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O Centro-Sul e os Campos Gerais vão impedir que as perdas registradas no Oeste, Sudoeste, Centro-Oeste, Noroeste, Norte e Norte Pioneiro tenham impacto tão forte na produção de grãos, apurou a Expedição Safra Gazeta do Povo em viagem pelo interior do estado. Plantadas quase um mês mais tarde do que nos polos atingidos pela seca, as lavouras de soja e milho do entorno de Guarapuava, Ponta Grossa, Palmeira e Arapoti prometem ao menos amenizar a quebra da safra paranaense.
No Oeste, boa parte dos agricultores havia concluído o plantio no início de outubro, enquanto nos Campos Gerais as plantadeiras ainda trabalhavam até o fim de novembro. Nos últimos meses, apesar de terem ocorrido semanas seguidas de sol, a situação não se compara à seca de até 50 dias enfrentada por lavouras de Toledo (Oeste). Encorpadas, as plantações dos Campos Gerais – ainda em fase de floração e frutificação – podem render tanto quanto na excepcional safra passada.
Os produtores de Guarapuava se mostram satisfeitos com o volume de chuvas desta safra. “O acumulado ficou um pouco abaixo da média, mas nada preocupante. O único problema que enfrentamos nos últimos anos foi o granizo”, afirma Carlos Eduardo Luhn, dono de 400 hectares cultivados com soja. Luhn espera colher 3,3 mil quilos de soja por hectare a partir de fevereiro, 100 quilos a menos (ou 2,9%) que um ano atrás. Apesar das chuvas suficientes, a temperatura surpreendeu, com noites mais frias que o normal e dias quentes. Esse fator pode limitar o rendimento do milho a 9 mil quilos por hectare, 480 quilos (ou 5%) a menos do que em 2010/11. “Quase todas as pontas das espigas tiveram problema de enchimento de grãos”, afirma.
O frio registrado em novembro e dezembro também deixou manchas nas lavouras de Ponta Grossa. Mas a expectativa dos agricultores, é positiva. “Acho que podemos ficar perto da média de 3,75 mil quilos de soja por hectare que tivemos no ano passado”, calcula o produtor Gustavo Ribas Netto.
Ele diz que o uso de sementes com ciclo curto, as mesmas usadas nas regiões atingidas pela seca, têm elevado em pelo menos 10% os rendimentos da soja nos últimos anos. “Começamos a colheita da soja precoce com produtividade média de 3,5 mil quilos por hectare. Quando chegamos nas áreas de ciclo tardio, o rendimento cai para 3 mil quilos”, diz.
No Oeste, além de permitir a antecipação do plantio do milho de inverno, a adoção das sementes de soja de ciclo curto é defendida como estratégia de redução de custos. O cultivo é abreviado em duas semanas, para 120 dias, e exige menos fungicida.
Clima ruim eleva renda de quem colheu bem
A mesma seca que causa prejuízos à agricultura em regiões quentes do Paraná tem gerado oportunidades aos produtores das regiões tradicionalmente mais frias e mais bem servidas pelas chuvas. Essas regiões correspondem em boa medida aos Campos Gerais, que abrangem partes do Centro-Sul, do Centro, do Centro-Leste e do Norte Pioneiro. O problema climático impulsionou as cotações da soja no mercado internacional e no doméstico, elevando a renda de quem vai colher bem.
Cícero Lacerda, de Guarapuava, conta que as ofertas dos compradores chegaram a subir R$ 2 por saca após as notícias de quebra de safra circularem no mercado. “Vendi o último volume de soja que tinha em estoque a R$ 46 por saca. Antes da seca tinha vendido a R$ 44, no máximo”, relata o agricultor, que já fixou o preço de 50% da produção esperada no ciclo 2011/12, alcançando entre R$ 47 e R$ 50 por saca nas vendas antecipadas.
Apesar de os preços terem recuado nos últimos dias, o setor acredita que a queda na produção vai sustentar a valorização dos grãos mesmo durante o pico da colheita brasileira, previsto para fevereiro e março.
“A tendência aqui na região é que o preço do milho caia dos atuais R$ 27 por saca para R$ 25 na entrada da safra. A soja, que hoje vale R$ 46, pode cair ainda mais. Ainda assim, vou fechar em uma média muito acima da que obtive no ano passado”, revela Gustavo Ribas Netto, de Ponta Grossa. Por enquanto, ele vendeu 30% da produção esperada a um preço médio de R$ 49 por saca. No ciclo anterior, a média fechou em R$ 38,80.
Cassiano Ribeiro
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