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Sexta-feira, 02 de julho de 2010 - 08h17m

Agronegócio > Citros

SP: cadeia citrícola mais perto de acordo, mas nem tanto



São Paulo/SP

As entidades que representam os citricultores de São Paulo e as grandes indústrias de suco de laranja instaladas no Estado voltaram a se reunir na quarta-feira com o secretário paulista da Agricultura, João Sampaio, e finalmente concordaram em tocar para frente o projeto de criação de um modelo para nortear as negociações de preços dos contratos de fornecimento da fruta para a produção da bebida. Foi a sétima reunião sobre o assunto mediada por Sampaio desde o início deste ano.

"Já estive descrente em relação a um entendimento sobre a questão, mas a reunião foi positiva", disse o secretário ao Valor. Pelo lado dos produtores, participaram do encontro membros da Sociedade Rural Brasileira (SRB), da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp) e da Associação Brasileira de Citricultores (Associtrus). As indústrias - Cutrale, Louis Dreyfus, Citrosuco e Citrovita, as duas últimas em processo de fusão - foram representadas pela Associação Nacional dos Fabricantes de Sucos Cítricos (CitrusBR).

O fato de as partes terem concordado em avançar nas discussões para a criação do novo "Consecitrus" e de a secretaria já ter entregue às entidades uma minuta de estatuto nesse sentido não significa, entretanto, que não existam divergências. E para deixar claro que elas ainda existem, o presidente da Associtrus, Flávio Viegas, enviou ontem carta ao ministro da Agricultura, Wagner Rossi, com críticas ao processo. "A indústria, que ao longo de todos estes anos se negou a dialogar com o produtor, tem feito um enorme investimento de mídia para criar uma imagem de mudança que não corresponde à realidade".

Conforme Viegas, "o "Consecitrus" baseado em informações unilaterais e sem possibilidade de verificação, proposto pela indústria, não tem nada a ver com o "Consecitrus" proposto pela Associtrus e queremos alertá-lo de que as negociações que estão sendo conduzidas atualmente constituem uma manobra diversionista para conseguir do Cade um TCC [Termos de Cessação de Condutra] que, se aprovado, vai tirar do citricultor todo o poder de negociação".

A referência que Viegas faz ao Cade está relacionada ao processo de investigação em curso sobre uma suposta formação de cartel pelas grandes indústrias, que negam a acusação. Inspiração para a criação de um novo modelo de negociações na cadeia citrícola, o Consecana, adotada no segmento sucroalcooleiro, foi criado no fim da década de 90 e passou por atualizações desde então, mas perdura até hoje. Na reunião de quarta-feira com o secretário Sampaio, a Associtrus informou que, mesmo que o "Consecitrus" vingue, não deixará de interpelar as indústrias na Justiça por causa de preços e outros fatores ligados à concorrência.

Conforme Sampaio, uma nova reunião está agendada para o dia 27 para tratar do tema. Um dos desafios é equacionar os detalhes técnicos específicos da citricultura. Como no caso do Consecana, que adotou um parâmetro batizado de "ATR" (açúcar total recuperável), o "Consecitrus" terá de ter um termômetro para medir o que realmente a laranja é capaz de oferecer. Cana e laranja são duas culturas muitos suscetíveis a variações de solo e água. Nem sempre uma fruta grande e amarelinha significa um suco de qualidade.

Fernando Lopes


Fonte: Valor Econômico














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