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Sábado, 17 de setembro de 2005 - 12h09m

Agronegócio > Pequenos Animais

PR: passaporte para coelhos



A carne do coelho possui proteína de primeira qualidade com baixo teor de gordura. O rendimento de carcaça varia de 60 a 63% quando abatidos até 80 dias de idade, com peso vivo de 2 quilos.


Agudos do Sul/PR

Um grupo de produtores de Agudos do Sul (a 70 km de Curitiba), especializado na criação de coelhos, se organizou para abastecer o mercado interno, mas o foco principal é exportar. Eles querem seguir o exemplo dos colegas argentinos que, em dois anos, instalaram nove frigoríficos especializados para atender a demanda internacional.

A busca pelo mercado externo é mais uma alternativa do grupo em garantir a comercialização da carne, cujo consumo no País ainda é pequeno. Os cunicultores de Agudos do Sul não escondem as dificuldades para se manter na atividade. Além do consumo eles enfrentam a falta de legislação e de local adequado para o abate dos animais a cidade dispunha de um único frigorífico que fechou. Um primeiro passo para melhorar o setor foi a organização dos criadores numa cooperativa.

A cooperativa permitiu estabelecer parceria com a rede Carrefour, e com ela uma marca: A Coelho Brasil. O supermercado identificou nessa aliança a possibilidade de imprimir o selo ""Puro de Origem"", destinado somente a produtos com rastreabilidade.

O presidente da cooperativa, Dirceu Alves do Carmo, conta que, dos 22 criadores que fundaram a instituição, apenas 15 continuam na atividade e empenhados em recuperar a rentabilidade, hoje, com ganhos na ordem de 12% a 15%. ""A margem de lucro varia conforme o manejo adotado pelo produtor"", explicou.

A boa notícia é que os criadores firmaram recentemente um novo contrato de parceria com mais uma rede de supermercados. A cooperativa foi procurada pelo grupo Sonae para também ser fornecedora de coelhos para as lojas Big dos Estados do Sul. Nos moldes do Carrefour, a rede vai implantar a venda de produtos com rastreabilidade por meio do ""Clube do Produtor"", selo característico da busca de produtos direto no campo.

As duas redes de supermercados fizeram parcerias com os produtores para garantir o fornecimento de uma linha de produtos diferenciados, com rastreabilidade dos animais do nascimento ao abate. Conforme exigência dos contratos, os coelhos não podem apresentar resíduos químicos na carcaça esses estabelecimentos verificam a ausência desses produtos em testes de amostragem.

A partir do novo contrato com a rede Sonae, já em vigor, a cooperativa espera no mínimo dobrar a produção. ""Esse novo contrato deve estimular o retorno dos criadores que desistiram da atividade"", presume. A rede Sonae vai promover uma campanha de desgustação de carne de coelho nos supermercados Big e Mercadorama para conquistar o consumidor.

Exportação depende de leis para o abate
A demanda pela carne de coelho, segundo o presidente da cooperativa, Dirceu Alves do Carmo, é maior em países europeus. ""A carne do coelho tem consumo garatido na Bélgica, França e Espanha"", afirma. Mas a expansão nas venda do produto brasileiro esbarra na falta de uma legislação nacional específica para o abate dos coelhos.

Para atender o mercado interno, o setor se utiliza de uma ""adaptação promovida na lei de abate de frangos"", informa Dirceu. Os criadores esperam reverter esse impasse, em breve, com a criação dessa legislação. A cooperativa pretende instalar no município um frigorífico habilitado para esse serviço.

Atualmente as vendas para o Carrefour correspondem a um volume mensal de dois mil quilos de carne por mês, cerca de 500 quilos por semana. A rede de supermercados paga R$ 12,50 por quilo (kg) de coelho entregue. Nas despesas de abate e logística de distribuição, a cooperativa gasta R$ 6,50/kg. Nessa conta sobram R$ 6,00 de onde saem as despesas da produção e o lucro dos criadores.

Dirceu do Carmo afirma que os produtores de Agudos do Sul são altamente competitivos em preço e qualidade. Mas eles perdem nos elevados custos de abate e logística. Como não há um local de abate próximo ao município, a cooperativa está enviando os coelhos para abate em Salto do Pirapora (SP), a 150 quilômetros da grande São Paulo.

O caminhão da cooperativa recolhe os animais toda semana nas propriedades e os transporta para o frigorífico. Além do abate o estabelecimento cuida da embalagem da carne em porções já definidas, que, depois, são enviadas à central de distribuição do Carrefour, também em São Paulo. A mercadoria é dividida para as lojas da rede, mas o volume maior fica mesmo em São Paulo, principal mercado consumidor.

Atividade complementa renda
Para a criadora Emelina Juliatto dos Santos, a ação mais trabalhosa da atividade se refere à alimentação dos coelhos, especialmente no preparo dos volumosos que complementam a refeição a base de rações. A atividade ela divide com o pai, Ezaú Juliatto. Eles têm 200 matrizes e entregam cerca de 500 coelhos por mês.

Ezaú Juliatto já se conformou com a redução nos ganhos. A rentabilidade média da família Juliatto, pelos cálculos do técnico da Emater Jair Zeferino é de 20% a 25%. Ele acompanha a atividade e elaborou projetos para a aquisição de verbas oficiais. Essa boa margem de ganhos, segundo o técnico, é possível por não haver despesas com funcionários, já que a mão-de-obra é familiar.

Juliatto não reclama da rentabilidade. ""Há outras atividades muito menos menos lucrativas"", resume. Na propriedade, a criação de coelhos é uma alternativa de renda complementar ao cultivo de verduras e criação de frangos.

Subprodutos diminuem custos de abate
Além da carne, há comércio para os subprodutos do coelho, como miúdos, sangue e pele. O valor obtido com a venda desses ítens, auxilia no pagamento dos custos do abate e distribuição da carne, informa o presidente da cooperativa de criadores de coelhos, Dirceu do Carmo. O sangue e o cérebro do animal são repassados ao abatedouro para reduzir custos de abate. Esses produtos são vendidos para laboratórios de medicamentos.

O abatedouro fica ainda com os miúdos dos coelhos, como fígado e rim, que são vendidos no varejo. Mas esse valor ainda não reflete na renda, diz o produtor. A pele dos animais abatidos é devolvida para a cooperativa, que comercializa o produto com indústrias de confecções de Belo Horizonte, Rio Grande do Sul e São Paulo. O comércio da pele representa 7% do custo do coelho.

Os valores representados pelos subprodutos, segundo o presidente da cooperativa, entram na contabilidade da cooperativa e deveriam retornar ao produtor no final do ano, como parte do rateio. ‘‘As dificuldades dos últimos anos não têm nos permitido sobras. Apostamos nas exportações e em mais clientes no mercado interno para revertermos a situação’’, diz confiante.
O contrato com os supermercados exige dos produtores a adoção de um manejo ecológico dos animais para evitar resíduos químicos na carne. Por isso, eles utilizam poucos medicamentos, restritos ao período de desmama, quando costuma acontecer muita diarréia. Outro problema enfrentado pelos criadores é a ocorrência de sarna. O controle é feito com lança-chamas (fogo) e alvejante.

Os criadores devem ter ainda uma atenção especial com a cobertura dos animais. As ninhadas não são tão abundantes como se imagina por causa do estresse da criação em cativeiro. Alguns criadores, como Emelina, fazem a cobertura logo em seguida ao parto, para facilitar a ocorrência de uma nova gestação. Já a criadora Eleuza Juliatto dá um prazo de 15 dias entre o parto e nova cobertura para não estressar as fêmeas.

Segundo o presidente da cooperativa de criadores, Dirceu do Carmo, para viver exclusivamente da criação de coelhos, o produtor deveria manter entre 300 e 400 matrizes, que permite uma produção de mil animais por mês. ‘‘Este seria o ponto de equilíbrio ideal que estamos buscando’’, admite. Para os novos criadores, Dirceu aconselha o início da criação com poucos investimentos, até conhecer bem os ‘‘vícios do animal’’.

Cuidados com a cobertura das fêmeas
O contrato com os supermercados exige dos produtores a adoção de um manejo ecológico dos animais para evitar resíduos químicos na carne. Por isso, eles utilizam poucos medicamentos, restritos ao período de desmama, quando costuma acontecer muita diarréia. Outro problema enfrentado pelos criadores é a ocorrência de sarna. O controle é feito com lança-chamas (fogo) e alvejante.

Os criadores devem ter ainda uma atenção especial com a cobertura dos animais. As ninhadas não são tão abundantes como se imagina por causa do estresse da criação em cativeiro. Alguns criadores, como Emelina, fazem a cobertura logo em seguida ao parto, para facilitar a ocorrência de uma nova gestação. Já a criadora Eleuza Juliatto dá um prazo de 15 dias entre o parto e nova cobertura para não estressar as fêmeas.

Segundo o presidente da cooperativa de criadores, Dirceu do Carmo, para viver exclusivamente da criação de coelhos, o produtor deveria manter entre 300 e 400 matrizes, que permite uma produção de mil animais por mês. ‘‘Este seria o ponto de equilíbrio ideal que estamos buscando’’, admite. Para os novos criadores, Dirceu aconselha o início da criação com poucos investimentos, até conhecer bem os ‘‘vícios do animal’’.


Curiosidades sobre a cunicultura
A cunicultura é a criação racional de coelhos (Oryctologus cuniculis), com finalidade específica de produção de carne, peles e pêlos (lã).

A carne do coelho possui proteína de primeira qualidade com baixo teor de gordura. O rendimento de carcaça varia de 60 a 63% quando abatidos até 80 dias de idade, com peso vivo de 2 quilos.

Oferece peles de ótima qualidade, competindo com a de animais silvestres, com a vantagem de não contribuir para a extinção de espécies preservadas. Os animais devem ser de raças afins e serem abatidos quando as peles estiverem com maturação perfeita.

O coelho participa no fornecimento de lã de textura bem fina, resistente e sobretudo leve, recomendado na confecção de tecidos delicados e bem térmicos.

Por ser originário de regiões mais frias, tem entre 14ºC a 18ºC a sua temperatura ótima. Quando criados em regiões quentes devem ser protegidos dos raios solares e do calor intenso. O ambiente deve ser arejado, sem correntes de ar e, se possível, sem mudanças bruscas de temperatura.

São animais emotivos, deve-se evitar barulhos e manuseio brusco. No acasalamento, que dura alguns segundos, é sempre a fêmea que é levada para a gaiola do macho. Se aceitou facilmente o macho, não há necessidade de um 2º salto.

A alimentação é a base de ração peletizada que pode ser complementada com forragens. Em criações domésticas podem ser utilizadas sobras de alimentos, de hortas e mesmo o uso rações fareladas, mas a produtividade por fêmea/ano irá cair. As fibras são necessárias no processo digestivo para auxiliar no aproveitamento de carboidratos e proteínas.

São animais susceptíveis a estresses. Isso, nos mais novos, pode causar diarréias e levá-los à morte por desidratação. É no período da desmama que existem as maiores perdas na criação. Manejo, alimentação e higiene adequadas pode previnir doenças como enterotoxemia, coccidioses e pasteureloses.

A rentabilidade da cunicultura pode ser melhorada com a venda de subprodutos como vísceras, cérebro, sangue e peles.
Fonte: www.agridata.mg.gov.br


Vânia Casado


Fonte: Folha de Londrina














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