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Terça-feira, 06 de julho de 2010 - 07h27m

Agronegócio > Leite

RS: inversão de tendência no leite



Preços ao produtor caíram 3% em junho, fenômeno que não ocorria há mais de dez anos. Reajuste às vésperas do inverno teria sido exagerado.


Curitiba/PR

Após quatro meses em alta, o preço do leite inverteu a tendência e voltou a recuar em junho, em pleno pico de entressafra, quando as cotações costumam subir devido à menor oferta do produto. No Paraná, o valor pago aos produtores caiu 4% no mês passado, para R$ 0,7731 o litro, aponta levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Universidade de São Paulo (USP).

A queda registrada no estado superou a média nacional, que considera os sete principais estados produtores (RS, SC, PR, SP, MG, GO e BA). No Brasil, o recuo foi de 3%, para R$ 0,7718/litro.

Segundo o Cepea, esta é a primeira vez, desde 1997, que há queda de preços no país na passagem de maio para junho. A queda atípica surpreendeu o produtor, que esperava cotações firmes até agosto, quando termina a entressafra.

Os preços começaram a subir em fevereiro e, em maio, acumulavam valorização de mais de 30%. No Paraná, a indústria chegou a pagar mais de R$ 0,80 pelo litro de leite em maio.

Problemas climáticos nas principais regiões produtoras do país reduziram a oferta e impulsionaram as cotações no campo. A valorização foi prontamente repassada ao varejo. Nos supermercados do Paraná, o litro do leite longa vida passou de R$ 1,5 em janeiro para pouco mais de R$ 2 em maio, aponta levantamento do Departamento de Eco­­nomia Rural (Deral) da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab).

Mas a oferta não caiu tanto quanto se imaginava e a demanda não acompanhou esse crescimento relativo. Levantamento do Cepea mostra que, apesar de ter recuado 14% nos primeiros cinco meses de 2010, o índice de captação de leite aumentou 4% na comparação com 2009.

“A indústria subiu o preço ao produtor porque queria garantir matéria-prima, pois imaginava que o ano ia ser bom para as exportações. Mas a expectativa não se confirmou”, relata Ro­­drigo Alvim, presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Entre janeiro e maio de 2010, o Brasil exportou 30% menos que em igual período de 2009, mostram dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abas­­tecimento (Mapa). “O leite está barato no mercado interno e com preço bom lá fora. Em teoria, seria bom para as exportações. Mas o dólar não ajuda”, avalia Maria Silvia Digiovani, assessora da Comissão Técnica de Leite da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep).

O mercado interno não foi suficiente para absorver o excesso de produção. Os preços mais elevados diminuíram a demanda e fizeram a indústria acumular es­­toques, o que aumentou mo­­mentaneamente a oferta durante um período de entressafra, pressionando as cotações.

Hoje, o litro do leite longa vida custa ao consumidor paranaense em média R$ 1,87. Ao produtor, a indústria paga cerca de R$ 0,65, conforme o Conselho Paritário de Produtores e Indústrias de Leite (Conseleite) do estado. “O consumidor sinalizou que não vai pagar mais de R$ 2,20 pelo litro de leite UHT. Ele fez as contas e concluiu que, acima desse preço, ele economiza 30% se comprar leite em pó”, diz Alvim.


Queda surpreende produtor
O recuo no preço do leite em plena entressafra preocupa, mas, mesmo mais baixos, os valores atuais ainda cobrem os custos de produção, afirma o pecuarista Janus Katsman, de Carambeí, nos Cam­­pos Gerais do Paraná. “Ainda está dando para fechar a conta, mas a queda pegou de surpresa. Nor­­malmente, nesta época do ano, os preços são os mais altos e a gente sempre espera que comece a cair mais tarde. A entressafra é quando a gente tira o prejuízo acumulado durante a safra”, diz.

Ele acredita que as cotações podem voltar a reagir nas próximas semanas caso a previsão de clima seco durante o inverno por causa do La Niña se confirme. Caso contrário, os preços tendem a continuar em queda dentro da porteira, prevê. “Dizem que os estoques estão muito altos porque está entrando muito leite de fora”, aponta.

“Tem muito leite chegando da Argentina e do Uruguai”, concorda Fábio Mezzadri, veterinário da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab). Em sua avaliação, além da entrada de produto importado, as cotações internas também são pressionadas pela expectativa de aumento na captação, decorrente da melhora das pastagens de inverno no Paraná. “O excesso de chuva no início do ano atrasou o plantio, mas agora os pastos já estão estabelecidos”, relata.

Maria Silvia Digiovani, assessora da Comissão Técnica de Leite da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), afirma que, mesmo com a recuperação das pastagens, ainda não há au­mento significativo na captação de leite no estado. Para ela, o maior fator de pressão sobre as cotações atualmente é mesmo a entrada excessiva de produto importado a preços mais baixos. “A tonelada de leite em pó, que custa US$ 3,5 mil na Oceania (Austrália e Nova Zelândia), pode ser comprada por US$ 2,5 mil na Argentina”, observa.

Rodrigo Alvim, presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da Confederação da Agri­­cultura e Pecuária do Brasil (CNA), discorda. “A alegação de que o preço ao produtor está caindo por causa das importações do Uru­­guai não é verdadeira. O volume não é suficientemente grande para baixar as cotações internas”, garante.

Balança comercial do setor deve continuar negativa
Depois de cinco anos de superávit, a balança comercial dos lácteos teve saldo negativo em 2009 e deve aprofundar o déficit em 2010. Nos cinco primeiros meses do ano, as importações do setor superavam as exportações em US$ 53 milhões. Foram US$ 117,5 milhões contra US$ 64,4 milhões exportados. O saldo negativo é 2,6 vezes maior que o registrado nesta mesma época do ano passado. Entre janeiro e maio de 2009, a diferença era de US$ 19,7 milhões.

Entre os 12 produtos derivados de leite que compõem a pauta de exportação do país, o leite condensado e o creme de leite foram os mais vendidos em 2010 – 14,2 mil das 23,7 mil toneladas e 42% da receita do setor. Leite em pó e fluído foram os principais produtos importados – 23,3 mil das 42,3 mil toneladas e 57% do faturamento. Os vizinhos Argentina e Uruguai, os principais fornecedores. O produto argentino e uruguaio entra no Brasil a preços competitivos por causa de acordos do Mercosul que preveem tarifa zero no comércio entre os países do bloco.

Durante a crise econômica mundial, Argentina e Uruguai, que são grandes exportadores de leite, perderam clientes na Europa e, para enxugar excedentes, voltaram-se ao Brasil. No ano passado, quase 90% das im­­portações de lácteos do Brasil, mais de US$ 120 milhões, vieram desses dois países. A governo brasileiro reagiu. O governo argentino aceitou a fixação de uma cota máxima de 3 mil toneladas de leite em pó/mês ao preço mínimo praticado na Nova Zelândia.

Os uruguaios, no entanto, não aceitaram nenhum acordo, relata Rodrigo Alvim, presidente da Co­­missão Nacional de Pecuária de Lei­­te da Confederação da Agricul­­tura e Pecuária do Brasil (CNA). “Conseguimos tirar do Uruguai a possibilidade de exportações automáticas. Para cada negócio eles terão que solicitar LI (licença de importação), o que atrasa um pouco o processo.”

Luana Gomes


Fonte: Gazeta do Povo














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