Roberto Piakowski. O limite seria 90%, cerca de 380 mil toneladas, calcula. Ele explica que jamais se consegue aproveitar 100% da capacidade dos armazéns, porque é preciso separar um produto do outro e, em geral, qualquer grão – soja, milho ou trigo – é segregado em pelo menos dois tipos. Na separação, há sobra de espaço.

Piakowski observa que a taxa de ocupação da unidade permanece acima de 50% desde o final de 2008 e afirma que esse seria um dos segredos para obter resultado operacional positivo com uma atividade que costuma dar prejuízo. O porte grande e o índice de ocupação elevado permitem economia de escala, considera.

“O complexo de Ponta Grossa não é a única unidade superavitária da Conab no país, mas certamente é a que tem lucro mais expressivo”, afirma Jacomel. Pelo tamanho do armazém e sua localização, o caso é considerado singular – não é usado como exemplo na comparação com outras estruturas.

“Isolada, a armazenagem não é economicamente viável no longo prazo. Ela deve ser encarada como um ponto de apoio à indústria e, por isso, só é economicamente sustentável quando inserida dentro de um processo produtivo”, analisa Flávio Turra, gerente técnico e econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar).

A unidade armazenadora de Ponta Grossa é a maior planta de armazenagem da Conab no Brasil. Sozinha, responde por 19% da capacidade estática de armazenamento da estatal, que é de 2,16 milhões de toneladas. A rede de estocagem de grãos da companhia compreende 94 armazéns em 25 estados da federação. O Paraná tem mais quatro armazéns da Conab, em Apucarana, Cambé, Rolândia e Curitiba. Juntas, as cinco unidades comportam 540,6 mil toneladas de grãos – 78% desse volume estão concentrados no complexo de Ponta Grossa.

Com safra crescente, produção sobrecarrega os silos e barracões há uma década
O armazém público de Ponta Grossa é um exemplo emblemático da importância da armazenagem para o agronegócio. Mas, sozinho, não consegue resolver os problemas enfrentados neste braço do agronegócio, historicamente deficitário. Há uma década, o Brasil – e o Paraná – produz mais grãos do que consegue guardar. O déficit absoluto é de 13,4 milhões de toneladas no país e de 5,1 milhões no estado. Os dados consideram armazéns graneleiros e silos convencionais para estocagem de produtos ensacados, como feijão.

Conforme dados da Com­­panhia Nacional de Abasteci­­mento (Conab), a rede de armazenagem brasileira, com capacidade para 133,5 milhões de toneladas, comporta 91% da safra nacional, estimada em 146,9 milhões de toneladas. O índice é de 83% no Paraná, que tem capacidade para estocar 25,5 milhões e produz 30,6 milhões de toneladas de grãos. A meta é sempre poder armazenar mais de uma safra.

Quem compara a capacidade estática de armazenamento com a produção anual de grãos pode chegar à conclusão, equivocada, de que a rede nacional de armazenagem é suficiente para abrigar totalmente os principais produtos. Os números, no entanto, não revelam fatores importantes, como a defasagem tecnológica ou a má distribuição dos armazéns, concentrados em Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul.

A rede nacional de estocagem foi superavitária durante a maior parte dos anos 90, mas entrou em defasagem na década seguinte. O divisor de águas foi o ano 2000, quando a produção brasileira de grãos ultrapassou, pela primeira vez, a marca das 100 milhões de toneladas. A capacidade estática de armazenamento do país permaneceu estagnada na casa da s 80 milhões de toneladas e só alcançou o terceiro dígito três anos depois. De lá para cá, a produção nacional cresceu 77%, mas a rede de estocagem aumentou 52%.

Situação semelhante viveu o Paraná, que passou de superavitário para deficitário depois que a produção estadual superou 20 milhões de toneladas, também em 2000. Em dez anos, a safra paranaense cresceu 95%, mas a capacidade de armazenagem aumentou apenas 46% no período. A maior rede de armazéns pertence às cooperativas, com investimentos nas regiões mais problemáticas.

Ocupação caiu a menos de 10% em 2000
Desde a sua fundação, há quarenta anos, o complexo de armazenagem de grãos de Ponta Grossa passou por altos e baixos. A unidade alcançou o auge na década de 80, ápice do terror inflacionário e da intervenção estatal nos mercados agrícolas, quando a guarda dos estoques públicos de trigo demandava quase toda a sua capacidade estática de armazenagem.

Na época, o governo detinha a exclusividade das aquisições, tanto de produto nacional como de importado, e de seus repasses aos moinhos, o que exigia a formação de grandes estoques do produto. Ponta Grossa foi escolhida para ser o coração dessa operação. Por sua localização estratégica, a 200 quilômetros do Porto de Paranaguá, permitia o rápido escoamento dos estoques públicos de trigo para os estados do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste, por meio dos modais rodoviários ou ferroviários, e para o Nordeste, por cabotagem.

Nos anos 90, com a abertura do mercado nacional e a progressiva redução da interferência do governo no mercado, passou a ter dificuldades para manter taxas razoáveis de ocupação. Em 2000, o índice caiu a menos de 10%. A crise deflagrou um processo de mudança na gestão do complexo. O seu planejamento estratégico, agora focado na conquista de novos clientes e aumento progressivo do volume de grãos depositados.

A nova estratégia surtiu efeito. Desde então, os índices de ocupação vêm melhorando a cada ano. Em 2009, ano de safra recorde e preços baixos, a unidade manteve estoques médios de mais de 280 mil toneladas por mês. Neste ano, a taxa chegou perto do limite, alcançando 80% – 325 mil toneladas de grãos.

Luana Gomes


Fonte: Gazeta do Povo














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