Notícias |
Voltar |
Mais de dois mil alunos e professores de escolas municipais e estaduais do município de Canarana assistiram a palestras sobre o tema.
O pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, José Roberto Moreira, que é o curador de animais nativos de potencial econômico, ministrou palestras sobre educação ambiental em sete escolas municipais e estaduais do município de Canarana, MT, no período de 28 de Novembro a 02 de Dezembro. Ao todo foram mais de 50 palestras para aproximadamente 2 mil alunos e professores, incluindo crianças, adolescentes e adultos. A iniciativa contou com o apoio da Secretaria de Educação e Cultura de Canarana e patrocínio da Petrobras Ambiental. Esse município foi criado em 1975, fica a 633 km da capital Cuiabá, tem uma área superior a 10 mil km² e uma população de cerca de 20 mil habitantes, sendo a maior parte composta por indígenas, visto que compõe o Parque Indígena do Xingu.
As palestras fazem parte de uma ação muito maior, iniciada em 2007 pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Fundação Nacional do Índio - Funai e Instituto Chico Mendes em prol da preservação do tracajá (Podocnemis unifilis), uma espécie parente da tartaruga da Amazônia. Além de José Roberto Moreira, participa também desse projeto o pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Fábio Freitas.
O tracajá é muito importante na alimentação dos povos do Parque Indígena do Xingu, especialmente, no município de Canarana, MT, em função do alto teor de proteína encontrado nos ovos e na carne. Além disso, as crenças indígenas também limitam alguns alimentos durante fases da vida, como a gestação e o período menstrual, e um dos alimentos liberados é o tracajá. Portanto, além de nutritivo, o tracajá é um item alimentar importante nas tradições dos indígenas do Xingu.
Nos últimos anos, entretanto, fatores como o crescimento da população indígena do Parque, desmatamento, poluição das cabeceiras dos rios e o aumento do número de barcos a motor, entre outros, têm levado a uma diminuição das populações de tracajá, incluindo animais adultos, ovos e filhotes.
De 2007 até os dias de hoje, as instituições têm investido em várias ações para auxiliar na preservação sustentável do tracajá junto às populações indígenas do Xingu. Segundo Moreira, ao longo desses mais de cinco anos, quase 30.000 tracajás foram liberados nas lagoas da região. “É importante ressaltar que todo esse trabalho é feito em parceria com os indígenas e, paralelamente às ações de pesquisa, são desenvolvidas iniciativas de educação ambiental para conscientizar, especialmente as crianças e jovens, sobre a importância de preservar o tracajá. Em 2010, conseguimos construir uma maternidade para esses animais, que foi um passo muito importante”, enfatiza.
Palestras foram ministradas de acordo com os públicos
A apresentação das palestras nas escolas públicas de Canarana foi uma das ações mais importantes do projeto de educação ambiental em 2011. Para garantir a eficiência da divulgação, os conteúdos das palestras foram preparados de acordo com os diferentes públicos, que incluíam crianças de até 10 anos, adolescentes e adultos. Os professores também assistiram às palestras.
“A palestra para crianças era bastante simples, salientando o risco de desaparecimento do tracajá na região e o trabalho de recuperação da população. Durava apenas 10 minutos. Para os adolescentes, apresentava alguns detalhes sobre a metodologia utilizada na recuperação da população de tracajás e tinha a duração de 15 minutos. Já para os adultos, o conteúdo incluía mais detalhes sobre a metodologia do trabalho desenvolvido e as expectativas para o futuro. Tinha a duração de 30 minutos”, explica Moreira.
Além das palestras, foi distribuído também para os alunos e professores material didático sobre o projeto, como folhetos e cartilhas. As instituições beneficiadas foram: três escolas estaduais (EE) - Paulo Freire, 31 de Março e Norberto Schwantes e quatro escolas municipais de ensino básico (EMEB) - Monteiro Lobato, Progresso, Nova Era e Pioneiros de Canarana. Em todas elas, as palestras incluíram os turnos matutino e vespertino. Nas EE Paulo Freire e Norberto Schwantes também foram ministradas aulas no período noturno.
“Foi cansativo, mas muito gratificante”, ressalta o pesquisador, lembrando que além da importância de divulgar a educação ambiental e a produção sustentável para o público estudantil, o contato com os alunos e professores vai trazer resultados diretos para o projeto de preservação do tracajá. Por exemplo, uma das professoras da EE Norberto Schwantes se ofereceu a participar do projeto em 2012 com palestras de educação ambiental no Parque Indígena do Xingu, como parte de sua tese de doutorado em educação indígena.
“A adesão da professora é uma prova de que ganhamos vários aliados na nossa iniciativa de preservar o tracajá na região do Xingu”, finaliza Moreira.
© Copyright 2012, Via Informação - Todos os direitos reservados
Proibida a cópia e reprodução total ou parcial sem a citação da fonte.
Site desenvolvido por Grandes Idéias
Skype: paginarural
E-mail: paginarural@paginarural.com.br
h t t p : / / w w w . p a g i n a r u r a l . c o m . b r