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Quinta-feira, 03 de novembro de 2005 - 07h47m

Agroesporte > Rodeio

Paraná: conheça o peão que dominou o Boi Bandido



Astro da novela "América", o boi com fama de arredio já foi montado durante os oito segundos exigidos nos rodeios pelo paranaense Carlos de Jesus Boaventura.


Ventania/PR

""O negócio é se apegar com Deus sempre; não só na hora da tormenta"". Com simplicidade e muita fé, Carlos de Jesus Boaventura, 29 anos, explicou o que considera o segredo para ser um bom peão e conseguir dominar o que ele chama de ""boi pulador"". ""Que é aquele que pula bastante, dá show pro público e o peão consegue ficar nele"", detalhou. E olha que fala com conhecimento de causa.

Pouca gente sabe, mas Boaventura até hoje foi o único peão a conseguir dominar o temido Boi Bandido, astro da novela ""América"", que virou celebridade na trama global por seu temperamento arredio que causa medo nos rodeios em que está presente mais de 200 peões já tentaram a façanha! A fama do boi também extrapolou a ficção: hoje ele é garoto (animal)-propaganda de uma tradicional marca de cerveja e é convidado para participar de exposições agropecuárias com cachê avaliado em até R$ 50 mil. Todos querem conhecer o famoso Boi Bandido, que tem assessora de imprensa e alimentação balanceada feita especialmente para ele. Atualmente, o boi pertence ao empresário Paulo Emílio Marques, de São José do Rio Preto (SP), mas foi comprado de Tércio Miranda, de Ponta Grossa, embora tenha nascido muito mais longe, em Goiás.

Na terça-feira da semana passada, quase o Brasil inteiro parou para assistir a tão esperada cena do Tião (personagem de Murilo Benício) montando o Boi Bandido. A cena, repleta de emoção, mostrou imagens reais de quando o peão Neilovan Tomazelli foi arremessado a seis metros de altura, em 2001, pelo Boi Bandido. O que não foi mostrado é que dois dias depois de Tomazelli cair da montaria, Boaventura dominou o boi raivoso participando do mesmo rodeio em Jaguariúna (SP). Hoje ele afirma que Bandido não é tão terrível assim: ""Tem boi pior, mais pulador, mas nenhum até agora ganhou fama em novela como ele. Tem muito marketing em cima"", afirma o peão.

Nascido em Ventania (126 km ao norte de Ponta Grossa), Boaventura vem de uma família bastante humilde. Acostumado a trabalhar desde criança na lavoura, aos 12 anos já vendia sorvete nas ruas de Curiúva, cidade onde cresceu (a 154 km ao sul de Jacarezinho), para complementar a renda da família. O interesse de se tornar peão veio meio que por acaso, quando um pequeno circo passou pela cidade. ""Eu tinha uns 14 anos e quando convidaram as crianças para montar nos pôneis foi a minha realização. Saí de lá com vontade de montar em bois!"", lembrou.

Em casa, comunicou ao pai a sua nova descoberta e teve apoio. ""Comecei montando em bezerros da minha vó, depois passei a montar em cavalos, sem sela, no couro mesmo"", acrescentou.

Depois de participar de vários rodeios amadores, aos 15 anos teve orgulho quando foi convidado para tentar a sorte em um rodeio profissional. Não foi classificado, mas em pouco tempo conquistaria o segundo lugar nesta categoria. ""O prêmio na época corresponderia a uns R$ 800,00 e fiquei muito feliz quando voltei para casa com o dinheiro. O meu pai já estava querendo que eu parasse com essa história de rodeio e minha mãe até desmaiava quando eu ia competir.""

Apesar da profissão arriscada e incerta, Boaventura seguia o destino que escolheu e não media esforços. Chegou a ir com um fusca velho e sem carteira de motorista até Ourinhos (SP), onde aconteceria um importante rodeio. ""Estava sem dinheiro para ir, mas voltei para casa com R$ 5 mil reais"", disse orgulhoso.

O sucesso sempre acompanhou a sua trajetória, e em 2001 conquistou o que até agora nenhum outro peão conseguiu. Ficou o tempo exigido de oito segundos em cima do Boi Bandido, no Mundial Toyota de Rodeio em Touro, em Jaguariúna. Era sábado e no sorteio do dia, ele foi escalado para montar o Bandido. Na quinta-feira, dia do início do rodeio, ele havia testemunhado o que o boi fez com o seu amigo Neilovan Tomazelli. Depois de derrubar Tomazelli, Bandido o jogou a seis metros de altura, o que causou a fratura de duas vértebras e o deixou em recuperação durante oito meses. ""Na hora fiquei com medo, mas não poderia pôr a perder tudo o que tinha conquistado até ali. Me apeguei com Deus e Ele me iluminou. Ganhei o rodeio e conquistei o prêmio de R$ 15 mil"", ressaltou.

Boaventura sabe de cor os prêmios conquistados: ""20 carros, 43 motos, duas camionetes..."", além das premiações em dinheiro, mas não se envaidece. ""Sempre tive a cabeça no lugar e economizei. A profissão de peão é imprevisível e tem muita gente que se perde quando começa a ganhar dinheiro"", atentou.

Há um ano ele decidiu parar, período em que também nasceu a sua filha Laísa, que estranhou quando viu o pai ""trajado"" com a roupa usada no rodeio para fazer as fotos durante a reportagem. Boaventura disse que teve a ""intuição"" de que estava na hora de deixar os rodeios, mas não descarta a possibilidade de um dia participar de rodeios nos Estados Unidos. ""Já recebi vários convites e tenho muitos conhecidos por lá"", avisa.

Contente com a propriedade que conseguiu comprar em Sapopema (132 km ao sul de Cornélio Procópio), onde mora com a família e cria gado de corte, Boaventura torce para que no final da novela o Tião se recupere e vença o rodeio montando o Boi Bandido. ""Quem sabe eles não usam a minha cena dessa vez?"", brinca o peão valente.


Ana Paula Nascimento


Fonte: Folha de Londrina














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