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Terça-feira, 29 de junho de 2010 - 15h03m

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DF: livro da Embrapa Cerrados apresenta resultados de pesquisa do Projeto Unaí



Planaltina/DF

O agricultor familiar Valdeneir Feitosa da Silva, mais conhecido como senhor Irim, é um dos agricultores que participou do Projeto Unaí: pesquisa e desenvolvimento em assentamentos de reforma agrária. No assentamento onde ele vive com a esposa e filhos ocorreram muitas mudanças tanto nos aspectos produtivos quanto sociais no transcorrer do projeto. Houve um significativo aumento da produção de leite, hoje a principal atividade das 43 famílias do assentamento, além de melhorias sociais, com destaque para a construção da ponte que facilita o acesso ao assentamento e a melhoria do nível de escolaridade por meio da instalação de salas de educação para adultos.

Um livro sobre o projeto foi organizado pela Embrapa Cerrados - Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), localizada em Planaltina (DF), com o objetivo de contar como foi realizado esse trabalho iniciado em 2002 no município mineiro de Unaí, distante cerca de 140 quilômetros de Brasília. O lançamento da publicação ocorrerá no dia 8 de julho, na Sede da Embrapa Cerrados, durante solenidade em comemoração aos 35 anos da Unidade.

No início de maio, agricultores e técnicos do município de Querência (MT) visitaram o assentamento Santa Clara-Furadinho e conheceram de perto experiências dos assentados com o Projeto Unaí. “Às vezes parece que vocês estão falando da gente. Só que lá os desafios são maiores, pois as pessoas possuem culturas muito diferentes”, contou Silvano Pereira Viana, um dos agricultores do município matogrossense presentes na visita. Os visitantes puderam conhecer de perto experiências como a do senhor Irim. Há 14 anos morando no assentamento com a esposa, Eunice Pereira, e os três filhos, o agricultor contou aos visitantes as mudanças que ocorreram nos últimos anos na vida da família, principalmente depois do envolvimento dela no projeto.

A esposa do agricultor, Eunice Pereira, destacou que, para ela, um dos motivos do êxito do Projeto Unaí foi que, antes de iniciar o trabalho, os pesquisadores e técnicos procuraram saber o que a comunidade queria. “Eles foram diferentes nesse ponto. Não chegaram aqui dizendo o que era ou não melhor que a gente fizesse. Isso foi muito importante”, avalia. O planejamento das atividades foi feito em conjunto entre os pesquisadores e os agricultores. Os estudiosos defendem a importância dessa participação dos agricultores em todas as etapas do processo de pesquisa, desde a definição de demandas e prioridades, até a avaliação e validação dos resultados.

Ações prioritárias

Na primeira fase do trabalho foi realizado um diagnóstico no qual os assentados identificaram os problemas enfrentados por eles e as potencialidades a serem exploradas. Num segundo momento, esses dados foram utilizados no chamado Planejamento Estratégico Participativo (PEP), quando foram definidas as ações prioritárias, gradativamente colocadas em prática. Uma das prioridades destacadas pelos agricultores foi a necessidade de aquisição de um tanque coletivo para resfriamento do leite – conseguido por meio de uma parceira com a Fundação Banco do Brasil, cujo projeto foi feito sob a orientação da equipe de pesquisadores e técnicos do Projeto Unaí.

A aquisição do tanque foi fator primordial de incentivo para os agricultores, que passaram a entregar o leite para a cooperativa – antes eles vendiam para intermediários. “Agora temos lugar certo de entrega, não temos tantos altos e baixos. Isso acabava desestimulando a produção. Se isso não tivesse acontecido provavelmente eu já teria desistido e ido para a cidade”, contou o senhor Irim.

Hoje as 13 vacas que o assentado possui em seu lote de 26 hectares produzem 150 litros de leite por dia. “Não imaginava que conseguiria uma produção tão grande. No início do projeto, quando me perguntaram quantos litros eu queria produzir, falei que se tirasse 30 litros por dia estava bom. Hoje, meu objetivo é chegar aos 300”, conta. Atualmente, o agricultor já possui em sua propriedade o seu próprio tanque de resfriamento. “Só comprei este, pois antes adquirimos o coletivo. Uma melhoria leva a outra. Com tudo o que estou aprendendo e praticando, quero aumentar a produção de leite para dar uma vida mais digna para a minha família”, afirmou. No início, o agricultor vendia praticamente toda a sua mão-de-obra, como muitos chefes de família do assentamento. Agora já conseguiu um nível de produção que garante a sua permanência no lote.

O processo de gestão dos tanques coletivos, baseado na discussão das regras de funcionamento, no registro das produções e gastos e na prestação de contas mensalmente, foi fundamental para o sucesso do projeto coletivo dos agricultores. Na sequência, as famílias viabilizaram as salas de educação para adultos e a ponte, aspectos também priorizados no planejamento participativo.

Segundo o pesquisador da Embrapa Cerrados Marcelo Nascimento de Oliveira, líder do projeto, esse processo de desenvolvimento foi possível devido à melhor participação da comunidade nas atividades . “A evolução foi grande por conta da mudança de postura deles, de uma atitude passiva para o protagonismo ”, afirmou. Nesse contexto, destacam-se também como resultados de pesquisa a validação de métodos de trabalho adaptados às condições dos agricultores, como o PEP, assim como a articulação entre inovações técnicas destinadas ao aumento da produção e inovações sociais como o manejo de tanques coletivos de resfriamento de leite.

O projeto

O município de Unaí possui 28 projetos de assentamento (PA). O Projeto Unaí atuou diretamente em três deles: Santa Clara - Furadinho, Jiboia, e Paraíso. Eles foram selecionados por representarem a diversidade de condições socioeconômicas e ambientais da reforma agrária da região, de modo que as referências técnicas e sociais geradas pudessem ser úteis para o conjunto dos assentamentos.

As linhas de ação que serviram de base para o projeto foram o fortalecimento das organizações dos agricultores; melhoria do processo produtivo; manejo dos recursos naturais e da fertilidade do solo, destaque aqui para a adoção do plantio direto por parte dos assentados; e a busca de estabelecimento de relações favoráveis com o mercado. A próxima etapa será iniciada em setembro. Nesta fase, será feito um monitoramento e avaliação de espaços coletivos para a construção social de mercados pela agricultura familiar de Unaí.

O projeto é desenvolvido em parceria com o Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento da França (Cirad). Também são parceiros o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), a Superintendência Regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra/SR 28), a Universidade de Brasília, o CNPq, e o Ministério dos Assuntos Exteriores da França, por meio da Embaixada da França no Brasil.

O projeto conta ainda com o apoio das associações dos assentamentos do município, da Cooperativa Agropecuária de Unaí (Capul), Cooperativa de Assessoria Técnica para o Desenvolvimento Sustentável (Coopatec), Empresa de Assistência Técnica e Extensão de Minas Gerais (Emater-MG), Escola Agrícola de Unaí, Prefeitura Municipal, Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Unaí e Faculdade de Ciências e Tecnologia de Unaí (Factu).


Fonte: Embrapa Cerrados














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