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Quinta-feira, 17 de junho de 2010 - 07h42m

Agronegócio > Safra

SP: empresários brasileiros vão à África plantar soja e algodão



São Paulo/SP

Depois da investida de chineses e coreanos, as pouco exploradas terras da África ganharam novos investidores: os brasileiros.

Atraídos pelo baixo custo de produção, pela proximidade com os mercados da Europa, da Ásia e do Oriente Médio e pelo baixo preço da terra, empresários rurais brasileiros estão indo ao continente plantar algodão, soja, milho e outros produtos.

O Brasil já tem forte presença no setor de infraestrutura na África, mas o investimento em plantações é recente e vem se intensificando nos últimos anos.

No final deste mês, o grupo mato-grossense Pinesso irá começar a plantar algodão e soja no Sudão em parceria com uma empresa sudanesa. A expectativa é plantar 100 mil hectares nos próximos quatro anos.

O Sudão também receberá, em julho, uma comitiva de produtores brasileiros de soja, que terão conversas iniciais com o governo local, informa a Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso).

Na mesma época, outra comitiva irá à Etiópia e à Mauritânia, também a convite dos governos locais, para negociar o cultivo de milho.

Empresas brasileiras já estão em pelo menos outros seis países da África, cultivando cana-de-açúcar e arroz.

Outras investem em tecnologia agrícola, como a Irriger, que implanta sistemas de irrigação no Sudão desde 2008. Convidada pelo governo, a companhia desenvolve projetos em fazendas de milho, soja, algodão e cana.

Os governos locais oferecem incentivos como isenção tributária e boas condições de financiamento para atrair investimentos estrangeiros.


FRONTEIRA AGRÍCOLA

A savana africana é tida como "o novo cerrado" para a FAO (braço das Nações Unidas para a agricultura e a alimentação). Segundo a organização, a região pode se tornar um centro mundial de produção de grãos e alimentos, já que apenas 10% de sua área agricultável é utilizada.

"A África tem solos férteis, mas falta tecnologia. E isso os brasileiros têm como poucos", diz Gilson Pinesso, diretor do grupo Pinesso, que foi procurado pelo governo sudanês para plantar algodão no país.

Por causa da fertilidade do solo e da menor ocorrência de pragas, Pinesso estima que irá gastar apenas US$ 850 por hectare -menos da metade dos US$ 1.850 de que precisa no Brasil.

"Eles não são bobos", analisa José Rezende, sócio da PriceWaterHouse Coopers. "Do mesmo jeito que saíram do Sul, onde a terra estava cara, e foram para o Centro-Oeste, agora estão vendo oportunidades na África."

O presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby, diz que investir em países africanos pode ser vantajoso pela proximidade com grandes mercados consumidores, como Egito e Arábia Saudita. De acordo com ele, esses países importam, em alimentos, até US$ 70 bilhões por ano.


Continente ainda é desafiador para o investidor
Os brasileiros que se dispõem a investir no continente africano ainda encontram deficiências de infraestrutura, falta de segurança e dificuldades em comprar terras -sem contar a instabilidade política da região.

"[Lá] tudo está sempre começando novamente", diz o professor da USP Geraldo Sant"Ana Barros, que participou de estudo do Banco Mundial sobre perspectivas do agronegócio na África.

Além da questão política, que é apontada como a principal dificuldade da região, Barros cita a "baixíssima" qualificação da mão de obra local e a corrupção.

A legislação territorial é outro problema: para adquirir terras, os empresários têm, em alguns países, que negociar com tribos. Em muitos países, nem sequer existe propriedade: em Angola, por exemplo, as terras pertencem ao governo.

Para o sócio da PriceWaterHouse Coopers, José Rezende, vale o esforço. "Em 20 anos, a África será a bola da vez no agronegócio mundial", diz.


Estelita Hass Carazzai e Luiza Bandeira


Fonte: Folha de São Paulo














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