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Quinta-feira, 17 de junho de 2010 - 07h19m

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RS: emergentes são filão para o País, defende Pratini de Moraes



Novo Hamburgo/RS

Em 2050, o mundo emergente demandará mais de dois terços dos alimentos. É para este mercado que os produtores brasileiros devem olhar já, incentiva o ex-ministro da Agricultura e membro de conselhos de administração de grandes companhias do setor, JBS e Cosan, o economista Marcus Vinicius Pratini de Moraes.

O ex-ministro aponta o potencial para ampliar a área cultivada por lavouras anuais do Brasil, dos atuais 48 milhões de hectares para 100 milhões de hectares. Apenas 5,6% da extensão brasileira tem lavouras anuais. Ele também adverte para o que chama de protecionismo ambiental, caracterizado pela forte influência de ONGs nacionais e estrangeiras e que pode esconder interesses econômicos de concorrentes internacionais ante a ascensão do Brasil na produção de grãos, carnes e biodiesel.

O economista descreve que a manifestação deste novo protecionismo, que sucede ou compartilha espaço com outra forma de defesa, a sanitária, é verificada claramente na discussão da revisão do Código Florestal nacional, que tramita no Congresso Nacional. Ambientalistas se opõem a mudanças, que atingem, por exemplo, critérios de reservas legais e anistia em áreas desmatadas. "O Brasil possui área para produzir sem tocar em uma árvore da Amazônia. Mas temos de ter cuidado com estas pressões, pois elas têm por trás interesses de concorrentes de fora", reforça.

Para Pratini, as dificuldades para ingressar nos mercados de países desenvolvidos, como o bloco da União Europeia (UE) e Estados Unidos, repletos de subsídios a produtos locais, devem ser minimizadas. "Podemos vender para os países emergentes. Em uma crise, as nações ficam mais protecionistas", relacionou o economista. Com isso, ele não acredita que as negociações para um acordo entre UE e Mercosul, que devem começar oficialmente em julho. "Só se for toma lá dá cá: eles querem vender para a gente, e nós queremos para eles", condicionou o conselheiro do JBS e da Cosan, dois gigantes do agronegócio brasileiro.

Segundo o ex-ministro, que traçou potenciais econômicos do País nos próximos anos em evento na Feevale, em Novo Hamburgo, ontem, as condições de o Brasil para disputar o mercado internacional são dadas também pelo perfil de fontes de energia e de eficiência na produção de grãos e carnes. O País, segundo ele, virou liderança na produção de etanol, a partir da cana-de-açúcar, que não concorrerá e nem quer tirar espaço do petróleo. "A função do álcool é reduzir a poluição. Se não fosse o etanol adicionado a gasolina, o ar de São Paulo seria irrespirável", ilustrou. Também lembrou que o Brasil é o maior produtor de energia obtida da água. "As grandes economias, como China, Rússia e Estados Unidos, usam carvão. Estamos em outro patamar".

As projeções mostram que a demanda por carne crescerá 16% até 2018 no mundo, que significa 315 milhões de toneladas. Os mercados emergentes terão maior crescimento no consumo, com 20% de elevação, somando 205 milhões de toneladas. Os países desenvolvidos devem comprar 7,3% a mais, ou 108,5 milhões de toneladas.

Pratini avaliou que as economias em desenvolvimento registram inclusão de população que antes não acessava muitos itens alimentares, o que explica a ascensão na demanda. "Os países ricos sofrem com envelhecimento, quando é normal a redução no consumo de carne", acrescentou.

O avanço da agricultura brasileira, opinou o ex-ministro, incomoda o mundo. Nos últimos anos, não houve crescimento sensível da área cultivada, mas a produtividade melhorou. "Com uso de tecnologias, equipamentos e empreendedorismo dos produtores", atribuiu. Pratini aproveitou a plateia de estudantes e dirigentes da universidade para provocar a inserção do setor no processo de impulso da economia e abertura ao mercado internacional e capacitação de profissionais. "Precisamos de pessoas para desenvolver a inteligência comercial do Brasil lá fora."

Patrícia Comunello


Fonte: Jornal do Comércio














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