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Quinta-feira, 01 de julho de 2010 - 09h30m

Agronegócio > Soja

SP: sem Argentina, China compra mais óleo de soja brasileiro



São Paulo/SP

A China aumentou o volume de compras de óleo de soja do Brasil e adquiriu entre 400 mil e 500 mil toneladas do produto, após a Argentina adotar tarifas antidumping sobre alguns produtos chineses. Com isso, cerca de 206 mil toneladas devem ser entregues aos asiáticos em junho, enquanto uma média de 150 mil toneladas será embarcada no próximo mês. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), a aquisição chinesa não alavancou as exportações brasileiras, que se mantiveram em 22% em termos relativos.

"De janeiro a maio de 2009, o Brasil exportou uma média de 143 mil toneladas de óleo de soja para os chineses. No mesmo período de 2010, houve uma queda para quase 90 mil toneladas. Caiu porque a [exportação] total teve queda na mesma magnitude", disse Fábio Trigueirinho, secretário da Abiove. E completou: "Em 2009, também de janeiro a maio, o País embarcou, no total, aproximadamente 655 mil toneladas de óleo de soja para os demais países. Neste ano [em igual período], foram vendidas 410 mil toneladas. O Brasil exportou menos, por isso não compensou de forma alguma a lacuna deixada pela Argentina [principal fornecedor de óleo de soja]".

Segundo a Oil World, em junho, os Estados Unidos concretizaram sua primeira venda de óleo de soja para a China, desde abril do ano passado, e ainda há expectativas de mais vendas, uma vez que o país asiático procura alternativas à oferta argentina. A consultoria, que tem sede em Hamburgo (Alemanha), estima que os norte-americanos podem embarcar mais ou menos 115 mil toneladas de óleo de soja para os chineses, das quais a maior parte será entregue em julho.

Flávio Roberto de França Junior, diretor de Produção da Safras & Mercado e analista de soja, contou que, se a Argentina não atendesse à demanda chinesa, Brasil e Estados Unidos não teriam condições de tampar o buraco aberto, já que a China é uma grande consumidora de óleo de soja. "Eles [chineses] estão comprando mais grão para processar o produto no país e transformá-lo em óleo", afirmou.

China compra mais grão
Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), as exportações chinesas de grão saltaram de 41 milhões de toneladas para 47 milhões de toneladas, embora, segundo França Junior, o mercado acredite que esse número seja maior. Até maio de 2010, os chineses compraram quase 30 milhões de toneladas.

Para França Junior, "não dá para saber até quando a China vai importar um maior volume de óleo de soja do Brasil".

Segundo a Oil World, a China vai comprar pelo menos 700 mil toneladas de óleo de soja entre julho e setembro, o suficiente para cobrir suas necessidades, mas abaixo das 782 mil toneladas importadas no mesmo período de 2009. Ainda de acordo com a Oil World, "as amplas aquisições chinesas de óleo de soja brasileiro vão provocar uma apreciação dos preços e devem resultar em uma escassez de oferta no mercado doméstico [brasileiro]".

O diretor de produção da Safras & Mercado disse que as vendas para os chineses foram boas a curto prazo. No entanto, o Brasil pode perder exportações lá na frente. "O que pode ocorrer, é que o Brasil venda mais para a China, mas pode deixar de abastecer outros países", comentou. De acordo com a Oil World, talvez o Brasil precise importar óleo de soja da Argentina, em julho, para atender às suas necessidades domésticas por conta das amplas exportações chinesas.

Rafael Ribeiro, especialista da Scot Consultoria, acredita que as vendas brasileiras aos asiáticos sejam momentâneas, e que Argentina e China devem retomar as negociações normalmente.

Na última sexta-feira (25), Julian Dominguez, ministro de Agricultura da Argentina, afirmou que os embarques com destino ao país asiático começaram a ser normalizados. No entanto, as vendas continuam paralisadas à espera de uma solução para o conflito comercial. O assunto só deve ter algum avanço, durante a viagem que Cristina Kirchner, presidente da Argentina, fará à China, entre os dias 12 e 16 do próximo mês. O encontro entre Cristina e Hu Jintao, presidente chinês, será no dia 13. (AE)


Fonte: DCI














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