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Terça-feira, 22 de junho de 2010 - 17h10m

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SP: representante da Unesco chama a atenção para a militarização e polarização da nanotecnologia



São Pedro/SP

Durante a abertura da Conferência Internacional sobre a aplicação de Nanotecnologia na Alimentação e Agricultura, que está sendo realizada até sexta-feira (25), no hotel Colina Verde, em São Pedro-SP, o chefe do Setor de Ética, Ciência e Tecnologia da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), John Crowley, apontou cinco desafios nos quais os cientistas deverão se debruçar ao desenvolver pesquisas envolvendo a nanotecnologia.

O primeiro deles é a preocupação com os efeitos tóxicos da aplicação da nanotecnologia tanto em seres humanos quanto no meio ambiente. Outra questão levantada por Crowley é a escala, ou seja, o tamanho, em que são desenvolvidas as pesquisas, o que dificultaria a criação de equipamentos para realização de testes.

O terceiro desafio é relativo aos fenômenos físicos. De acordo com Crowley, esses fenômenos que ocorrem em pesquisas desenvolvidas à base de nanotecnologia são diferentes do que acontecem em outras áreas. Os dois últimos desafios levantados por Crowley, a militarização da ciência e a polarização do conhecimento são questões, no mínimo perturbadoras.

O chefe da UNESCO afirmou que há uma grande preocupação quanto ao uso da nanotecnologia na fabricação de armas militares e que dificilmente se conseguiria identificar os efeitos ambientais dessa aplicação. Quanto à polarização, o receio é parte do mundo deter o conhecimento para desenvolver tecnologias à base de nanotecnologia em detrimento de outros, o que poderia agravar as condições dos países menos desenvolvidos.

Além de Crowley, participaram da abertura da conferência a oficial de Nutrição da Divisão de Nutrição e de Defesa do Consumidor da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), Renata Clarke; o coordenador de Nanotecnologia do Ministério da Ciência e Tecnologia, Alfredo Mendes, diretor do Departamento de Inovações Tecnológicas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, João Batista Lanari Bó; o diretor Científico da Comissão Científica e Fórum Consultivo de Segurança Alimentar da Europa, David Carlander; representante do Canadá, Rickey Y. Yada; o pesquisador do Instituto de Investigação de Política Alimentar (IFPRI), Clare Narrod, o professor Sérgio Mascarenhas do Instituto de Estudos Avançados da USP (São Carlos-SP), e o chefe geral da Embrapa Instrumentação Agropecuária, Álvaro Macedo da Silva.

Renata Clarke disse acreditar no potencial das pesquisas desenvolvidas à base de nanotecnologia para ajudar a resolver problemas, como a fome que assola o planeta, com mais de um bilhão de pessoas famintas. Porém, afirmou que todos devem se preocupar com a melhoria do alimento seguro, com a transferência de tecnologia para os menos favorecidos. “Todos devemos trabalhar para melhorar o amanhã”, concluiu.

Esta é a primeira vez que especialistas de diversas partes do mundo estão discutindo os impactos da nanotecnologia em produtos envolvendo alimentos e agricultura. Cerca de 200 pessoas, entre especialistas no assunto do Brasil e do exterior, pesquisadores e estudantes de pós-graduação participaram da abertura da conferência.

A FAO vai promover debates durante o evento com representantes de instituições internacionais, como Organização das Nações Unidas (ONU), Organização Mundial da Saúde (OMS), Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD), Grupo Consultivo para a Pesquisa Agrícola Internacional (CGIAR), entre outras. As discussões auxiliarão nas diretrizes futuras destes órgãos, seja no incentivo a atividades de pesquisa e desenvolvimento, como na orientação de normas, regulamentos e protocolos para avaliação da segurança do uso de Nanotecnologias nestas áreas.

O evento é promovido pela Embrapa Instrumentação Agropecuária, São Carlos (SP), Institutos de Estudos Avançados (IEA) da USP São Carlos e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a convite da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO).


Fonte: Embrapa














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