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Terça-feira, 24 de agosto de 2010 - 08h22m

Agronegócio > Aves

PR: ex-criadores de perus vão usar aviários para produzir frangos



Carambeí/PR

A estrutura usada na criação de perus nos Campos Gerais foi completamente desativada nos últimos seis meses. Os produtores, que forneciam aves para a Brasil Foods, devem mudar para a criação de frangos. A empresa promete arcar com os custos da mudança e pagar pelo tempo de paralisação das atividades.

O ânimo entre os produtores mudou. “O negócio estava bem complicado. A empresa não nos dava informações, havia muito boato e nós, produtores, estávamos confusos com os rumos que a coisa estava to­­mando”, conta o avicultor Luiz Otávio Bannach Filho. “Agora a situação é outra. Todos os produtores estão recebendo em dia pelo tempo que os barracões permanecem desativados e eles (Brasil Foods) prometeram que vão mudar os equipamentos das granjas para que a gente comece a produzir frango, tudo isso sem custo para os cooperados”, relata.

Segundo a empresa, para que os produtores comecem a receber os novos equipamentos, falta definir como será feito o financiamento através do Ban­co Nacional de Desen­volvi­men­to (BNDES). “Como a Brasil Foods tem cumprido os compromissos até aqui, acreditamos que vai fazer as modificações nas granjas”, diz Bannach. Ele mostra-se preocupado em relação a atrasos.

A previsão é que a indústria passe a abater frangos na planta instalada em Carambeí até o final de setembro. A linha terá a mesma dimensão da que era usada para o abate de perus. Porém, vai funcionar inicialmente com 50% dessa capacidade, ou seja, 150 mil frangos/dia.

Para as mudanças no abatedouro, foram aprovados R$ 29,8 milhões, dos quais 53% já teriam sido aplicados. As obras, iniciadas em abril, prosseguem dentro do cronograma previsto pela empresa. Atualmente, está sendo construído o novo túnel de congelamento, necessário para o aumento do volume de produção. Além disso, estão sendo realizadas as adequações civis para a instalação de novos equipamentos.

Mudança
O processo de migração da produção de perus para frangos dos mais de 400 produtores dos Campos Gerais iniciou no ano passado, com a decisão por parte da Brasil Foods de mudar sua linha de abate de perus para o Centro-Oeste do país, mais precisamente para a unidade de Mineiros, em Goiás.

Um dos motivos alegados é que o preço do milho (essencial para a ração das aves) naquela região estaria muito abaixo do praticado no Paraná, com a saca de 60 quilos custando algo em torno de R$ 10, contra média de R$ 14 praticada nos Campos Gerais. Como a confirmação da empresa só veio em janeiro de 2010, e a desativação da produção de perus vinham sendo divulgada aos produtores desde o final do ano passado, houve insegurança e revolta entre os produtores.

Criadores como Josélia e João Maria de Matos, que têm aviário em Piraí do Sul, estavam prontos para desistir da atividade. “O frango dá mais trabalho. Se for para pagar de novo para trocar os equipamentos e aumentar a granja, eu até prefiro parar. Fiquei cinco anos pagando”, disse ela à época. Agora, mudaram de avaliação. João Maria conta que, após avaliar as propostas da indústria, se animou a produzir frango. “Eles estão pagando certinho os dias dos barracões parados. Também pediram para a gente fazer algumas adequações no terreno e na granja para receber as novas máquinas. Agora está tudo pronto pra começar a produzir”, conta.

Empresa tenta, primeiro, zerar dívidas

Antes de realinhar os avicultores na criação de frangos, a Brasil Foods tenta zerar débitos do setor ligados à produção de perus. Para isso, oferece renda mínima, considerada suficiente para quitação de parcelas de financiamentos.

A empresa se prontificou a pagar pelo tempo em que os aviários permanecem parados. A atividade começou a ser reduzida há seis meses e os abates foram paralisados no início deste mês.

A indústria informa que, decorrido um mês do último abate, passa a remunerar o produtor com uma ajuda de custo de R$ 1,2 mil/mês por aviário padrão (1.200 metros quadrados). A medida visa evitar a demissão de funcionários e a favorecer a conservação das instalações. Trata-se ainda de garantir renda mínima para aqueles que têm na avicultura sua única fonte de recursos.

Os financiamentos antigos, que preocupavam os avicultores quando a desativação dos criadouros de perus começou a ser aventada, estão em dia, segundo a indústria. O dinheiro da renda mínima seria suficiente para os produtores quitarem as prestações. A previsão é que esses financiamentos sejam 100% quitados dentro de um mês.

Em relação à troca de equipamentos, a Brasil Foods se comprometeu a gerenciar a tarefa, assumindo 100% dos custos da mudança. O valor a ser empregado pela empresa em cada aviário será de aproximadamente R$ 70 mil. Conforme a empresa, todos terão um mesmo padrão de equipamentos que, além de novos, adotam tecnologia igual ou superior à do sistema de criação de perus. O total a ser investido no sistema produtivo deve passar de R$ 50 milhões.

Os novos contratos ainda estão sendo apresentados aos avicultores. O documento é repassado no momento da quitação das dívidas ligadas à criação de perus ou da troca de equipamentos, informa a Brasil Foods. A empresa vem levantando a situação de cada propriedade. Informa já ter percorrido 110 aviários em Castro e Piraí do Sul.


Dúvidas sobre rentabilidade
Os avicultores que entregavam perus para a Brasil Foods estão reticentes quanto à lucratividade que deve ser obtida com a criação de frangos. Eles temem perder renda, mesmo que não saiam no prejuízo. Para Luiz Otávio Bannach Filho, há uma incerteza em relação a esse ponto. “Conheço produtores experientes na criação de frango que dizem que o lucro pode diminuir, mas cada caso é um caso e depende muito de como é feito o manejo da produção. Mesmo assim, acredito que vai dar certo”, avalia.

Para o presidente da Associação de Avicultores dos Campos Gerais (instituição formada pelos produtores integrados à Brasil Foods), Carlos Bonfim, não há muitos motivos para apreensão. “Os custos variam de acordo com cada barracão, mas a lucratividade dos frangos é similar à dos perus, pelas pesquisas que temos feito. Estamos montando nossas planilhas de custos. Quem já migrou, diz que é praticamente a mesma coisa”, relata.

Como produtor, Bonfim ficou satisfeito com as decisões da empresa. “Essa remodelação caiu no colo dos produtores. Já está quase tudo acertado para o financiamento do maquinário dos produtores. Demora um pouco porque é uma operação que envolve milhões e nem sempre as coisas andam rápido nesses casos”, justifica.

Ismael de Freitas


Fonte: Gazeta do Povo













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