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Sexta-feira, 11 de junho de 2010 - 08h38m

Agronegócio > Trigo

SP: preço do trigo argentino deve cair 30% para ser competitivo



São Paulo/SP

O preço do trigo argentino deve cair pelo menos 30% para ganhar competitividade no mercado internacional. Mesmo com a Tarifa Externa Comum (TEC) fixada a 10% para importação fora do Mercosul, o cereal norte-americano chega quase 10% mais barato no Brasil.

Na próxima semana, Wagner Rossi, ministro da Agricultura, deve se reunir com toda a cadeia produtiva para definir um acordo sobre a TEC. O setor pede elevação da tarifa para 35%. Rossi deverá propor um condicionamento da importação do cereal à compra do produto nacional.

De acordo com Lawrence Pih, presidente do Moinho Pacífico, o trigo da Argentina, mais despesas com o frete e o dólar cotado a R$ 1,83, custa à indústria nacional US$ 280, enquanto o grão dos EUA é entregue a US$ 256.

Dados da AF News mostram que nos quatro primeiros meses deste ano, o Brasil importou 34,88 mil toneladas de trigo do Canadá e 42,53 mil toneladas dos Estados Unidos. Do total importado até abril - 2,35 milhões de toneladas - 70% vieram da Argentina e o restante, subtraídos os volumes norte-americano e canadense, chegaram do Uruguai e Paraguai.

No Brasil, apesar do produto comercializado abaixo do preço mínimo de referência, determinado pelo governo federal, pela baixa qualidade disponível, não compensa. Segundo o presidente do Pacífico, se a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) disponibilizar no mercado os 1,2 milhão de trigo de seus estoques, não terá garantia de que negócios serão gerados. "O governo [federal] deveria subsidiar esse trigo para ração", afirma.

Segundo Ana Paula Kowalski, analista de mercados agrícolas da AF News, o cereal distribuído hoje no País está com os principais parâmetros necessários para obter uma boa classificação abaixo dos patamares mínimos. "A qualidade do trigo está baixa, especialmente no que se refere ao peso hectolitro do grão [ph] e força do glúten, cruciais para a produção de farinhas especiais", explica.

Para a analista, além do excesso de oferta mundial de trigo, o fato de o Brasil também possuir quantidade elevada do grão (ruim) tem causado queda nos preços, que já chega a 5% desde o início deste ano no Paraná.

O estoque de passagem mundial acumula 200 milhões de toneladas, de acordo com Pih, recorde histórico.

O preço do grão nacional tem o mínimo fixado a R$ 530 a tonelada, mas o cereal vale R$ 430 em Ponta Grossa, e R$ 440 em Curitiba, no Paraná. No Rio Grande do Sul, custa R$ 392,05. Os dados são da consultoria Trigo & Farinhas.

Do lado dos produtores, a resposta aos preços e comercialização desfavoráveis veio com a redução de área cultivada. "A redução de área é reflexo do sentimento do produtor", diz Narciso Barison, presidente da Associação dos Produtores e Comerciantes de Sementes e Mudas do Rio Grande do Sul (Apassul) e da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem).

Estudo da Conab aponta um plantio na safra 2010/2011 de 2,13 milhões de hectares, 12,5% menor que a safra anterior. Tanto para Barison quanto para técnicos da Conab, os agricultores estão migrando para lavoura de aveia, cevada e canola, por apresentarem melhores condições de mercado. "A solução para que a produção nacional e do bloco não competissem com o grão da América do Norte seria a elevação da TEC para 35%", diz Barison.

No entanto, para Marcelo Vosnika, presidente do Sindicato da Indústria do Trigo no Estado do Paraná (Sinditrigo) e um dos vice-presidentes da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), o Brasil deveria bloquear a farinha de trigo da Argentina, criando um imposto de importação para o produto. "Com os moinhos ociosos, essa medida daria mais liquidez para o trigo nacional. Aumentar a TEC vai proteger ainda mais o mercado interno da Argentina e acabar com a indústria nacional."

Outro entrave comercial enfrentado pelo produtor de trigo no Brasil vai de encontro ao período de compras da indústria.

Segundo Vosnika, os moinhos não têm espaço no caixa para efetuar compras para o ano todo. "O produtor faz a conta da moagem em 12 meses e a produção é colhida em três meses. O produtor precisa de recurso para armazenar sua produção e atender de acordo com o que o mercado pede."

DCI


Fonte: DCI














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