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Terça-feira, 17 de janeiro de 2012 - 07h19m

Agroindústria > Agronegócio

PR: indústrias de carnes começam o ano no vermelho



Curitiba/PR

As ações das quatro maiores empresas globais de processamento de proteína animal começaram o ano como destaques negativos entre os papéis negociados na Bovespa. No acumulado das duas primeiras semanas do ano, as ações da JBS (JBSS3), Minerva (BEEF3), Brasil Foods (BRFS3) e Marfrig (MRFG3) se desvalorizaram 10,86%, 4,72%, 3,90% e 1,87%, respectivamente. No mesmo período, o índice Ibovespa – que reúne ações de 70 empresas – chegou aos 59.146 pontos, com alta de 4,21%.

O endividamento das gigantes do agronegócio é apontado como principal motivo dessa baixa, que acentua o quadro observado em 2011. As dívidas são fruto das dezenas de aquisições feitas nos últimos anos (leia mais no texto abaixo). Na tentativa de aumentar a participação no mercado, as companhias foram às compras, o que resultou em um crescimento desordenado do setor, conforme os especialistas.

“É um setor que exige muito investimento e a lucratividade não é tão alta em curto prazo. Isso é percebido pelo mercado”, explica o presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abra­frigo) e do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Paraná (Sindicarne-PR), Péricles Salazar.

“Elas fizeram muitas aquisições no passado e acumularam dívidas. Agora é esperar o balanço anual para ver se esses investimentos deram retorno e ajudaram a diminuir o endividamento”, aponta Luiz Augusto Pa­­che­co, gestor da boutique de investimentos Inva Capital.

Em alguns casos, a baixa performance dos papéis das empresas de carnes e derivados diante dos investidores se perpetua há anos. As marcas JBS e Marfrig, duas das maiores empresas em processamento de proteína animal do mundo, contabilizam dois anos de intempéries no mercado de ações brasileiro. Em 2010, as ações da JBS caíram 22% e, no ano passado, 15%. A Mar­­­frig teve performance negativa de 18% dois anos atrás. Em 2011, o resultado foi ainda pior: o índice de desvalorização chegou a 44%. Os números colocaram as companhias no grupo das maiores baixas do ano em 2011.

As ações da Minerva têm oscilado bastante, já que em 2010 houve alta de 19% e, no ano passado, baixa de 23%. Apesar do início de ano com desvalorização, os papéis da Brasil Foods alcançaram ótimo desempenho no último biênio na Bovespa. Em 2010, as ações da empresa se valorizaram 21% e, em 2011, tiveram 35% de crescimento.

Para o analista Eduardo Dias, da Omar Camargo Investimentos, a tendência é que as empresas “arrumem a casa” para equaciona­r as dívidas e, consequentemente, voltem a atrair novos investidores. A empresa Minerva deve alcançar isso com mais facilidade, pois está mais estruturada, na avaliação do especialista. Marfrig e JBS, no en­­tanto, devem precisar de mais tempo para colocar em ordem os seus problemas financeiros.

“Com o assentamento da poeira, elas devem enxergar o nicho e onde podem operar. Agora [as empresas] sabem distinguir seus concorrentes e têm condições de avaliar melhor para que lado atirar para brigar por melhor participação de mercado”, ressalta Dias. “Não tenho dúvida que os papéis vão se recuperar. O lucro neste setor se dá em longo prazo”, afirma Salazar, da Abrafrigo.

As empresas JBS, Marfrig e Bra­­­sil Foods fazem parte da carteira que resulta no índice Ibovespa (e que será revista em maio). A BR Foods tem representação de 1,22%, en­­­­quanto a Marfrig pesa 0,78% e a JBS, 0,67% – somadas , representam menos de 25% do peso da Petrobras, por exemplo.

As quatro empresas foram procuradas pela reportagem da Gazeta do Povo para detalhar sua situação, mas não concederam entrevistas.

Carlos Guimarães Filho


Apreensão
Mercado monitora passos das empresas 
O mercado vem demonstrando apreensão em relação às próximas medidas que serão tomadas pelas indústrais de alimentos à base de carne. Delas depende o abastecimento e também a negociação aplicada aos produtores rurais. “A expectativa é de sucesso na integração dos novos ativos, ao nível e velocidade da geração de caixa e consequente desalavancagem das companhias”, declararam os analistas Henrique Koch e Thiago Gramari, do BB Investimentos, em relatório ao mercado.

“Os investidores só se tornarão mais otimistas com as empresas diante de claros sinais de geração positiva de fluxo de caixa sustentável e de desalavancagem”, disse o analista do Citigroup, Carlos Albano, em relatório ao mercado. A JBS, por exemplo, chegou ao final do terceiro trimestre com dívida líquida consolidada de R$ 13,65 bilhões e alavancagem de 4 vezes.

Dentro do contexto de “arrumar a casa”, o discurso das gestões de todas as companhias do setor é o mesmo: não é mais hora de ir às compras. A exceção fica por conta da Brasil Foods, que deverá fazer o movimento inverso.

Para o diretor financeiro do Minerva, Edison Ticle, aquisições só serão feitas caso não comprometam o processo de desalavancagem da companhia. Já o presidente da JBS, Wesley Batista, 2012/2013 será um período para a empresa pensar em como capturar mais as sinergias das integrações recentes. (AE)

Setor vive onda de expansão, aquisições e diversificação
As empresas de processamento de carnes foram, literalmente, às compras em busca de outras plataformas para incrementar suas produções e os seus portfólios de produtos. Em 15 anos, até 2010, a JBS fez 30 aquisições em diversos países como Argentina, Austrália e Estados Unidos. No Brasil, a companhia fez incorporações nos estados de Mato Grosso, Acre e Paraná. Na contratendência, o frigorífico na cidade de Maringá, adquirido em 2007, fechou as portas em setembro passado diante da falta de oferta de gado de corte.

A Marfrig também se lançou ao mercado para aumentar a oferta de produtos. Nos últimos sete anos, a companhia concretizou ao menos um negócio por ano. Além do Brasil, a estratégia de crescimento da plataforma global visou os mercados do Uruguai, Argentina, Reino Unido, Irlanda e Estados Unidos.

Os últimos seis anos também foram de forte incremento para a Minerva. Em 2006, a empresa firmou contrato de locação de uma unidade de abate em Mato Grosso do Sul. Dois anos depois, adquiriu frigoríficos em Goiás e no Paraguai. Em 2010, foi a vez de entrar no mercado mineiro com a aquisição de uma planta e, no ano passado, comprou um frigorífico no país vizinho Uruguai.

O ano de 2011 foi de muitos negócios para a BR Foods. No início da temporada, a empresa firmou contrato com a chinesa Dah Chong Hong Limited para o estabelecimento de uma joint venture no país, visando o acesso à distribuição de produtos no mercado local. No meio do ano, teve a fusão entre Sadia e Perdigão, que lhe deu origem, aprovada pelo Conselho Administrativo de Defe­­sa Eco­nômica (Cade). A empresa mantém domínio de dois terços sobre os mercados de pizzas prontas, hambúrgueres, lasanhas e presunto. No segundo semestre, a companhia anunciou a construção de uma fábrica de processados no Oriente Médio, nos Emirados Árabes Unidos. No final do ano, a BRF se associou com um grupo argentino, dentro do processo de expansão na América Latina.


Fonte: Gazeta do Povo













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