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Terça-feira, 29 de junho de 2010 - 07h49m

Agricultura > Plantio Direto

PR: Plantio Direto na Palha leva sustentabilidade aos campos da América do Sul



Foz do Iguaçu/PR

O avanço das fronteiras agrícolas abriu espaço para diversas correntes que acusam a produção de alimentos em larga escala e, mais recentemente, a febre dos biocombustíveis como os principais responsáveis pela degradação do meio ambiente. Ao mesmo tempo em que a devastação de florestas que deu lugar a grandes plantações e pastagens trouxe inegáveis malefícios à vida no planeta, a solução para os problemas mais latentes dá sinais de que virá do próprio campo.

“Ainda estamos muito longe de vermos a agricultura ameaçada. Mas nem por isso temos que agir como se fôssemos donos do planeta. Há muito o que se co­­nhecer sobre como as coisas funcionam. E cabe a nós o principal papel: salvarmos o mundo”, aponta o agricultor Victor Trucco, um dos primeiros a levar para a Argentina o sistema de Plantio Direto na Palha (PDP). Defensor de técnicas conservacionistas, garante que as alternativas que prometem resultados mais eficazes e rápidos estão nas mãos dos agricultores.

Para Trucco, tudo depende de uma flexibilização do ponto de vista: “se dar conta sobre as mu­­danças”, preparar-se para elas e aplicar as soluções mais viáveis. O pioneiro lembra que técnicas de plantio que pareciam muito distantes e que não se adaptariam ao clima e ao solo argentino vêm ganhando espaço no país. “Com o tempo, a soja passou a ser tratada como um problema a ser eliminado, uma ameaça ambiental da monocultura com fins puramente econômicos. Foi quando conheci uma técnica interessante. O plantio direto não afastava totalmente a soja do cultivo, mas a aliava a outras culturas, além de trazer garantias para o solo, para a água e para o ar.”

A palavra-chave nesse mo­­men­­to, observa o pioneiro da técnica no Brasil, Nonô Pereira, é a sustentabilidade, termo que mais caracteriza o PDP. “Temos nas mãos uma ferramenta que vem mostrando ser ecologicamente correta, que garante produtividade e mais lucratividade, e que terá um importante papel na redução da emissão de gases do efeito estufa, além de transformá-los em nutrientes para o solo.” O reconhecimento oficial, conta o companheiro de experiências, Herbert Bartz, chegou no ano passado com a Medalha Apolônio Salles, entregue pelo presidente Lula.

Sistema ainda novo, inserido há menos de 40 anos nos países do Cone Sul, o PDP já nasceu baseado em princípios ecologicamente corretos. “Enquanto nem sem falava em meio am­­biente, na década de 70, nós já começávamos a mudar essa situação, zelando pelo solo e pela água limpa. Aquela experiência, hoje cada vez mais difundida, está perfeitamente de acordo com o desenvolvimento sustentável”, lembra Bartz. A opinião é reforçada pelo colega paraguaio Erni Antonio Schlindwein, ao alertar que tais resultados não são obtidos com ações isoladas.

Alcançando grande receptividade também no Chile, a técnica é apontada como um dos principais estímulos à pesquisa sobre o comportamento da agricultura. “Graças a essa revolução que temos observado em nosso país e nos vizinhos, conquistamos uma posição privilegiada, longe de cometer os erros dos países desenvolvidos”, observa. Ele aponta que a região vem crescendo já engajada na ideia de que o futuro está nas lições do passado, que o solo é que realmente alimenta o homem e que o plantio direto é para hoje, para ontem e para sempre.

Técnica cobre quase 90% da área no Paraguai

As quantidades preocupantes de solo perdido pela erosão no início dos anos 80 exigiram dos agricultores paraguaios soluções rápidas e eficientes para o problema. A constante troca de experiências por con­­ta da grande presença de brasileiros no país teve significativa importância na mudança de técnicas de preparo da terra para o plantio. Um dos últimos da América do Sul a ado­­tar o sistema, o país vizinho tem hoje quase 90% da área cul­­tivada coberta pelo Plantio Di­­reto na Palha, posição privilegiada quando o assunto é sustentabilidade.

“As chuvas torrenciais e a erosão faziam nosso solo sangrar. As enxurradas lavavam todos os nutrientes da terra, quase toda levada até os rios. Chegamos a ter quase 700 toneladas de solo perdidas por ano”, conta Erni Antonio Schlin­dwein, responsável por levar e disseminar o PDP no Paraguai. No começo, lembra, as dificuldades eram grandes, intensificadas pela falta de informações e de equipamentos adequados. “O jeito foi improvisar.”

Custos
Com o tempo, observo u-se que, além de ser uma excelente solução para a erosão, o PDP ainda ajudava a aumentar o rendimento e reduzir os custos de produção. Vendo na prática as vantagens da nova técnica divulgada pelas cooperativas com incentivos de programas do governo, outros agricultores começaram a adotá-la. Perceberam na rotatividade de culturas um importante benefício econômico, plantando e colhendo durante todo o ano.

Fabiula Wurmeister


Fonte: Gazeta do Povo














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