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Sexta-feira, 02 de julho de 2010 - 07h41m

Política Agrícola > Agronegócio

DF: em encontro na CNA, Serra promete instituir defensivo agrícola genérico



Brasília/DF

O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, anunciou aos representantes do agronegócio, com quem debateu, em Brasília, que pretende "montar um mecanismo de crédito de prevenção e compensação, inclusive naquilo que o mercado não consegue fazer por si só: preços garantidos e seguro rural. "Garanto a vocês: vamos ter seguro rural, preços garantidos que funcionem."

Anunciou também que implantará o "defensivo agrícola genérico", lembrando a ação desenvolvida por ele quando ministro da Saúde do governo Fernando Henrique Cardoso, em relação aos medicamentos. Disse também que vai investir em pesquisa no setor de biotecnologia, para produzir o transgênico brasileiro, livrando o país da dependência da propriedade intelectual de outros países. Foi o que ele chamou de "transgênico verde-amarelo".

Serra criticou as adversárias Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV) pela ausência no encontro de presidenciáveis organizado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Comparando-as a "iogurte" ou "marca de bebida", Serra disse que um candidato a presidente tem que expor e debater ideias, e não fazer campanha só com publicidade.

Único a se submeter às perguntas dos representantes do agronegócio, Serra disse o que o setor queria ouvir. "A agropecuária tem segurado a inflação, mantido a estabilidade e diminuído o desequilíbrio externo do Brasil. É a galinha dos ovos de ouro do desenvolvimento do Brasil", afirmou. "Nos últimos 40 anos, a produtividade da terra agrícola multiplicou-se por três. Isso é demonstração de muita vitalidade. Verdadeira galinha dos ovos de ouro. Temos que alimentá-la, fortalecê-la, e não exauri-la", completou.

Sem contraponto, Serra foi pródigo em críticas ao governo federal. Repetindo uma acusação constante, disse que o Estado e as agências reguladoras foram "apropriadas pelo setor privado, que são os partidos políticos e os sindicatos". Para ele, a ocupação das agências por indicação política transformou-as em "ponto de ônibus".

Com essa constatação, defendeu o que chamou de "estatização do Estado brasileiro": despolitizar, despartidarizar os órgãos estatais, para que sirvam aos interesses públicos. Disse que há problemas de gestão e planejamento. "Não existe isso no Brasil. Hoje é anarquia", afirmou.

Criticou de forma dura a relação do governo federal com o Movimento dos Trabalhadores Rurais (MST) - segundo ele, um "movimento mantido pelo governo federal" - e prometeu segurança jurídica no campo. Para o tucano, o movimento de invasões não é de reforma agrária. "É de natureza revolucionária, socialista. As pessoas que pensam assim devem ter plena liberdade de pregar suas ideias. Sou contra que usem dinheiro do governo para isso", disse.

Ele cobrou "coerência" e "clareza" do governo a respeito de sua posição em relação ao MST. "Não adianta por o boné numa hora, e em outra tirar o boné e esconder na gaveta."

Serra defendeu medidas de incentivo para o produtor recuperar a mata ciliar, que deve ser considerada reserva legal. "Não vai dar para enfrentar a questão ambiental no Brasil sem alguém pagar. E quem paga? Quem polui. Tem que introduzir uma política de incentivos para recuperar matas ciliares. Se elas não forem consideradas reserva, não serão recuperadas", disse.

O evento na CNA foi o primeiro compromisso público de Serra ao lado do candidato a vice-presidente em sua chapa, o deputado federal Índio da Costa (DEM-RJ). Sentado na primeira fila, sem tirar o olho do twitter, Costa passaria quase despercebido, não fosse por uma homenagem feita por um produtor rural e por um episódio contato pelo próprio Serra em suas considerações finais, que causou certo constrangimento.

A presidente da CNA, senadora Kátia Abreu (DEM-TO), lamentou a ausência de Dilma e de Marina, esta com a alegação de que não teve conhecimento prévio das perguntas. Ela entregou a Serra um documento com o que o setor espera do próximo presidente e apresentou os quatro principais problemas enfrentados: insegurança jurídica, política de crédito que não atende às necessidades, falta de infraestrutura logística e conflito com as exigências de preservação ambiental.

A uma pergunta sobre se é possível uma conciliação entre "as posições radicais que opõem ambientalistas versus agropecuários", Serra foi cauteloso. "Considerou um fio da navalha muito difícil", mas defendeu a busca de um caminho, um debate de ideias, que não resulte em perda para um dos lados. "Nessa questão dos conflitos que envolvem o setor agropecuário, acho possível encontrar soluções no chamado jogo de soma positiva", disse. O candidato do PSDB defendeu uma máxima, da qual se disse seguidor: "A hipocrisia é a concessão que o vício traz à virtude. É melhor ser hipócrita do que ter um vício."

Em sua apresentação, Serra também registrou a ausência das adversárias. "Nossa estratégia de campanha é da exposição, transparência e verdade. Há outras estratégias que não passam por aí", disse. Depois, em entrevista, avançou. "Não pode ser só a publicidade de vender candidatos como se fosse um iogurte, uma marca de bebida. É preciso debate sobre os problemas brasileiros."

Raquel Ulhôa


Fonte: Valor Econômico














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