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Terça-feira, 29 de junho de 2010 - 07h20m

Agronegócio > Citros

PR: laranja ganha preço e mercado



Paranavaí/PR

Os produtores de laranja do Paraná estão começando a colher a safra que promete ser uma das melhores dos últimos anos, principalmente em relação aos preços do produto. A animação nos pomares paranaenses é reflexo da queda na safra internacional e na produção de São Paulo que também está em baixa. Por isso, a expectativa do produtor é fechar a safra com a caixa de laranja (40,8 quilos) valendo até R$ 12, mais que o dobro dos R$ 5,20 do fechamento da safra anterior, que terminou no começo deste ano.

Um dos grandes produtores de laranja de Paranavaí, João Luiz Pasquali, espera colher 150 mil caixas nesta temporada. Ele ocupa os 247 hectares da propriedade com a cultura e afirma que, nesta década, ainda não sabe o que é lucrar com a atividade. “Tra­­balhamos os últimos anos no vermelho, mas mantivemos a produção de olho numa reação como a que está prevista para este ano.” Pasquali alega que o custo de produção de uma caixa de laranja está em R$ 6 e qualquer preço abaixo disso inviabiliza a cultura. “Na safra passada vendemos a caixa a R$ 5,20 e passamos apurados para pagar as contas.” E o que anima ainda mais é que a previsão é positiva também para os próximos anos.

Segundo Paulo Andrade, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual da Agricultura (Seab), a previsão positiva para a safra paranaense em 2010 ocorre porque dois dos grandes produtores mundiais enfrentam problemas e queda de mais de 10% na produção. Um deles é o estado de São Paulo, onde o ataque do greening (uma das pragas mais terríveis da citricultura e que obriga o corte da planta infectada) se acentuou nos pomares.

O outro é o estado norte-americano da Flórida que viu sua produção despencar por causa da nevasca no inverno passado e também do greening. No Paraná a doença também tem aparecido, mas sem comprometer a produção. José Croce Filho, técnico em sanidade de citricultura da Seab, informou que a doença está sob controle e há um esquema rigoroso de fiscalização nas propriedades para evitar o ataque do greening e outras pragas como a pinta preta e o cancro cítrico.

Produção no estado
O Paraná entrou na cultura da laranja em 1988. Até aquele ano, chegava a importar de São Paulo 97% da fruta para o consumo e indústria. Agora, o estado está com 23 mil hectares e registra um crescimento de 7% ao ano, segundo dados fornecidos pelo Deral. Os números da produção na safra passada ainda estão em fechamento, mas deve ficar em torno de 16 milhões de caixas de 40,8 quilos cada, desempenho similar ao previsto para a o ciclo atual. Com isso, o estado reduziu para 60% a importação de laranja de São Paulo, conforme o Deral.

A maior região produtora do Paraná é a de Paranavaí, com 45% da área, seguida por Maringá, com 22%, Londrina, 13% e Umua­­rama, 5%.

Osmar Nunes

80% da produção estadual vira suco concentrado

Paranavaí e Maringá - Em torno de 80% da produção estadual vai para a produção de suco concentrado. Na safra passada, a produção foi de 30 mil toneladas do suco e a estimativa para a safra atual é de que este número cresça em torno de 20%. Aproximadamente 90% do suco produzido é exportado, principalmente para a União Européia.

Somente a Citri Agroindus­­trial, de Paranavaí, prevê a produção de 12 mil toneladas de suco concentrado em 2010 com a industrialização de 3 milhões de caixas de laranja. Segundo Paulo Pratinha, diretor da indústria, 100% da produção é exportada. Ele evita falar em preços. Adianta apenas que as expectativas são positivas para o setor.

A Cocamar Agroindustrial, que controla outra grande indústria de suco em Paranavaí, é responsável por cerca de 40% da produção estadual da fruta. A cooperativa prevê receber 3,9 milhões de caixas nesta colheita, que teve início neste mês na região Noroeste do Paraná. Do total, cerca de 180 mil caixas devem ser comercializadas in natura. A produção deste ano será um pouco abaixo da de 2009, quando foram processadas 4,5 milhões de caixas.

De acordo com o coordenador técnico Leandro Teixeira, a produção desse ano será semelhante à de 2009 devido ao período de chuvas. “Como tivemos muita chuva, não houve estresse necessário para a planta garantir uma boa florada. No entanto, teremos um bom nível de produtividade, com frutos de bom tamanho e maturação uniforme” explicou.

Segundo a assessoria da Cocamar, a indústria de sucos em Paranavaí está operando em três turnos desde o último dia 7 e deve rodar até o dia 31 de dezembro. Devem ser produzidas neste período 15 mil toneladas de suco concentrado de laranja, o que representa cerca de 3 mil toneladas a menos do que o ano passado.

Opção para região

A laranja se tornou opção para os produtores rurais da região Noroeste por volta de 1989, mas ganhou força nos últimos dez anos, segundo Leandro Teixeira. “Por ser uma planta perene, ela se adapta bem ao solo arenoso da região e não sente tanto a falta de chuvas como outras culturas.”

Atualmente, a Cocamar conta com 250 produtores de laranja no Noroeste paranaense. A maior parte está concentrada na região de Paranavaí. Entre os que decidiram apostar na fruta está Altevir Augusto Bortoluzzi, que tem 96,8 hectares de laranja com 36 mil pés em Floraí. Desse total, 48,4 hectares ou 17 mil pés estão em sua primeira “safra cheia”, das variedades Iapar 78 (a primeira a ser colhida), Pêra, Folha Murcha e Valência. Ele acredita que vai colher de 21 a 27 mil caixas, além da catação de 6 mil caixas em 10 mil pés que têm três anos e meio. Na avaliação do agricultor, sua produtividade média, de uma caixa e meia a duas por planta, é boa para a idade do pomar.


Estado adota rigor para conter o avanço de pragas e doenças
Maringá e Paranavaí - Termina no próximo dia 15 de julho o prazo para a entrega do relatório de inspeção do greening referente ao 1º semestre deste ano. A apresentação pode ser feita nas unidades da Secretária da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab). Caso não entregue o relatório, o agricultor estará sujeito às sanções da lei, incorrendo desde simples notificação a multa, que pode chegar a R$ 5 mil dependendo da gravidade da infração.

O agrônomo da Seab, José Croce Filho, informou que o citricultor deve fazer, no mínimo, duas inspeções de greening por semestre. “Já temos casos de produtores de Paranavaí que foram multados e as sentenças estão sendo publicadas no Diário Oficial da União. Dos 399 municípios do Paraná, 54 já apresentam ocorrências de greening e esse número tem aumentado a cada semestre. Por isso não podemos facilitar. A doença está espalhada desde Jacarezinho até Umua­rama”, informa.

No ano passado, 92% dos agricultores paranaenses entregaram o relatório dentro do prazo previsto, 4% foram notificados e o apresentaram posteriormente e 4% não entregaram. “Com o aquecimento do mercado de laranja, temos percebido que os produtores estão mais conscientes neste ano. Acreditamos que a entrega de documentos seja igual ou maior que a do ano passado”, prevê.

Na opinião de Croce Filho, o ataque das pragas no Paraná ainda é menor porque os pomares são novos, implantados dentro de técnicas modernas e a maioria integrada ao sistema cooperativista, que dá todo o suporte necessário aos produtores.

“Pragueiro”
A cultura da laranja, assim como outras atividades no meio rural, exige atenção especial dos produtores e técnicos para evitar o ataque de doenças. Na região Noro­este existe até a figura do “pragueiro” um profissional que atua percorrendo os pomares diariamente a fim de identificar possíveis ataque de greening, pinta preta, cancro cítrico ou outra praga. É que quando diagnosticada no começo, a planta contaminada é eliminada e evita a propagação para a lavoura toda ou, se for o suficiente, é feito o tratamento.

Osmar Nunes e Marcus Ayres


Fonte: Gazeta do Povo














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