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Segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011 - 07h15m

Agricultura > Frutas

PR: produção de frutas fora de época exige orientação técnica



Londrina/PR

A colheita fora de época é praticada nos estados da Bahia, Pernambuco, Minas Gerais e São Paulo, mas no Paraná ainda não há nenhuma pesquisa em andamento sobre essa técnica. Mesmo assim, a orientação é de que os produtores interessados busquem informações com técnicos agropecuários e engenheiros agrônomos antes de dar início a esse novo modelo de produção.

Isaias Fidelis relata que utiliza três procedimentos para obter a colheita entre o final de fevereiro e início de março: poda drástica, aplicação de hormônio e retirada da florada. Fazemos a poda drástica todos os anos para manter o tamanho da planta. A poda tem que ser feita até, no máximo, 20 de abril, orienta o produtor.

O segundo passo é aplicar hormônio para não permitir que a plante vegete. A aplicação é feita no final de maio. Sem vegetar, a planta fica com menos folhas e a fruta fica mais exposta ao sol. Assim, a manga fica com mais coloração e tem mercado melhor, comenta Fidelis. O agricultor aplica o hormônio paclobutrazol (PBZ), dissolvido em água, no solo. Trabalhos da Embrapa Semiárido indicam o uso do paclobutrazol. No entanto, a Seab esclarece que esse hormônio ainda não está cadastrado do Estado do Paraná, pois a empresa proprietária ainda não efetuou a solicitação junto à Secretaria.

O último procedimento de Fidelis é a retirada da florada, que precisa ser feita até o final de agosto. Segundo o produtor, o custo total para fazer a colheita fora de época na região de Assaí é de R$ 12 por planta. De acordo com o engenheiro agrônomo José Francisco de Souza Germino, da Plantec, a técnica de produção de manga fora de época é desenvolvida desde a década de 1990 no semiárido brasileiro.

Entretanto, não é possível aplicar as mesmas indicações no Paraná, pois as condições climáticas são muito diferentes e podem interferir no resultado do processo. Aqui os resultados são muito positivos, os produtores podem colher manga em qualquer época do ano. Mas no Paraná, as chuvas e a baixa temperatura podem interferir. O produtor precisa ver como essa tecnologia está coerente com o clima de sua região, esclarece.

Segundo Germino, a poda é feita para estimular a vegetação e o PBZ regula o crescimento vegetativo da mangueira. Nos trabalhos desenvolvidos no semiárido, após o uso do hormônio, é preciso aplicar um estimulante de diferenciação floral, como nitrato de potássio, de cálcio ou de amônia. O agrônomo salienta que a dosagem desses produtos depende de uma análise de cada planta, que leva em consideração o tamanho da copa, o enraizamento, a idade e o vigor da planta, dentre vários outros fatores. As vezes, em um mesmo pomar, são usadas várias dosagens, explica. Em relação a retirada da florada, Germino afirma que no semiárido esse procedimento não é necessário, pois ocorre naturalmente uma queda fisiológica da floração.

Boa hora
A produção de manga ainda não é muito disseminada no Paraná, mas a opção de realizar a colheita fora de época pode gerar um lucro maior aos produtores. Este é o segundo ano em que o agricultor Isaias Fidelis, de Assaí, norte do Estado, produz manga fora de época. Enquanto a colheita normal da manga Palmer costuma ser feita de dezembro a janeiro, Fidelis consegue, com o uso de uma técnica diferenciada de produção, fazer a colheita nos meses de fevereiro e março.

Segundo ele, o ideal é fazer a colheita entre o final de fevereiro e o início de março. Entretanto, como o preço está favorável, Isaias, seus pais, Antonio Fidelis e Gercira Frata Fidelis, e mais oito funcionários estão trabalhando esta semana para fazer a colheita de toda a produção. Normalmente, eu começo colhendo apenas as maduras duas vezes por semana. Mas como o preço está muito bom, resolvi adiantar e fazer toda a colheita agora, declara Fidelis.

Ao comercializar nesse período, Fidelis vende a fruta quando os demais produtores não a possuem mais, aumentando sua margem de lucro. Assim, enquanto na época, o quilo da fruta sai por, em média, R$ 0,30, fora de época, ele chega a ser vendido por cerca de R$ 1,30, um aumento de aproximadamente 78%.

Em 2,42 hectares de sua propriedade, o agricultor possui 1.600 pés de manga. A produção é de, em média, três caixas por pé. Hoje estou vendendo a R$ 1,40 o quilo, relata. A caixa, que costuma comportar 24 quilos da fruta, é vendida normalmente a R$ 5. Fora de época, o preço pode chegar a R$ 33 na região. Espero colher de 900 a 1 mil caixas de manga este ano, tirando de R$ 20 mil a R$ 25 mil de lucro livre, comemora. Fidelis comercializa toda sua produção no Central de Abastecimento (Ceasa) de Londrina. Segundo ele, o mercado consumidor da região absorve toda sua produção e ainda falta manga para atender a demanda nessa época do ano.

Produção
De acordo com dados da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab) de 2008, em todo o Paraná, a área total ocupada com plantio de frutas é de 67,5 mil hectares e a produção chega a 1,5 milhões de toneladas. A participação da fruticultura na renda bruta gerada nos campos paranaenses é de 2% a 3%. As cinco principais frutas produzidas no Paraná são laranja, banana, tangerina, melancia e uva, que somam 88% de todas as frutas produzidas no Estado.

Já a produção de manga ocupa 752 hectares no Paraná e atinge o volume de 13.599 toneladas. Ainda de acordo com a Seab, a Regional de Londrina é a terceira maior em produção da fruta, com 1.685 toneladas colhidas em 2008, o que representa 12,39% do total de manga produzida no Estado. Só no município de Londrina foram colhidas 450 toneladas de manga em 2008.

Mariana Fabre


Fonte: Folha de Londrina














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