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Sábado, 26 de junho de 2010 - 13h17m

Bancos > Crédito Rural

DF: bancos deixam de aplicar R$ 531 milhões no crédito rural



Instituições descumprem exigência de aplicação de 30% dos recursos captados por meio de depósitos à vista.


Brasília/DF

Dados do Banco Central (BC) mostram que nos últimos cinco meses os bancos deixaram de direcionar R$ 531 milhões para o crédito rural, dentro da exigência de aplicação de 30% dos recursos captados por meio de depósitos à vista nesse segmento. Em outros momentos, o descumprimento dessa obrigação foi ainda maior. Em agosto do ano passado, por exemplo, as instituições financeiras deixaram de aplicar um total de R$ 1,8 bilhão no crédito rural. Quando deixam de cumprir essa obrigação, os bancos têm que recolher o dinheiro junto ao BC, sem remuneração.

Ao anunciar a elevação do depósito compulsório sobre depósitos à vista no mês que vem de 42% para 43%, o BC estimou que a medida vai retirar R$ 1,6 bilhão. Mas essa conta considera o cumprimento de todas as exigibilidades. Ou seja, se em julho os bancos mantiverem o descumprimento no nível de maio, a alta do compulsório retiraria na prática cerca de R$ 1,1 bilhão, já que os outros R$ 500 milhões teriam que obrigatoriamente ser depositados no BC pelo descumprimento da regra.

O ex-diretor do Banco Central Carlos Thadeu de Freitas enxergou, na elevação do compulsório sobre depósitos à vista, um sinal do BC na direção de restringir o crédito para conter a demanda interna. Apesar de o volume a ser retirado do mercado não ser muito grande, Freitas avalia que a autoridade monetária está mostrando ao mercado que tem ainda instrumentos adicionais à alta dos juros para conter o ímpeto da economia e evitar a alta na inflação. O BC poderia deixar a exigibilidade de aplicação em crédito rural cair sem alterar o compulsório. Ao não fazer isso, passa um sinal de que não quer ver redução nos spreads bancários e que pode atuar mais para frear o crédito, afirmou. Para mim, isso é o BC dizendo que pode fazer mais para conter a demanda.

O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, afirmou que a oferta de crédito rural não sofrerá impactos das medidas de redução, até 2015, da exigibilidade destinada ao setor, de 30% para 25% sobre os depósitos à vista, anunciadas hoje pelo BC. Segundo o ministro, apesar da redução para 29% em julho, primeiro mês da safra 2010/11, os recursos, de R$ 100 bilhões para a agricultura empresarial, também estão garantidos.

Rossi lembrou que na safra 2009/2010, que termina este mês, não foram tomados entre R$ 9 bilhões e R$ 10 bilhões dos R$ 92,5 bilhões oferecidos em crédito agrícola, e que os recursos para o crédito rural vêm ainda de outras fontes. No momento estamos com disponibilidade de crédito adequada e neste último ano agrícola sobrou um pouco; além disso, o crédito oferecido para a agricultura é um mix que vem dos recursos compulsórios, de recursos do Tesouro e de fontes de crédito estatal, explicou o ministro.

As autoridades do BC ponderaram esses pontos em um cenário de abundância de crédito; mas é claro, não podemos pensar em dificultar crédito para a agricultura, disse Rossi. De acordo com o ministro, o BC vai acompanhar a situação do crédito rural e se houver algum problema na redução do compulsório serão feitos outros ajustes. (AE)


Fabio Graner e Gustavo Porto


Fonte: Folha de Londrina














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