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Segunda-feira, 21 de junho de 2010 - 09h19m

Pesquisa > Caprinos

CE: avança diversificação de produtos à base de leite de cabra



Sobral/CE

Adaptada a terrenos áridos e de vegetação pobre, a cabra coloca o Nordeste na posição de maior rebanho nacional de caprinos, atraindo investimentos e promovendo convênios com países mediterrâneos na busca de melhores práticas na cadeia de comercialização e melhoria genética. Na primeira quinzena de junho, representantes do setor e de governos da região visitaram Aragon e Múrcia, na Espanha, além de Alentejo e Trás-os-Montes, em Portugal, percorrendo associações, feiras e centros de criação.

O Nordeste concentra 9 milhões de cabeças de caprinos, o que significa 93% do rebanho nacional. Além de 6 milhões de ovinos, número equivalente a 56% de toda a criação brasileira. "Fizemos diversos contatos com essas instituições e o objetivo é interagir em projetos com esses países", explica Francisco Selmo Fernandes Alves, pesquisador e supervisor de comunicação e negócios da área de caprinos e ovinos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa/Ceará).

Para Luiz Alberto Amorim, diretor do Sebrae Paraíba, coordenador do Projeto Aprisco Nordeste e um dos responsáveis pela missão internacional, o modelo de subsistência, predominante na caprinocultura do Nordeste, chegou no seu limiar com o crescimento de demanda. "Nosso propósito é buscar modelos bem-sucedidos e que tenham características próximas com a nossa identidade, como são os casos da Espanha e Portugal, para servir de espelho dentro da visão empresarial que buscamos implementar para o setor", resume.

A forte atuação do Estado na atividade explica os investimentos. Instalada em Sobral, no Ceará, a Embrapa Caprinos e Ovinos será brindada com uma injeção de recursos da ordem de R$ 7,1 milhões ao longo de 2010. Desse montante, cerca de R$ 4 milhões serão provenientes de instituições de fomento como a Fundação Cearense de Pesquisa e Cultura, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) e Banco do Nordeste do Brasil (BNB). O restante virá da "bancada federal do Estado do Ceará através de uma emenda parlamentar".

"Esses investimentos serão distribuídos entre pesquisas, melhoria de infraestrutura, aquisição de equipamentos e na construção de mais um laboratório que abrigará 20 pesquisadores", diz Fernandes Alves. Segundo ele, em 2010, foram desembolsados cerca de R$ 2,2 milhões.

"Hoje temos uma carteira ativa destinada ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar de R$ 801 milhões, envolvendo 219 mil operações. Desse total, R$ 87 milhões, o correspondente a 76 mil operações, são voltados para a ovinocaprinocultura", afirma Luís Sérgio Farias Machado, superintendente de agricultura familiar e micro finança rural do BNB.

O Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), cujo objetivo é promover e difundir conhecimentos técnicos e científicos que subsidiam a ação do BNB, na busca do desenvolvimento sustentável do Nordeste, também disponibiliza uma linha de financiamento ao setor. "Entre janeiro e junho foram consumidos R$ 366 mil em nove projetos nas áreas de pesquisa e difusão de tecnologia", conta José Narciso Sobrinho, superintendente do Etene.

Segundo ele, no início do segundo semestre será lançado um edital no valor de R$ 1 milhão para contemplar o segmento. "Temos uma tecnologia avançada e é preciso difundi-la." Outro ponto que merece destaque na região é o programa de produção de leite de cabra direcionada à merenda escolar na Paraíba e no Rio Grande do Norte. "Esses dois Estados produzem, juntos, diariamente, ao redor de 30 mil litros de leite que vão para a merenda escolar", acrescenta o supervisor da Embrapa.

O município cearense que está sendo beneficiado com a distribuição é Quixeramobim, que recebe cota diária de 500 litros. A produção vem dos municípios de Quixadá, Banabuiú e Choró. A distribuição também atende outros municípios da Região Baixo Jaguaribe, como Quixeré, Limoeiro do Norte, São João do Jaguaribe e Russas. "Após a implantação do Leite Fome Zero (com leite de cabra) em todos os municípios previstos, a quantidade total do leite para consumo do público-alvo será de 2.800 litros leite/dia para o ano de 2010."

A diversificação de produtos à base de leite de cabra também avança no Nordeste. A Embrapa/CE acaba de lançar, por exemplo, o queijo probiótico e o defumado. "Isso estimula a renda de produtores rurais e, ao mesmo tempo, desenvolve novos queijos de leite de cabra com uso de frutas e ervas da caatinga", diz Alves.


Rosangela Capozoli


Fonte: Valor Econômico














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