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Sexta-feira, 25 de junho de 2010 - 07h15m

Política Agrícola > Trigo

PR: Faep tentar reverter decisão sobre preço mínimo do trigo



Além de prejudicial ao setor, a medida é considerada ilegal pela entidade pois foi determinada quando 87% da área da cultura já estava plantada no Estado.


Curitiba/PR

A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) encaminhou ontem documento ao governo federal solicitando a revisão da redução dos preços mínimos do trigo, anunciada na quarta-feira pelo Ministério da Agricultura (Mapa). A Faep alega que além de ser prejudicial ao setor, a medida é ilegal, já que foi determinada quando 87% da área da cultura já foi plantada no Estado. O mínimo, que serve para balizar o mercado e garantir renda ao produtor em caso de problemas com a safra e a comercialização, sofreu redução de 10%, com valores que variam R$ 19,90 a R$ 29,97. Na ocasião, o ministro da pasta, Wagner Rossi, disse que a medida havia sido um consenso no governo e ocorreu em função do alto valor fixado anteriormente.

Para Pedro Loyola, economista da Faep, a medida deveria ter sido tomada antes do início do plantio da cultura. Existem regras para se fixar os preços mínimos e o governo não levou isso em conta. O setor foi pego de surpresa, lamentou, destacando que o trigo está na safra 2010, que o governo já anunciou o plano safra 2010/11 e nenhum preço mínimo foi reduzido. Loyola ressaltou que a redução de preço mínimo é descabida se for levado em conta que o custo operacional do trigo no Paraná, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), é de R$ 32.

Ao invés do governo trabalhar para estimular o setor, com melhor infraestrutura de escoamento da safra, por exemplo, trabalha contra nós, reclamou. Segundo o economista da Faep, alguns produtores que ainda não plantaram o grão entraram em contato com a entidade e adiantaram que se a medida não for revertida não vão produzir trigo este ano.

Cenário pior
Se isso ocorrer, o cenário de produção do grão no Estado só tende a piorar. Este ano, segundo a Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), até o momento a área de plantio do grão sofreu redução de 13% em relação ao ano passado, passando de 1,3 milhão de hectares para 1,14 milhão. A produção tem expectativa de crescimento, já que no ano passado, por conta de problemas climáticos, as perdas foram altas. A previsão é colher 3,06 milhões de toneladas, cerca de 30% a mais que 2009. O Paraná produz mais de 50% do volume brasileiro.

Além de colocar as questões ilegais da medida, o comunicado da Faep encaminhado ao governo federal, incluindo o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, aponta as dificuldades e necessidades do setor. Na nota, a entidade reclama que os produtores sempre atenderam aos pedidos do governo federal para aumentar a produção do cereal, mas nunca foram recompensados devidamente por isso. Além disso, aponta que desde 2009 o preço pago aos produtores de trigo é humilhante, hoje está em média R$ 23,02 a saca de 60kg, conforme a Secretaria da Agricultura do Estado do Paraná (Seab).

E para agravar a situação, a federação levanta que os produtores e cooperativas paranaenses ainda não receberam R$ 290 milhões do trigo que foi vendido ao governo federal via Aquisições do Governo Federal (AGF) ou na modalidade de Prêmio de Escoamento da Produção (PEP). Os atrasos chegam a mais de seis meses. As cotações internas do grão não reagiram e o Paraná tem 500 mil toneladas de trigo encalhadas sem comercialização.

Portaria
A portaria ainda não foi publicada, mas conforme o comunicado do Mapa começa a valer a partir de 1º de julho. Os preços mínimos que serão adotados na região Sul durante a safra 2010/2011 vão variar de R$ 19,20 - o trigo brando tipo 3- a R$ a 29,97 - o trigo melhorador tipo 1. Apesar da queda, em nota enviada na quarta-feira pela assessoria do Mapa, o ministro descartava impacto negativo no setor, pois o preço continua em nível superior ao praticado nas principais regiões produtoras de trigo no Brasil. O valor é quase 50% acima do que é pago no Paraná e não é possível manter essa situação. O agricultor não pode produzir para entregar ao governo, mas ao mercado, disse Rossi.

Loyola frisou que a federação aguarda uma resposta imediata do governo federal. O economista acrescentou que a Faep fará tudo o que for possível para reverter essa decisão. Se não for possível resolver de forma amigável, vamos entrar na justiça, reforçou.

Como fica
- Os preços mínimos do trigo do Sul vão variar de R$ 19,20 (o trigo brando tipo 3) a R$ a 29,97 (o trigo melhorador tipo 1) durante a safra 2010/2011

- O custo operacional do trigo no Paraná é de R$ 32, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab)

- Até o momento a área de plantio do grão já contabiliza redução de 13% em relação ao ano passado, passando de 1,3 milhão de hectares para 1,14 milhão.

- A produção, entretanto, tem expectativa de crescimento de 30%, já que no ano passado, problemas climáticos pomoveram perdas elevadas. A previsão é colher 3,06 milhões de toneladas

- O Paraná produz mais de 50% do volume brasileiro


Para Ocepar medida é extremamente negativa
Segundo o presidente da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), João Paulo Koslovski, a medida do Ministério da Agricultura de reduzir o preço mínimo do trigo é extremamente negativa para o setor. Koslovski reclamou que a entidade não foi consultada pelo governo federal antes da medida ser divulgada. E também pontuou que se o governo tivesse sinalizado com essa mudança antes do início da safra, muitos produtores deixariam de produzir o grão.

Estamos trabalhando para ter uma política de garantia de renda ao produtor de trigo, inclusive com o governo federal, e eles decidem diminuir o mínimo. Isso é inaceitável, pontuou o representante das cooperativas. A política adotada pelo governo, acrescenta ele, prejudica o setor e favorece, por exemplo, a geração de empregos em outros países produtores do cereal - e que vendem para o Brasil - como a Argentina.

O governo precisa atuar de forma mais estratégica, não é possível criar uma política de garantia de renda dessa forma. É preciso se levar em conta que o setor está sujeito às intempéries, frisou. Koslovski concluiu que a medida significa um retrocesso para o setor e que ao decidir mudar as regras no meio do jogo, o governo jogou contra os produtores.

Para Francisco Carlos Simioni, chefe do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), a medida não agradou ninguém no Estado. Não agradou o governo nem o produtor, reforçou. Se a medida não for revertida, observou, a expectativa ficará nas aquisições do produto pela indústria nacional. Concretizando a previsão de mix do trigo, a indústria vai comprar maior quantidade do produto brasileiro e isso poderá minimizar o impacto da medida, disse.

Simioni observou que apesar da redução de preço mínimo ser negativa para o Estado, o Mapa deve ter tomado essa medida para ajustar os preços. Segundo ele, o preço mínimo vinha de um momento em que as commodities estavam valorizadas, como em 2008. E, depois da crise financeira mundial, foram desvalorizadas e o mínimo continou. Mesmo assim considera que a medida não favorece o produtor paranaense, pelo contrário.

Erika Zanon


Fonte: Folha de Londrina














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