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Acontece amanhã (07), às 08h30, na sede da Federação da Agricultura e Pecuária da Paraíba (Faepa), uma reunião técnica para discutir medidas de controle à cochonilha do carmim.
A reunião, convocada em caráter emergencial, devido aos recentes acontecimentos em Boa Vista, vai reunir representantes e técnicos da Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária (Emepa), Secretaria de Estado do Desenvolvimento da Agropecuária e Pesca (Sedap), Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Defesa Agropecuária e FAEPA, a fim de identificar as possíveis causas da morte dos animais e buscar soluções para o controle da praga que vem dizimando os campos de palma da Paraíba.
A morte dos animais no Cariri na semana passada fez com que a discussão sobre a eficiência dos produtos biológicos e uso dos inseticidas no combate à cochonilha voltasse à tona. “Tendo em vista os fatos, nossa suspeita é que a morte dos animais foi causada pelo uso indevido de inseticidas na tentativa desesperada de salvar a produção”, afirmou o presidente da Faepa, Mário Borba.
“Não temos nenhum produto registrado e, por isso, acreditamos que os produtores estão lançando mão de qualquer produto químico e efetuando a aplicação sem qualquer orientação técnica quanto à dosagem e período de carência. Até mesmo os próprios produtores estão correndo risco de serem contaminados”, completou o dirigente.
A grande preocupação da Faepa e dos produtores rurais é que, hoje, a palma forrageira é uma das principais alternativas para o setor agropecuário da região semiárida, sendo utilizada principalmente como base alimentar para a produção da pecuária na Paraíba. Sua utilização cresceu significativamente nos últimos seis anos, porém, a ameaça da cochonilha do carmim também cresceu, destruindo mais de 100 mil hectares da planta em Pernambuco e na Paraíba. “O aumento da área infectada pela cochonilha prova que os produtos biológicos testados e usados atualmente não resolveram o problema”, afirmou Mário Borba.
Ainda de acordo com o presidente da Faepa, temos hoje duas alternativas de controle e convivência com a praga: variedades de palma resistente à cochonilha e um defensivo agrícola devidamente registrado junto ao Ministério da Agricultura. O registro foi publicado em agosto de 2010 e a liberação para o uso do inseticida no nordeste deve sair em março. A autorização de uso de um inseticida para palma é uma solução real para controlar a praga, pela qual a Faepa, juntamente com representantes de outras instituições, vem trabalhando, desde o ano de 2007.
Após a liberação do produto, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural da Paraíba (Senar-PB) irá promover eventos, treinamentos e cursos para orientar os produtores para a correta aplicação do defensivo, visando garantir a segurança dos animais, dos próprios produtores e a saúde das áreas cultivadas.
“São 500 mil hectares plantados, que não podem ser perdidos. A palma é um patrimônio do semiárido; a alternativa mais viável para os produtores daquela região. A falta de planejamento e políticas públicas voltadas para o segmento não são mais admitidas”, afirmou Mário Borba.
A cultura da palma forrageira
Originária das regiões áridas do Continente Americano, mais especificamente no México, a palma é uma cactácea encontrada na Europa, em países como Espanha e Itália e na América do Sul, África, Ásia e Oceania. É cultivada nas zonas áridas e semiáridas de todo o mundo para produção de forragem, frutos e cochonilha e também para alimentação humana, produção de cosméticos e produtos medicinais.
O Brasil possui uma das maiores áreas de palma plantada do mundo, com mais de 500 mil hectares cultivados. A Paraíba tem 85% de seu território inserido no semiárido brasileiro, onde o cultivo da Palma para alimentação animal já é largamente utilizado pelos agricultores e o interesse pelos outros modos de utilização da palma vem crescendo continuamente.
Para fortalecer a cultura da palma forrageira no estado, desde 2003, a partir de uma visita técnica ao México, o Sistema Faepa/Senar-PB vem realizando ações permanentes para o desenvolvimento da cultura da palma, como centenas de treinamentos de cultivo e utilização da cactácea; palestras e eventos sobre o combate à praga cochonilha e a implantação de campos experimentais de diversas variedades da planta. Além disso, vem promovendo e apoiando diversos eventos na Paraíba, como o VI Congresso Internacional de Palma e Cochonilha (2007), o Congresso Brasileiro de Palma (2009) e o Palma Fest (2010).
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