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Sexta-feira, 15 de julho de 2005 - 15h44m

Agricultura > Artesanato

Artesanato transforma fibra de coqueiro em renda no norte fluminense



Quissamã/RJ

A fibra de coqueiro das lavouras da fruta em Quissamã, na Região Norte Fluminense, vem se transformando numa fonte bem rentável para muitas mulheres do município. Há três anos, o Projeto de Artesanato de Fibra de Coqueiro, prestes se tornar Projeto Arte de Fibra, mudou a rotina e sobretudo a renda de 54 mulheres que vivem nas cercanias das plantações.

Através da ONG Harmonia Homem Habitat, professores vindos da Bahia, onde o artesanato já faz parte da cultura, ministraram cursos de confecção de peças decorativas. Além de gerar renda, o projeto levanta a auto-estima das mulheres. A matéria-prima usada é a talisca, haste parecida com vareta de bambu, que fica no meio das folhas e que geralmente é desperdiçada nas plantações.

– É um material que possibilita fazer diversos tipos de utensílios e objetos decorativos. Basta um pouco de imaginação – afirma Denise Soares, 37 anos.

A artesã trabalha no acabamento das peças e cria alguns designers para colocar no mercado. A coordenadora do projeto, Darlene Monteiro, 32 anos, conseguiu espaço para expor as peças na Casa de Artesanato, em Botafogo, Zona Sul do Rio, unidade da Secretaria de Desenvolvimento Econômico que cuida da venda dos objetos em feiras e exposições no estado e no país.

O sucesso deve ultrapassar as fronteiras brasileiras. Segundo Darlene, em agosto, 120 peças do artesanato de Quissamã estarão embarcando para a Europa, onde vão fazer parte de uma exposição em Paris, na França.

A capacidade de produção é de 800 peças por mês, incluindo objetos de pequeno, médio e grande portes. Em março, as artesãs conseguiram confeccionar 6.500 jogos americanos para servir de brinde da Petrobras no Dia Internacional da Mulher. Os preços dos objetos variam de R$ 8, jogo americano, até R$ 140, uma luminária.

Segundo as artesãs, apesar da origem baiana, aos poucos os objetos vão ganhando a cara de Quissamã, através de adaptações. O resgate de auto-estima também é lembrado como fator importante. Através da renda obtida com as vendas, as mulheres que antigamente dependiam exclusivamente dos maridos já estão ganhando autonomia e demonstrando satisfação com isso.

– A gente percebe como está sendo importante para elas irem até à cidade e comprar algo que precisa para dentro de casa sem ter que pedir para o marido. Elas estão ganhando respeito – disse Silvia Pazoti Castro Baptista, 28 anos, que também coordena o projeto.

O trabalho com o artesanato de coco é dividido em três etapas. Na primeira, um grupo de mulheres que mora próximo às plantações – geralmente mulheres do pessoal da lavoura – retira as folhas secas dos coqueiros e raspam a talisca com uma pequena faca. As folhas verdes são colocadas para secar.

A seguir, o material é levado para outro grupo de mulheres, responsável pela confecção das peças, fazendo a amarração das esteiras que vão forrar objetos como arandelas, luminárias, abajures, lustres, jogos americanos e jardineiras. Nesse setor, estão envolvidas quase 50 mulheres.

Por último, a fase de acabamento, onde as arestas e sobras das esteiras são cortadas e encaixada nas peças. No local também são colocados os forros de estopa e os adornos, feitos com contas de coquinhos.

Quissamã é o maior produtor de coco do estado, concentrando 270 mil coqueiros plantados em 1,3 mil hectares. Sua tradição agrícola, além das condições de solo, de topografia e da abundância de recursos hídricos, faz do lugar uma área ideal para a atividade da fruticultura, de acordo com o secretário de Agricultura, Abastecimento, Pesca e Desenvolvimento do Interior, Christino Áureo.

Os empresários do setor esperam ampliar a produção anual para 30 milhões de unidades em dois anos. O incremento das exportações na entressafra ajudou a criar mais 150 postos de trabalho, nas várias etapas da produção, desde a colheita ao embarque, além da melhoria do preço do coco e da qualidade do produto.

Além da Europa, para onde exporta periodicamente, a produção de coco in natura de Quissamã é absorvida pelos mercados da Região Metropolitana, da Região dos Lagos e de São Paulo. A água de coco industrializada também é consumida nas regiões Metropolitana e Norte Fluminense, sendo servida na merenda escolar do município produtor.

Cerca de 60 produtores rurais em Quissamã já se beneficiaram do Programa Frutificar, do governo do estado, para incentivo à fruticultura. Com recursos da linha de crédito específica do programa, com juros de 2% ao ano, foram implantados no município em torno de 300 hectares de lavouras para a produção de coco e abacaxi.

O Frutificar, maior programa de agricultura já feito no estado, é o responsável pela disponibilização de mais de R$ 30 milhões para financiamentos da fruticultura irrigada. Nas lavouras de Quissamã, foram R$ 3,5 milhões para a plantação de coco e abacaxi. Grande parte da produção é comercializada com a Cooperativa Mista de Produtores de Quissamã, integradora do programa.

Em sua primeira fase, o Frutificar trabalhou com o abacaxi, o maracujá, a goiaba e o coco, especialmente para a industrialização pelas empresas integradoras. Nesta nova etapa, estão sendo introduzidas a manga e os citrus – laranja, limão e tangerina -, que além de serem usadas na produção de suco, poderão ser exportadas para o consumo in natura.


Fonte: Governo do RJ














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