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Sábado, 12 de junho de 2010 - 18h25m

Agronegócio > Trigo

PR: sem compradores, trigo encalha no Paraná



Curitiba/PR

Cerca de 500 mil toneladas de trigo estão encalhadas em armazéns do Paraná, o maior produtor nacional do cereal. A quantia corresponde a 16% do total produzido por ano no Estado e a 8% da produção nacional do grão.

De acordo com a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), o produto acumulado é de safras passadas e não tem comprador no país, que importa cerca de metade do consumo, principalmente da Argentina.

A Faep aponta uma série de entraves para o encalhe: carga tributária elevada, falta de logística para levar o produto de navio para zonas consumidoras (como Norte e Nordeste), além de pouca intervenção do governo em leilões para garantir preço mínimo competitivo ao trigo.

Dado da Faep aponta que o custo da saca de trigo está em R$ 33, mas o preço de mercado não passa de R$ 23.

O cenário negativo vem em um momento de aumento da produção do setor no Estado, bastante castigado em 2009 pelas chuvas que causaram a quebra da safra.

O aumento de produção estimado pelo Departamento de Economia Rural, vinculado à Secretaria Estadual da Agricultura (Deral/Seab) para este ano será de 11% em comparação ao ano passado.

Otmar Hubner, engenheiro agrônomo do Deral, concorda com a necessidade de mais intervenção do governo para liquidar os estoques de trigo disponíveis. Segundo ele, foram promovidos vários leilões pelos orgãos oficiais mas a situação ruim do mercado, atualmente, dificultou as vendas. O produto armazenado é de melhor qualidade, afirma.

Desestímulo
Mesmo com maior produtividade, o economista Pedro Loyola, da Faep, vê na menor área plantada um sinal claro de que o produtor está desistindo de investir no trigo devido ao baixo preço e a entraves envolvendo a cultura.

A lavoura ainda continua sendo mantida, segundo Loyola, por questões técnicas de preparo do solo, cujo objetivo é ajudar a combater doenças e a preservar a terra para culturas de outras épocas do ano, como a soja. A colheita do trigo está prevista para começar em julho.

Hoje é mais fácil arrumar um navio que sai de Buenos Aires para desembarcar o trigo de lá no Brasil do que uma embarcação que possa alcançar o mercado interno saindo do porto de Paranaguá, compara o economista.

Por meio da assessoria, o Ministério da Agricultura informou que não iria se pronunciar sobre os problemas relatados pelos triticultores.

Em Cafelândia, no oeste, cerca de 70 mil toneladas de trigo de safras passadas estão armazenadas em silos e armazéns da cooperativa Copacol. Para 2010, são esperadas mais 80 mil toneladas.

Com a previsão de crescimento de safra neste ano, não sei como vai ficar para armazenar a produção nova e de outras culturas. Vamos ter de alugar outros armazéns, mas está difícil, diz Rubens Sales, gerente da divisão de unidades da Copacol.

Célia Guerra e Dimitri do Valle


Fonte: Folha de Londrina














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