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Terça-feira, 22 de junho de 2010 - 07h26m

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PR: status livre de aftosa sem vacinação não chega este ano



Curitiba/PR

Dificilmente o Paraná vai conseguir o reconhecimento de área livre de febre aftosa sem vacinação este ano. Apesar do esforço, o Estado não conseguirá cumprir todas as adequações exigidas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) até novembro quando acontece a segunda etapa da campanha de imunização deste ano. Os principais pontos que não permitem que isso ocorra hoje são a falta de pessoal e a necessidade de adequação de todas as barreiras sanitárias e ainda a construção de duas novas.

Ontem, durante uma reunião do Conselho de Sanidade Animal (Conesa), órgão ligado à Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab) representantes de mais de 20 entidades tentaram esclarecer dúvidas sobre o processo, mas muitos voltaram para casa sem respostas. A avaliação do momento é que ainda não há data para suspender a vacinação dos animais.

As principais dúvidas da Sociedade Rural do Paraná ainda são os impactos econômicos que essa medida terá para o produtor e os riscos existentes. O diálogo precisa ser mais aberto e detalhado, disse o presidente da entidade, Gustavo Andrade e Lopes.

O chefe do Departamento de Fiscalização e Defesa Agropecuária (Defis) da Seab, Marco Antonio Teixeira Pinto, disse que a secretaria é que será responsável pela fiscalização em parceira com a iniciativa privada, ou seja, com os produtores. Hoje, há 394 Conselhos Municipais de Sanidade Agropecuária no Estado que podem ajudar neste trabalho.

Um entrave ainda é a necessidade de pessoal. Em 2006, o governo do estado realizou um concurso para médicos veterinários e técnicos agrícolas. Dos 63 que foram aprovados no concurso foram contratados 44. A Seab precisa de 65 médicos e 401 técnicos agrícolas. Foram chamados 48 médicos, mas apenas 15 se apresentaram. Do total de técnicos apareceram 25%.

O chefe do Defis disse que serão necessários investimentos no futuro devido ao pedido que o Estado pretende fazer ao Ministério, mas não tinha uma estimativa de valor porque ainda não foi realizado o orçamento do planejamento anual.

Em relação ao trânsito de animais, não será permitida a entrada no Estado de bovinos e bubalinos vacinados a partir do momento que o Paraná conseguir o status de área livre sem vacinação e isso, segundo ele, será controlado por meio das barreiras instaladas nas regiões de fronteira.

Para Teixeira Pinto, caso ocorra algum impacto negativo, o grande prejudicado seria o produtor que teria recursos do Fundo de Desenvolvimento Agropecuário do Paraná (Fundepec) apenas para situações de emergência, como o surgimento de um novo foco, por exemplo. Hoje, o fundo conta com um caixa de R$ 30 milhões.

Principais impactos
Os principais impactos econômicos positivos seriam para a suinocultura, em um primeiro momento. A obtenção do status também ajudaria muito a avicultura. A carne bovina poderia ser exportada para mercados mais interessantes como Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos.

As ações para manter o status, na opinião do chefe do Defis, dependem da vontade dos produtores, da criação de um sistema cada vez melhor de defesa, da vigilância efetiva e de investimentos na área.

O consumidor teria uma melhora na qualidade e poderia ter aumento de preços com a valorização do produto, o que não ocorreria de imediato. Segundo ele, a reunião teve como objetivo fazer uma espécie de prestação de contas do que o Estado já conseguiu realizar.

Quando o Paraná estiver pronto para suspender a vacinação, o Mapa deverá realizar uma auditoria. Caso esteja tudo certo, após um ano é possível realizar a solicitação para a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), que pode demorar até dois anos para apresentar o resultado.

O secretário estadual de Agricultura, Erikson Camargo Chandoha, disse que o Estado vai precisar ainda de uma estruturação das barreiras sanitárias. A ideia é fazer a licitação das obras onde é possível e, onde não for, realizar parceria com a iniciativa privada. Hoje, há 33 barreiras sendo que 60% delas estão adequadas e o restante precisa de reforma e restruturação. Além disso, será necessário construir mais duas barreiras. A parte que já está pronta é informatização, compra de veículos e móveis.

Risco zero não existe, admitem lideranças
Ainda é cedo para avaliar os riscos aos quais o Estado se expõe com a suspensão da vacinação - pois tudo deverá estar sob controle quando não houver mais as imunizações do rebanho. Agora, o Estado ainda não está pronto. Está se preparando para isso, disse o assessor da Secretaria de Representação do Paraná em Brasília, médico veterinário e pesquisador do Iapar, Inácio Kroetz.

Para ele, o Paraná precisa atingir quatro condições básicas. A primeira seria ter recurso humano capacitado, suficiente, motivado e bem remunerado. Além disso, ter certeza de uma garantia de orçamento para médio e longo prazo para investimento e custeio. Também é fundamental a garantia da participação do setor privado e um sistema de alerta permanente. Kroetz prevê aumento das exportações em valor, mas não em volume.

O presidente do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Paraná (Sindicarne-PR), Péricles Salazar, afirmou que é preciso avançar para atingir o status de forma organizada. Acredito que não será possível tirar a vacinação até novembro, disse. Risco zero não existe, afirmou Salazar, que também credita à falta de pessoal treinado o fato de o Estado não estar pronto para a obtenção do título. Salazar não tem uma estimativa de aumento das exportações.

O diretor executivo do Fundepec e representante da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Ronei Volpi, disse que o fim da vacinação depende de segurança sanitária e estrutura de defesa exemplar, além da consciência de sanidade de todos os agentes do agronegócio. Precisa ter pessoal e estrutura física compatível com o status, o que o Estado não conseguiu concluir, disse. Ele também acredita ser muito difícil deixar de vacinar os animais em novembro. O reconhecimento será um carimbo de qualidade dos serviços de defesa sanitária, destacou.


Andréa Bertoldi


Fonte: Folha de Londrina














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