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Terça-feira, 06 de julho de 2010 - 07h36m

Agricultura > Sementes

PR: mais semente tratada do que seguro agrícola



Curitiba/PR

Com subvenção e tudo, o seguro agrícola vem sendo menos usado do que o tratamento de sementes pela agricultura brasileira como estratégia para garantir a performance das lavouras. Para cada hectare segurado, perto de dez hectares são cobertos com se­­mentes que recebem, previamente, algum tipo de tratamento. A promessa das substâncias aplicadas em tanques ou máquinas especiais é tornar as plantas mais resistentes a fungos, insetos, doenças e inclusive à falta de chuva. Além dos defensivos tradicionais, usa-se micronutrientes e produtos que funcionam como uma capa para os grãos.

O governo paga de 30% a 70% do prêmio do seguro para os produtores – 50% para milho e soja, as principais culturas –, mas a área segurada ainda está em 8,6% do total de 77 milhões de hectares de lavouras do país, conforme o Ministério da Agri­­cul­­tura, Pecuária e Abastecimen­­to (Mapa). A expectativa do setor é que esse percentual passe de 10% em 2010/11. No entanto, isso só deve ocorrer se não faltar recurso para o programa de subvenção. Os produtores acham os contratos caros.

Já o tratamento de sementes chega a 90% no caso da soja, que cobre metade dos 47 milhões de hectares destinados aos grãos, e atinge 30% das 12,9 milhões de hectares de milho, mostram dados das indústrias de defensivos. Com isso, são protegidos 46 milhões de hectares, 60% do total da área de lavouras. No tratamento, são usados principalmente fungicidas. Uma parcela menor recebe inseticidas e produtos contra doenças, em proporções que variam de acordo com a cultura.

O volume de recursos que o mercado de tratamento de sementes movimenta evolui a passos largos há três anos – com taxas de crescimento de 30%, 55% e 19,8%. Da casa de R$ 300 milhões, mantida até 2006, passou-se para a de R$ 700 milhões no ano passado. A expectativa do setor é faturar perto de R$ 900 milhões em 2010. A maior parte desses recursos referem-se à simples venda de produtos para tratamento. As indústrias estimam que de 80% a 90% das operações de tratamento de sementes ocorrem nas fazendas ou em centrais montadas por cooperativas.

Os técnicos do setor alertam que a proporção de semente tratada nas fazendas é alta. Espe­­cialistas no assunto, Leopoldo Baldet e Silmar Peske, da Uni­­versidade Federal de Pelotas (RS), afirmam que o produtor se expõe a situações como medição equivocada e mistura desuniforme dos produtos, com aproveitamento reduzido.

As indústrias, por sua vez, tentam elevar sua participação nas operações de tratamento. As pesquisas com uso de diferentes tipos de máquinas ganham espaço em centros experimentais como o que a Syngenta mantém em Ho­­lambra, a 120 quilômetros de São Paulo. A empresa usa 98 hectares para suas atividades no local. O desempenho das sementes tratadas é testado em laboratórios onde as plantas são submetidas a condições de estresse extremo.

As sementes tratadas resistem mais tempo à falta de chuva e ficam mais fortes ante ataques de pragas e doenças, sustenta a bióloga Nilceli Souza, que coordena as pesquisas de laboratório. O resultado é uma plantação mais uniforme e uma produção de melhor qualidade, relata. O aumento da produtividade, afirma, é uma consequência dessa precaução.


Precaução ajuda expandir mercado
Os produtos usados no tratamento das sementes não aumentam diretamente a produtividade agrícola. Criam condições que favorecem a expressão das características genéticas das plantas. A explicação é do pesquisador João Carlos Nunes, da Syngenta. Ele relata que o fato de o tratamento não garantir aumento de produtividade é uma barreira para a disseminação da prática. A missão dos técnicos, nesse caso, é convencer os produtores de que o investimento evita perdas e pode reduzir custos no combate a pragas e doenças que possam aparecer durante o desenvolvimento da lavoura.

“O tratamento é uma espécie de seguro que evita perda no potencial de produtividade”, afirma Nunes. Em sua avaliação, a adesão cada vez maior dos produtores deve-se não só à precaução, mas também ao desenvolvimento de novos defensivos e inclusive de máquinas para misturar esses produtos e as sementes. A indústria oferece misturadoras para instalação em fazendas e cooperativas que tratam até 10 toneladas de sementes por hora. O desempenho dessas máquinas é testado pelas próprias fábricas de defensivos, em pesquisas que tentam evitar, por exemplo, problemas na regulagem das plantadeiras e, consequentemente, o plantio desuniforme.


José Rocher


Fonte: Gazeta do Povo














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