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Sexta-feira, 02 de julho de 2010 - 07h48m

Agronegócio > Soja

SP: desvalorização da soja trava venda antecipada



São Paulo/SP

A tendência de queda dos preços da soja no mercado internacional está travando as vendas antecipadas da próxima safra (2010/11) no Brasil. Apesar de terem perdido força nos últimos anos, as vendas antecipadas são uma ferramenta importante para financiar o plantio sobretudo no Centro-Oeste, celeiro de grandes propriedades onde os limites de acesso ao crédito rural oficial valorizam o papel das tradings que trabalham com o grão no financiamento do plantio, que terá início em setembro.

No primeiro semestre, os contratos futuros de segunda posição de entrega caíram 11% na bolsa de Chicago, e as perspectivas para o segundo semestre, apesar de muitas incertezas, não são de recuperação. Diante desse quadro, as vendas antecipadas em Mato Grosso - Estado que historicamente mais utiliza a ferramenta - chegaram a, no máximo, 10% da expectativa de oferta até agora. No mesmo período do ano passado, quando os negócios antecipados já estavam em um ritmo mais lento que o normal, 17% da produção havia sido comercializada ao fim do primeiro semestre. Em 2008, as vendas antes do plantio chegaram a 25% da safra prevista nesta mesma época.

"A comercialização está muito lenta. Mais do que no ano passado, quando havia restrição de crédito", diz Glauber Silveira, presidente da Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja). Ele lembra que para poder cobrir os custos, o produtor precisaria fixar o preço em R$ 15,50 por saca. As ofertas de compra, porém, não superam R$ 15.

Aliado à tendência de queda dos preços futuros da soja, diz André Debastiani, analista da Agroconsult, o perfil de financiamento dos agricultores, especialmente dos produtores de Mato Grosso, mudou mesmo nos últimos dois anos. A crise financeira de 2008 fez com que as tradings reduzissem a oferta de crédito para financiamento, fato que obrigou os produtores a elevarem a parcela de recursos próprios para o plantio das lavouras.

"Como o produtor passou a usar mais dinheiro próprio, passou a comprometer menos da soja colhida. Isso fez com que ele passasse a ter mais produto para vender na parte final da safra", afirma Debastiani. Segundo ele, em Mato Grosso, com a colheita praticamente concluída, ainda existe 15% da safra 2009/10 para ser vendida.

Em Goiás e Tocantins, a situação é um pouco diferente. Segundo dados da Atman - trading que trabalha praticamente apenas por meio de trocas de insumos pela produção, modelo de venda antecipada mais disseminado -, entre 45% e 50% dos insumos para o cultivo da safra 2010/11 já foram adquiridos. Dessa fatia, aproximadamente 70% das aquisições foram feitas na modalidade de troca.

"Como a perspectiva de preços para o segundo sementre é de estabilidade ou queda, os produtores estão tentando antecipar ao máximo para travar os preços e pelo menos viabilizar o plantio. No ano passado, para essa época do ano, as trocas representaram apenas 30% na aquisição de insumos", afirma Rodrigo Camilo, diretor comercial da Atman.

Um pouco mais conservador, o analista de mercado da Federação de Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Pedro Arantes, diz que a participação das trocas no financiamento do plantio da próxima safra dependerá do acesso que o agricultor terá às linhas de crédito oficial do governo, com juros subsidiados.

Ele lembra que os preços dos insumos estão relativamente estáveis, mas a queda das cotações da soja está elevando a relação de troca entre os insumos e os produtos. "Historicamente, 23 sacas de soja compram uma tonelada de adubo. Neste ano, por enquanto, são necessárias entre 26 e 28 sacas para comprar o mesmo volume, principalmente porque os preços da soja recuaram no mercado", afirma Arantes.

Ipsis Literis
"Os produtores de soja de Mato Grosso até gostariam de fixar os preços para uma quantidade maior da safra 2010/11, mesmo porque uma parcela importante dos insumos já foi comprada. O problema é que as cotações estão baixas e ainda não cobrem os custos médios para o Estado", diz Glauber Silveira, presidente da Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja). Além disso, afirma, a tendência é o mercado continuar caindo por isso é importante que os agricultores fiquem atentos a possíveis picos de alta que podem ocorrer ao longo dos próximos meses, durante o "mercado climático" nos Estados Unidos.

Silveira diz ainda que é preciso aguardar para saber se haverá mudanças na legislação do etanol americano, o que pode elevar a demanda por milho para a produção do combustível e também puxar as cotações de soja. Ainda assim, acrescenta, não há expectativa de " preços maravilhosos" no mercado internacional neste semestre.

Alexandre Inacio


Fonte: Valor Econômico














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